Barreiro - Rui Lopo, do Conselho de Administração dos TCBA greve é «um processo de intenção que consideramos politico»
“O porquê de se marcar greve para a véspera e para o dia das eleições autárquicas, podendo colocar em causa a participação de muitos barreirenses, particularmente os mais idosos, no ato eleitoral autárquico agendado para dia 1 de Outubro, momento supremo no exercício da democracia pela qual muitos portugueses e particularmente barreirenses lutaram durante muitos anos?”, interroga Rui Lopo, do Conselho de Administração dos TCB.

Por Jornal Rostos
O Sindicato Nacional de Motoristas marcou uma greve para os dias 30 de Setembro e 1 de Outubro, procurámos saber como analisa o Conselho de Administração dos TCB analisa esta greve.
Estamos sempre disponíveis para encontrar as soluções
“A nossa posição sobre o pré-aviso de greve é a mesma do que outros processos de greve, consideramos que faz parte de um direito inalienável dos trabalhadores.
Inclusive, somos solidários com as reivindicações dos trabalhadores no que respeita à necessidade de melhoria das suas condições de trabalho e é disso prova, entre outras, a não aplicação das 40 horas de trabalho apesar de legisladas, porque entendemos que também eram prejudiciais ao serviço público”, sublinha Rui Lopo do Conselho de Administração dos TCB.
“Estamos sempre disponíveis para encontrar as soluções possíveis para melhorar as condições de trabalho, assim como cumprir escrupulosamente a legislação aplicável ao desempenho das funções de motorista, na certeza porém de que existem aspetos de gestão e orientação que deveremos garantir para um serviço público de qualidade”, acrescenta o autarca.
Greve para a véspera e para o dia das eleições autárquicas
“Há contudo interrogações que se devem sublinhar sobre este pré-aviso concreto, semelhante a outros que no passado sempre foram marcados para datas próximas de atos eleitorais:
O porquê de se marcar greve para a véspera e para o dia das eleições autárquicas, podendo colocar em causa a participação de muitos barreirenses, particularmente os mais idosos, no ato eleitoral autárquico agendado para dia 1 de Outubro, momento supremo no exercício da democracia pela qual muitos portugueses e particularmente barreirenses lutaram durante muitos anos?”, interroga Rui Lopo
Reivindicações cuja resolução não cabem aos TCB mas aos governos
O autarca na informação que solicitamos sobre as motivações da greve, refere o seguinte:
“ Porque razão são colocadas reivindicações cuja possibilidade da sua resolução não cabem aos TCB, mas sim aos sucessivos governos (?), como exemplo:
1. Sendo os TCB um serviço público municipal, a remuneração das horas extra é definida em orçamento de estado, pelo que os TCB não podem proceder de forma diferente daquela que está definida na lei;
2. Também a base da contratação e a remuneração que lhe está associada é definida pela lei (regime de carreiras e progressões da função pública) e mesmo que fosse possível alterar a remuneração dos novos trabalhadores, a legislação não resolve o facto de haver trabalhadores a trabalhar há mais tempo e com vencimentos inferiores, gerando vencimentos diferentes para trabalhadores com as mesmas funções (o que consideramos inaceitável);
Será que não se conhece que os TCB são um serviço público e não uma empresa privada e que consequentemente tem regras definidas às quais não se aplicam os acordos com as entidades privadas do setor, mas que existem um conjunto de outras condições que não existem no setor privado bastante valorizadas pelos trabalhadores dos TCB? Sendo a prova desta valorização por parte dos trabalhadores, o facto de assistirmos constantemente a admissões nos TCB de motoristas vindos das empresas privadas.
Será que não é conhecido que em Agosto último assinamos um acordo coletivo que repõe os 3 dias de férias que haviam sido retirados por governos anteriores, acrescentando-se a dispensa do dia de aniversário e a formalização do feriado do dia de carnaval?
Será que não é conhecido que estamos a realizar um grande investimento de 18 milhões de euros para a renovação total da nossa frota de autocarros (60 autocarros movidos a gás natural) só possível agora também por razões formais / legais, e que melhorará as condições do posto de trabalho de condução, assim como a prestação deste serviço público de excelência?
Um processo de intenção que consideramos politico
“Considero que, mais do que assumirmos uma postura de guerrilha que seria admissível a uma entidade que está a ser alvo de um processo de intenção que consideramos politico, deixo estas interrogações para que se reflita sobre os aspetos concretos que desencadeiam este pré-aviso de greve”, refere a finalizar o autarca.














