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Vida

Movimento de Trabalhadores Cristãos refereAmeaças pelos desequilíbrios no mundo do trabalho

“Mal estar social reside nas injustiças e má distribuição dos bens provocadas pela supremacia e valorização exclusiva do lucro” – foi uma das ideias força da Assembleia Diocesana de Setúbal do Movimento de Trabalhadores Cristãos.

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Movimento de Trabalhadores Cristãos refere Ameaças pelos desequilíbrios no mundo do trabalho

Por Jornal Rostos

Em 23 Outubro, na Igreja de N.ª Sr.ª da Conceição, em Setúbal, realizou-se a Assembleia Diocesana da LOC - Movimento de Trabalhadores Cristãos, promovida pela Direcção Diocesana de Setúbal.
Nesta Assembleia no âmbito da planificação das actividades para o próximo ano, foi estudado o tema: “Que futuro para o trabalho e trabalhadores”.
O Movimento de Trabalhadores Cristãos analisou este tema “dadas as mutações que se estão a verificar no mercado do trabalho e as graves preocupações e incertezas que os trabalhadores e suas famílias experimentam no tempo actual” – é referido na nota enviada para a nossa redacção.

Rápidas mudanças no mundo do trabalho

Neste sentido, dois especialistas, com experiência nas questões sociais, orientaram a reflexão.
António Soares, na sua intervenção referiu as tendências que se estão a descobrir e já a verificar no mundo do trabalho, insistindo nalgumas linhas de força, nomeadamente:

- Rapidez nas transformações sociais, particularmente na actividade laboral; sendo difícil prevê-las a longo termo, poderão ser tão radicais como as da revolução industrial no século XIX;

- Desaparecimento muito em breve do emprego estável e continuado por toda a vida;

- Extinção do trabalho não qualificado;

- Absoluta exigência de formação profissional para execução de um qualquer trabalho;

- Necessidade dos trabalhadores individualmente ou em pequenos grupos criarem o seu próprio posto de trabalho através de micro empresas de comprovada utilidade, uma vez que a tendência das grandes empresas é reduzir ao máximo o número dos seus trabalhadores;

- Uma das reivindicações sindicais que deve ser reforçada é sem dúvida a da formação técnica, enquanto arma eficaz para combater a desocupação;

- Para responder ao elevado numero de trabalhadores que num futuro próximo deixarão de ter emprego, importa incrementar novas actividades nas áreas do social, do lazer e da cultura.

Impedir que o lucro seja o único caminho

A Assembleia considerou que “perante a inevitável quebra das necessidades de trabalhadores, a intervenção do Estado e dos poderes sociais é imprescindível no sentido de procurar manter o equilíbrio entre o capital e o trabalho, impedindo que o lucro seja a única força a conduzir a vida humana em prejuízo do bem estar da maioria.”
Por outro lado salientou que “o sistema actual das relações de trabalho é insustentável e terá de ser substituído por um outro onde a repartição equitativa da riqueza seja uma realidade. Nesta transição para uma nova ordem no mundo do trabalho, muitos trabalhadores, sobretudo os mais frágeis e menos providos de conhecimentos, ficarão sujeitos a uma vida muito dolorosa, pois serão vítimas do desemprego, da exploração e de desamparo social numa sociedade que os esquecerá enquanto a sua voz for ténue e tímida. Por isso, é indispensável que todas as entidades civis e religiosas prestem grande atenção para que sejam minimizados todos estes sacrifícios. Aos trabalhadores será pedido que se mantenham atentos e informados para poderem colaborar no combate à corrupção e à ambição de alguns poucos, os únicos a beneficiarem destas transições e transformações.”
Sublinha a nota enviada para a nossa redacção que – “De qualquer modo é imprescindível que os trabalhadores de qualquer idade e categoria se preparem para as transformações e se disponham a participar nas necessárias adaptações a um mundo novo do trabalho”.

O mal estar social reside na injustiça

Outro especialista, Mário Moura, apresentou as linhas mestras da Doutrina Social da Igreja aplicada às questões que se colocam relativamente às mutações do trabalho, sublinhando os grandes princípios que são pilares para os cristãos julgarem e analisarem as situações e evoluções.
Referiu de modo especial a recente encíclica “Laborem exercens” do Papa João Paulo II que reforça a convicção de que a raiz do mal estar social reside nas injustiças e má distribuição dos bens provocadas pela supremacia e valorização exclusiva do lucro.
Lembrou também que, face à iletracia e reduzida instrução existente no nosso país, a formação a todos os níveis é indispensável enquanto meio eficaz de vencer os atavismos que nos cercam. Po Por fim, chamou ainda a atenção para a necessidade de todos os cristãos se inserirem conscientemente na vida pública e social onde podem agir na transformação da sociedade.
“De facto, todos os homens e mulheres estão ameaçados pelos desequilíbrios actuais do mundo do trabalho e devem solidarizar-se no esforço por um mundo mais justo e fraterno” – salienta a Equipa Executiva Diocesana do Movimento de Trabalhadores Cristãos.

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