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Vida

França Pereira – Administrador da LBC TanquiporA futura ETAR poderá causar efeitos no estuário do Tejo

“A nova Ponte para a travessia Chelas - Barreiro deveria ter uma altura superior a 60 metros, de forma a não impedir o acesso de navios ao terminal da LBC Tanquipor”, referiu França Pereira, em entrevista a “Rostos”.

8 min de leitura
França Pereira – Administrador da LBC Tanquipor A futura ETAR poderá causar efeitos no estuário do Tejo

Por Jornal Rostos

Numa breve conversa com França Pereira, Administrador da LBC Tanquipor, foi também referido que a construção da futura ETAR intermunicipal, que em pleno funcionamento poderá produzir um efluente líquido próximo dos 7.000 metros cúbicos/hora, deverá ter algum impacto local sobre o leito do rio Tejo.
Nesta mesma conversa França Pereira, referiu aspectos relacionados com a construção da nova Ponte Chelas - Barreiro que, na sua opinião, é ainda uma questão em aberto, dado que os navios que acedem ao Terminal poderão ter alturas entre 40 a 60 metros.

Como estão a decorrer as actividades da LBC Tanquipor?

“A LBC Tanquipor tem tido, nestes últimos anos, algum sucesso. Temos vindo a manter os nossos clientes tradicionais e, até, aumentámos mais alguns clientes.
Temos também contribuído para alguns projectos de sucesso dos nossos clientes. Por exemplo, neste momento acabamos de concluir uma unidade para aditivação em linha de gasolinas e gasóleos, em parceria com a TOTAL, para a formulação dos novos combustíveis “Excellium”.
No ano passado, embora não tivéssemos desenvolvido nenhum projecto de grandes dimensões, colaborámos com alguns dos nossos clientes em projectos de excelência, nomeadamente, no caso da TOTAL no projecto dos novos combustíveis “Excellium”, aliás, como já tínhamos colaborado com a BP, há cerca de dois anos, no lançamento dos combustíveis “Ultimate”.

Valorizar as competências dos trabalhadores

Que balanço faz do ano 2005?

“No que diz respeito à nossa actividade em 2005, tivemos resultados positivos, movimentámos cerca de 900 mil toneladas de produtos líquidos, entre químicos e combustíveis, e desenvolvemos diversos projectos de melhoria ambiental e de segurança, tendo ainda como preocupação a melhoria das condições de trabalho para os nossos colaboradores.
Estamos empenhados num Plano de Formação plurianual, no sentido de melhorar as competências dos colaboradores da empresa.
Temos também colaborado em alguns projectos locais de interesse social, com pequena dimensão, mas que, na verdade, são importantes para a comunidade local.”

Uma nova política de empresa e uma nova imagem

E em relação ao ano que agora começa, que perspectivas?

“As nossas expectativas para este ano continuam a ser optimistas, dada a forma pró activa como projectamos o desenvolvimento da nossa actividade.
Para 2006, vamos desenvolver uma nova política de empresa e projectar uma nova imagem corporativa.

A nova política da empresa baseia-se no facto da LBC Tanquipor se empenhar em ser um parceiro preferencial, seguro, fiável, eficiente, na movimentação e armazenagem de produtos líquidos a granel embalados. É também objectivo da LBC Tanquipor prestar assistência aos seus Clientes para que estes possam ter o maior sucesso nos seus negócios.”

Promover Políticas de Qualidade

França Pereira salientou que – “Definimos uma política de empresa pensada em várias vertentes, nomeadamente, demonstrar um empenhamento visível na implementação e adesão às regras e políticas de qualidade, ambiente, protecção, segurança e saúde da empresa.
Aderir estritamente às leis, regras, códigos e regulamentos, relativos à qualidade, ambiente, protecção, segurança e saúde aplicáveis na jurisdição onde operamos.
Promover um comportamento de avaliação, controlo e redução de riscos, relativamente à qualidade, ambiente, protecção, segurança e saúde.
Implementar programas de formação e de aperfeiçoamento de modo a assegurar a melhoria contínua do nosso desempenho.
Atingir o mais elevado nível de satisfação do cliente.
Implementar sistemas de informação e controlo para monitorizar os nossos progressos.”

Aplicar os conhecimentos de segurança

É no âmbito dessas políticas que se insere a realização recente de um simulacro na vossa empresa?

“O recente exercício de simulação do plano de emergência interno insere-se no Plano de Formação dos nossos colaboradores.
Chegámos á conclusão que, por muitos treinos que possamos facilitar noutros locais, no estrangeiro ou em Portugal, não há nada como treinar localmente os conhecimentos adquiridos.
Temos feito simulacros anuais e verificámos que a reacção é muito mais positiva e que há um franco progresso nas capacidades dos nossos colaboradores, para poderem resolver com sucesso situações de risco elevado, que todos nós procuramos evitar.”

Empresa é estratégica para o Porto de Lisboa

A LBC Tanquipor sente algum incómodo com os projectos relativos, que podem influenciar a plataforma industrial do Barreiro, nomeadamente o desenvolvimento do Masterplan?

“Em relação ao Masterplan não temos informações detalhadas sobre esse projecto mas, tanto quanto julgo saber, insere-se no âmbito da Quimiparque.
Em termos de grandes projectos, há dois projectos que, por ventura, poderão ter algum impacto significativo na nossa actividade, embora já nos tivesse sido assegurado pelas entidades oficiais, que a nossa empresa é estratégica para o Porto de Lisboa e que está assegurada a sua viabilidade futura.
Os dois grandes projectos anunciados para a zona, e que estamos a acompanhar com algum interesse, é o da construção da nova Ponte sobre o Tejo (Chelas – Barreiro) e a nova ETAR intermunicipal, que irá ser instalada no Lavradio, cujas águas residuais irão, provavelmente, desaguar a montante do nosso Terminal.
Penso, no entanto, que ainda é um pouco cedo para nos podermos pronunciar concretamente sobre esses projectos, dado que ainda estão em fase de estudos.”

Caudal da ETAR terá efeito no estuário do Tejo

Em que medida é que a ETAR poderá afectar a vossa actividade?

“A ETAR terá, previsivelmente, um esgoto com caudal significativo, dada a área populacional que abrange. Segundo tivemos conhecimento, terá um caudal próximo dos dois metros cúbicos por segundo, ou seja, cerca de 7.000 metros cúbicos por hora. Esse caudal terá uma velocidade de escoamento na ordem dos 4 metros por segundo, e, naturalmente, terá algum efeito local ao nível do estuário do Tejo.
Penso, que deverá haver algum cuidado para se evitar, tanto quanto possível, o levantamento de sedimentos acumulados, ao longo dos anos, no leito do rio e, eventualmente, a deposição de tais sedimentos no canal de acesso e bacia de manobras da LBC Tanquipor.
A LBC Tanquipor está obrigada, por concessão, a fazer a manutenção do referido canal de navegação, o que tem custos elevados e, digamos, que esse projecto poderá ter alguns impactos na nossa actividade.
Neste momento o nosso conhecimento é ainda superficial, temos tido algumas conversações com a SIMARSUL e vamos acompanhar, com natural interesse, o desenvolvimento desse projecto, que consideramos de grande interesse e que vai contribuir de forma significativa para a melhoria da qualidade do estuário nos Concelhos da Moita e do Barreiro.”

Mas não serão efectuados estudos de impacto ambiental sobre os reflexos da actividade da ETAR no rio Tejo?

“Isso terá que perguntar à SIMARSUL, mas julgo que sim, que serão feitos esses estudos, mas as entidades que estão a dirigir esse projecto estão em melhores condições do que eu para responder a essa questão”

Ponte afecta se altura for inferior à altura dos navios

Referiu que a nova Ponte poderá ter impactos significativos sobre a LBC Tanquipor, porquê?

“A nova ponte Chelas – Barreiro, tendo já sido anunciada a decisão da sua construção, na altura dos estudos preparatórios as entidades projectistas visitaram-nos, recolheram as nossas opiniões e sugestões, agora estamos a aguardar os resultados, mas não sabemos quais as soluções que irão ser adoptadas.
Naturalmente, a LBC Tanquipor espera ser contactada quando esses projectos forem desenvolvidos.

Mas a Ponte fica distante da Tanquipor, como é que vai afectar a vossa actividade?

“Neste momento não sabemos como a nova Ponte vai ser projectada e onde irá passar. Há várias alternativas em consideração, mas sabemos que numa das alternativas a Ponte passa a cerca de meio quilómetro a jusante do terminal.
Se o tabuleiro da nova Ponte passar a uma altura que seja inferior à altura dos navios que acedem ao nosso cais, terá provavelmente que ser construído um novo cais, a jusante da Ponte, a fim de se poder manter a actividade da empresa.”

Mas é mais caro subir a ponte ou mudar o Terminal?

“É um problema complexo. Fala-se do TGV, um transporte que impõe algumas condicionantes ao projecto da Ponte. Julgo que, assim, a Ponte deverá passar a uma altura de 20 metros na zona do canal de acesso ao terminal, mas os nossos navios têm entre 40 a 60 metros de altura... portanto, no futuro, poucos navios poderão continuar a passar por baixo da Ponte para chegar ao Terminal, pelo menos se esta for construída com a altura de 20 metros.
No entanto, não sei se é essa a altura definitiva, só os estudos de pormenor o poderão dizer, mas, como nos foi dito pelas entidades oficiais que o nosso Terminal é estratégico para o Porto de Lisboa, cremos que tudo irá ser feito para não prejudicar a nossa actividade.”

Tudo isto causa-lhe algumas inquietações sobre o futuro da LBC Tanquipor?

“Não, não me causa inquietações, antes pelo contrário, provoca-me o maior interesse, dado o impacto fortemente positivo que, julgo, estes projectos irão ter sobre o Concelho do Barreiro, onde está sedeada a nossa empresa.”

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