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Vida

MARIANO GAGO, MINISTRO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR, ABRE 15º CONGRESSO DAS COMUNICAÇÕES DA APDC DESTACANDO O PAPEL VITAL DA CONCORRÊNCIA NA EVOLUÇÃO DO SECTOR DAS TICS

A sessão de abertura do primeiro dia do 15º Congresso das Comunicações da APDC contou com a participação do presidente da APDC, o Eng.º Norberto Fernandes; o presidente do Congresso, o Eng.º Pedro Sampaio Nunes; o presidente da ANACOM, o Prof. Pedro Duarte Neves e o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o Prof. Mariano Gago.

7 min de leitura

Por Jornal Rostos

A abertura da sessão esteve a cargo de Norberto Fernandes que salientou o facto de estarmos a viver num ambiente económico muito difícil. No entanto o sector das telecomunicações e dos correios fogem um pouco a essa visão, dado que se verificou um regresso ao investimento, nomeadamente ao nível das redes e dos serviços. Isto não significa que se devam reduzir as medidas de precaução, mesmo porque o sector encontra-se na fase eminente de disrupção dos modelos de negócio. A actual convergência tecnológica, combinada com a abertura da largura de banda irá preparar o negócio do futuro, baseado no conhecimento.

Inclusão digital é determinante para a evolução

Pedro Sampaio Nunes fez um resumo da agenda do Congresso, realçando que o objectivo do mesmo é abordar todas as áreas envolventes ao sector. Desde as tendências, onde se destaca a predominante convergência tecnológica, passando pela infra-estrutura e não esquecendo as soluções. Os temas considerados transversais não foram esquecidos. A inclusão digital é algo que preocupa o Presidente do Congresso e que irá ser abordado no painel de hoje à tarde. Também importante é o facto de nos encontrarmos perante uma revisão do quadro regulamentar do sector, aliado à evolução da regulação do mercado interno europeu. Só com a criação de um verdadeiro mercado único é que se conseguirá competir com os operadores continentais, existentes na América e na Ásia. O Presidente do Congresso terminou a sua exposição afirmando que acredita que Portugal tem fortes potencialidades de se destacar ao nível do sector das TIC.

Mariano Gago destaca a evolução do mercado graças ao aumento da concorrência no mercado das TIC

O Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior iniciou o seu discurso relembrando que há cinco anos, na Cimeira de Lisboa, foi aprovada a liberalização total das telecomunicações na Europa. O que levou a um aumento da concorrência e a um maior dinamismo do mercado. Mas ainda há desafios a vencer. A nível nacional há que conseguir massificar as soluções. Algo que, para Mariano Gago é essencial para a sobrevivência do sector. Só a massificação de soluções abertas nos permitirá ser competitivos nos mercados externos.

O Governo tem um papel muito importante a desempenhar na dinamização do sector. Para Mariano Gago, o investimento público pode contribuir não só para combater a info-exclusão, como também para fomentar a investigação e desenvolvimento. E o primeiro passo começa na modernização da Administração Pública, que servirá de suporte e estímulo ao sector, assim como à sociedade e à dinamização da economia. Estas são áreas que constam das linhas centrais do programa de acção do governo português e que contribuem para massificar a educação. Sobre este tema, Mariano Gago salientou que Portugal foi dos três primeiros países europeus a colocar a Internet nas escolas.

A fase que a economia portuguesa e o sector das telecomunicações atravessam só será resolvida com o aumento do número de clientes e da sua utilização. E só a concorrência poderá garantir um serviço de qualidade. Mesmo porque Portugal tem soluções inovadoras, que são o espelho da modernidade e que não se encontram nos outros países.
Para Mariano Gago isto é a prova de que temos capacidade de levar ideias e formação profissional de encontro ao sector empresarial e ao mercado.

Lisboa 2010 em análise e debate

O segundo painel da manhã, subordinado ao tema “Setting the scene”, contou com a presença de João Paulo Girbal, director-geral da Microsoft Portugal, Leonardo Chiariglione, da CEDEO.net e Philip Laven, do EBU, sob a moderação de Pedro Sampaio Nunes.
Partindo do livro “The Invisible Global Structure”, da autoria de Leonard Kleinrock, os oradores falaram das diversas visões sobre as comunicações electrónicas.

Na sua apresentação, João Paulo Girbal começou por enunciar os pontos principais da visão de Kleinrock. Destes, apenas três não foram ainda concretizados: o acesso à Internet não é para todos e leva à info-exclusão; a tecnologia ainda é cara; e não é tão invisível quanto seria de desejar, ou seja, não dispensa a formação e o treino. Factores que prejudicam a concretização dos objectivos definidos pela Cimeira de Lisboa, que passavam por fazer da Europa a economia mais competitiva do mundo, até 2010. Segundo ele, a Microsoft procura, por intermédio da Microsoft Research, desenvolver tecnologias, programas e soluções que ajudem a criar a tão falada Sociedade do Conhecimento, cuja chave reside na info-inclusão. De entre as diversas iniciativas da empresa neste âmbito, João Paulo Girbal destaca o programa Unlimited Potential, cuja missão é levar a formação em Tecnologias da Informação e Comunicação a indivíduos com menos recursos ou que residam em áreas carenciadas. Para além deste programa, a Microsoft leva a cabo outros projectos semelhantes, nomeadamente, a iniciativa Cais Digital, Parceiros na Educação, Janelas Abertas, Porcide e, mais recentemente, o programa escolhas que procura integrar as minorias étnicas.
No entanto, para chegar à Sociedade do Conhecimento é preciso criar alianças entre o sector público e o privado. Esta colaboração já começa a acontecer em projectos como o Programa Mais, uma parceria entre a Microsoft e o Ministério da Economia, que procura dar a conhecer às PME todos os mecanismos que existem para ajudar à sua modernização, mas é preciso fazer mais. Até porque, conclui, a tecnologia compensa a falta de recursos naturais. Esta é a situação nacional e a solução passa por criar formas de diferenciação e especialização em nichos de mercado, que garantam o aumento da competitividade.

Informação e conteúdos têm papel vital na construção da Sociedade do Conhecimento

Leonardo Chiariglione, por seu turno, começou por colocar uma questão: “Alguma vez chegaremos a Lisboa?”. Para chegar à resposta, o criador do MPEG, apresentou uma resenha sobre as tecnologias melhor e pior sucedidas no sector das telecomunicações, na Europa e nos Estados Unidos. A conclusão é simples: a informação tem que circular para que todos possam ter acesso a ela. Os meios usados para fazê-lo não são importantes.

No entanto, a liberdade de circulação de informação levanta questões no âmbito dos direitos de autor. “É preciso preservar a informação e o seu valor”, afirmou o director do CEDEO.net. Para isso existem as patentes e o DRM (Digital Rights Management). Este, mais do que uma tecnologia, tem que ser uma commodity e um enabler. Mas, também aqui, ainda há um longo caminho a percorrer. Ou seja, e voltando ao princípio da sua apresentação, Leonardo Chiariglione conclui: “Não estou optimista quanto à resposta à pergunta inicial”.

Mais direccionada para os sistemas de difusão, a intervenção de Philip Laven procurou demonstrar que, no futuro, os detentores de conteúdos serão os responsáveis pela construção da Sociedade do Conhecimento. Segundo ele, a verdadeira convergência ocorrerá ao nível dos sistemas de difusão, que chegam a milhões de utilizadores. O desafio aqui estará em criar sistemas que integrem características de mobilidade ou de portabilidade, e em desenvolver mais ainda os serviços on-demand.
Contudo, apontou aquele especialista, para que tal aconteça ainda é necessário ultrapassar os problemas criados pelo “lado negro da Internet”. Aqui incluem-se factores como o acesso, a regulação, a privacidade, o spam e outros actos maliciosos, a facilidade de uso, entre outros.

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