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Vida

50 anos ao serviço do BarreiroPapelaria Universal aposta na modernização e na diversidade

Um negócio com mais de cinquenta anos de existência é uma situação cada vez mais rara nos dias de hoje. Mas ainda acontece, e é disso um exemplo a Papelaria Universal, que começou o seu percurso numa pequena loja no centro do Barreiro e hoje já oferece vendas através da Internet, além de um amplo espaço no Parque Empresarial da Quimiparque.

6 min de leitura
50 anos ao serviço do Barreiro Papelaria Universal aposta na modernização e na diversidade

Por Jornal Rostos

O jornal Rostos quis conhecer melhor o segredo deste sucesso que ultrapassa as cinco décadas e foi conversar um pouco com Alberto Covas, nas mãos de quem está actualmente a Papelaria Universal, num percurso construído por várias gerações da mesma família.

Como é que se iniciou este percurso da Papelaria Universal?
“A Papelaria Universal foi fundada em 1952, pelos meus tios e a pequena loja no centro do Barreiro, onde hoje fica a Papelaria Central, e cresceu para a superfície de papelarias que hoje é, e que se encontra aqui desde 1993.
Eu estou à frente da empresa desde 1991 e posso dizer que no Barreiro somos a maior superfície de papelarias e uma das maiores a nível nacional e comercializamos cerca de 15.000 artigos de papelaria, belas artes, material de escritório, pintura e consumíveis de informática. Neste momento temos 17 empregados, mas já fomos muito mais, em especial durante o período em que tudo parecia fácil, no final da década de noventa.
A nossa aposta vai para a oferta de produtos diferentes, essencialmente na parte de papéis, e tentamos sempre oferecer a maior diversidade, e por isso também apostámos nos consumíveis de informática.
Por outro lado, para obtermos sucesso, é também necessário jogar muito com a questão dos preços. Hoje em dia, as empresas cada vez mais compram tendo em conta a questão do preço, porque ao nível do economato estão a apostar mais na redução dos custos.”
A procura dos produtos recai sobre a qualidade ou sobre o preço?
“Temos os dois casos. Ao nível das empresas, estas procuram cada vez mais no preço, porque o economato é um dos custos que é sempre reduzido em alturas mais complicadas.
Em relação ao público, ainda há muita procura ao nível das marcas, há pessoas que apenas compram as marcas que consideram de referência, e muitas das vezes são fiéis a marcas que apenas são conhecidas aqui em Portugal, e que não têm tanta relevância aqui mesmo ao lado, em Espanha, como é o caso da marca UHU.”

A concorrência é salutar para todos

Como é que encara o surgimento das grandes superfícies neste tipo de sector?
“Faz parte do negócio em si, o aparecimento dessas superfícies. Todos temos receio uns dos outros, mas do meu ponto de vista acho que a concorrência é salutar para todos, mais não seja para nos levar a aperfeiçoar e melhorar a nossa oferta e os nossos serviços.”
E que estratégias têm implementado para chamar a atenção dos clientes para a empresa?
“As estratégias têm um pouco a ver com a forma como está o país. A situação não é muito diferente na maioria dos casos. Há estratégias pensadas mas neste momento não se está a aplicá-las.”

Por falta de apoio do Estado?
“Não sou muito apologista do apoio do Estado às empresas, porque as coisas têm de sobreviver por elas próprias. E isso também leva a que ocorra uma selecção das mais fortes, levando outras a caírem ou a sobreviver com muita dificuldade.
Mas sei que a minha empresa é um pouco o espelho da maioria as empresas no país. E se estamos há cinco anos numa crise, por algum motivo é, e não tem a ver apenas com o deficit do Estado.
Sentimos uma descida nas vendas e isto porque o mercado se está a adaptar às circunstancias do dia-a-dia. No entanto, também acho que é possível fazer mais coisas”

Há alguma quebra de vendas porque há alguma deflação

A entrada de produtos de outros países com preços mais baratos, tem levado a alguma quebra de vendas?
“Sim, neste momento há alguma quebra de vendas porque há alguma deflação nos preços. Alguns anos atrás, as pessoas gastavam cerca de um euro para escrever, na compra de uma esferográfica, agora gastam quinze ou vinte cêntimos.
Isto tem a ver com a política de redução dos custos das empresas e das pessoas, que compram um produto mais barato, mas mais fraco, e deixam de comprar o mais caro, mas que lhes traria na certa mais-valias, porque é preciso poupar. E esta é uma noção que está muito vincada, tanto ao nível das empresas, como até do Estado.”
E como encara o futuro do sector da papelaria?
“Neste momento não é um futuro muito risonho. Há que alterar muitas coisas, investir em muitas coisas, mas tudo está dependente dos meios financeiros.
Mas é possível melhorar bastante, em especial nas novas tecnologias.”
Se pudesse investir em algo, neste momento, o que seria?
“Em marketing, essencialmente. Apesar de termos o site, que nos tem ajudado bastante, não considero que seja suficiente.”

Viver sem um site é estar às escuras

A criação do site também foi uma adaptação aos novos tempos?
“O site neste momento é praticamente uma obrigação. Do meu ponto de vista é essencial, porque viver sem um site é estar às escuras e nós começamos a funcionar com o nosso em Dezembro de 2005.
Hoje já não se procura nas Páginas Amarelas, e eu já nem estou lá com a empresa e possivelmente no próximo ano vou deixar também de estar nas páginas brancas, porque não é um investimento, é antes uma despesa. Ao passo que na Internet, quem pesquisa vai sempre dar lá
Também já temos algumas vendas online, ainda um pouco timidamente, mas já apostamos nessa forma de negócio. Este vai ser uma forma de comprar no futuro, é só uma questão de as pessoas se habituarem a ele.
Já temos clientes com alguma regularidade, e embora não haja muitas encomendas nestes quatro meses já tivemos cerca de trezentas encomendas pelo site, essencialmente de empresas e de particulares temos é mais registos, de todo o país e muitos dos Açores.”

As pequenas e médias empresas não têm a vida fácil

Que tipo de produtos são mais procurados online?
“A ideia que tenho é que, ao nível particular procuram produtos técnicos, artigos mais ligados à pintura e às artes. E depois procuram informação sobre o mais diversificado tipo de produtos.
Tem esperança de que o mercado volte a recuperar?
“Acho que sim. Mas vai levar algum tempo, porque o país está a ficar muito deprimido e não vai ser fácil sair desta situação.
As empresas também não podem fazer muito, uma vez que a maioria está muito dependente do sector financeiro, porque quem tem as coisas na mão são os bancos e é deles que depende muita coisa. As pequenas e médias empresas não têm a vida fácil neste momento. Temos uma carga fiscal muito grande e isso não facilita.”

Maria do Carmo Torres

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