Paulo Bastos – Gerente da AmbimedContribuímos para que os Hospitais adquiram certificação de Qualidade e Ambiental

Por Jornal Rostos
A AMBIMED comemorou o seu 10ºaniversário, para nos fazer um balanço de dez anos de vida e comentar a realidade actual do Grupo AMBIMED, dialogámos com Paulo Bastos, Gerente desta empresa que mantém em funcionamento uma unidade no Parque Empresarial Quimiparque.
Decidimos estudar os resíduos hospitalares
“Os dez anos da AMBIMED significam, de certa maneira, o sucesso de um projecto que começámos em 1996.
Foi, um projecto desenvolvido, na altura, por três pessoas, que pretendiam fazer algo inovador, tinham necessidade de fazer algo inovador, e, nesse sentido, elegemos a área ambiental para trabalharmos, e, dentro da área ambiental, fomos à procura de um nicho de mercado, onde fosse viável desenvolver o nosso projecto.
Estudámos vários. Tivemos um primeiro insucesso, porque nos posicionamos mal, era um projecto de reciclagem de pneus usados.
Este projecto foi uma génese empresarial da AMBIMED” – começou por salientar Paulo Bastos, Gerente da Ambimed.
“Na altura, decidimos estudar os resíduos hospitalares, analisando o que se fazia em Portugal, comparando com o que se fazia no estrangeiro.
Em Portugal existia uma legislação de 1990, que dizia resíduos hospitalares perigosos, são todos aqueles com determinadas características, que são produzidos em Hospitais Públicos.
Por isso, todo o tipo de resíduo semelhante equivalente que era produzido em unidades de saúde privada, ou sem serem hospitais, não eram considerados perigosos, indo para os aterros ou lixeiras.
Havia um projecto, para duas grandes incineradoras para resíduos hospitalares, uma para Lisboa, outra no Porto, mas, estes projectos não avançaram” – recordou o Gerente da AMBIMED.
Mais barato e com grau de eficácia positivo
Paulo Bastos sublinhou que nos estudos que foram elaborados “vimos as alternativas que existiam no estrangeiro” e concluíram que “na maior parte dos países, já existia uma divisão de resíduos, uma triagem, de acordo com a sua perigosidade biológica”.
Verficaram, igualmente que nas “alternativas de tratamento, existiam vários tipos de tratamento, entre os quais o autoclave” aquele que, “nos oferecia, uma relação benefício-custo bastante elevada. Era mais barato e com um grau de eficácia positivo.”
Primeira batalha reconhecer a autoclavagem
“A nossa primeira batalha, de pré existência da AMBIMED foi que as autoridades, em Portugal, começassem a reconhecer a autoclavagem, como um sistema alternativo ao tratamento de parte dos resíduos hospitalares.
Na altura não tínhamos a mínima noção qual a percentagem poderia ser tratada por autoclave e os obrigatoriamente incinerados. Esta foi a primeira batalha” - recordou.
O licenciamento não tinha uma base legal
“A segunda batalha, foi criar espaço para uma empresa privada poder operar.
Começámos, no Barreiro, no Quimiparque a construir a unidade pedindo o licenciamento, mas, o licenciamento não tinha uma base legal.
No entanto, a evolução que houve nos outros países, sendo nós um país da União Europeia, teríamos de evoluir também nesse sentido, portanto, nós, fizemos uma aposta por antecipação.” – sublinhou Paulo Bastos, sublinhando que “na altura o Parque de Incineradoras em Portugal estava muito velho, eram incineradoras que, em média, tinham entre 20 e 30 anos, estavam a chegar ao final da sua vida útil.”
Uma licença provisória para operarmos
Paulo Bastos que “pela ordem lógica da evolução da legislação”, e, estando “um Parque de Incineradoras a chegar ao fim”, para além da comunicação social, na época, denunciar “várias situações de colocação de resíduos perigosos de Hospitais Privados e das Clínicas Privadas que estavam a ir para as lixeiras”, estavam criadas condições para fazer a aposta na AMBIMED.
“Quando a unidade ficou pronta a autoridade competente, a Direcção Geral de Saúde, emitiu uma licença experimental, era uma licença provisória para operarmos” – salientou.
Tal aconteceu no dia 7 de Julho de 1996, quando nós começámos com os primeiros clientes – três clientes precisamente, com cerca de 40 contentores.
Uma estratégia de desenvolvimento
“Havendo uma solução alternativa no mercado começámos a ter solicitações. Realizaram-se concurso públicos, fomos os únicos concorrentes, no caso dos Hospitais do IPO de Lisboa, caso do Hospital de Évora, que foi o nosso primeiro cliente público” – recorda.
Paulo Bastos refere que foi desenvolvido um serviço baseado em três vectores principais : a contentorização, a triagem de resíduos e a recolha de resíduos.
“Introduzimos o conceito do contentor reutilizável, que foi uma vantagem que permitiu baixar os custos de serviço e foi uma aposta ambiental.
Este contentor estava de acordo com a normativa europeia para transportes de resíduos e mercadorias perigosas por estrada” - salienta.
“A triagem dos resíduos consoante o seu tratamento final – grupo 3 : para ser autoclavado; grupo 4 : para ser incinerado” recorda, foi importante “ de forma a ser feito o encaminhamento para o tratamento, custo-benefício, mais adequado”.
Por fim, refere que a recolha de resíduos era feita “de forma adequada, com uma periodicidade adequada, tendo em vista a recolha do resíduo, o mais rápido possível, de acordo com a sua produção.
Nos Hospitais diariamente, em alguns casos, duas ou três vezes por dia, nos clientes mais pequenos, com uma contentorização adequada, garantir uma periodicidade de recolha, no máximo mensal.”
Preferimos um parceiro a um concorrente espanhol
“Começámos a ter muitas solicitações. Obtivemos um parceiro espanhol, que se tornou nosso sócio.
Tivemos sempre uma política, preferimos ter um parceiro espanhol a termos um concorrente espanhol.
Nós não tínhamos um suporte financeiro próprio, começámos a partir do zero, por isso, tivemos que ter muito cuidado nos passos que fomos dando.
O nosso serviço foi evoluindo, sempre num troca tecnológica com Espanha.
Embora, devemos referir que somos uma empresa 100% portuguesa, temos uma participação espanhola” – sublinha Paulo Bastos.
Gestão integrada de resíduos hospitalares
“O nosso serviço evolui para um conceito que nós denominamos – “gestão integrada de resíduos hospitalares”.
Porque, nós não vamos só tratar os resíduos perigosos do Hospital, vamos ajudar o Hospital, ou o nosso cliente, a gestionar da melhor forma os resíduos” – salientou, o Gerente da AMBIMED, acrescentando – “A base dos nossos clientes alargou-se a Hospitais, Centros de Saúde, Clínicas, Hemodiálise, Dentistas, Laboratórios, Lares da 3ª Idade, Veterinários, hoje em dia, já as próprias pecuárias são nosso clientes.”
Sublinha que no conceito de “gestão integral” “começámos a fornecer outro tipo de serviços” e a tratar outro tipo de resíduos, nomeadamente – “os resíduos líquidos perigosos.”
Certificação de Qualidade e Ambiental
“Tentámos que os Hospitais começassem a reciclar o mais possível, isto, sem o apoio de quem de direito.
Conseguimos que os Hospitais aderissem a uma maior triagem, devido, não terem que pagar a ida dos resíduos para aterro.
Hoje, muitos Hospitais, já cumprem as metas de reciclagem de resíduos.
Mantivemos sempre uma acção de formação, e apoio técnico, de forma contínua nos Hospitais.
A formação foi sempre uma vertente da nossa acção, quer das pessoas que trabalham na AMBIMED, quer das pessoas que trabalham nos nossos clientes, que no dia a dia, produzem resíduos.
Esta é para nós a base da gestão integrada dos resíduos hospitalares.
Este é um contributo para que os Hospitais adquiram a certificação de Qualidade e uma certificação ambiental.” – salienta Paulo Bastos.
Funcionar com uma transparência total
“A Comissão de Acompanhamento não tendo sido formada, logo no inicio, esteve sempre presente, mesmo antes da formação da AMBIMED.
O primeiro foi, ainda a AMBIMED era um projecto e nós contactámos a QUERCUS, a pedir-lhes opinião, como movimento ambientalista de âmbito nacional, conhecido internacionalmente e com uma actuação muito dinâmica, sobre o que achavam do nosso projecto.
Esta nossa postura veio a dar origem `à criação da Comissão de Acompanhamento.
Posteriormente, o José Manuel Palma, quando deixou de ser Presidente da QUERCUS, nós convidámo-lo para colaborar connosco e formar a Comissão de Acompanhamento, uma ideia que ele tinha, e que seria pioneira em Portugal. Abraçámos a ideia sem qualquer reserva.
Uma unidade desta natureza tem que funcionar com uma transparência total, com um correcto acompanhamento por parte das forças vivas da região.
Nesta Comissão participa o município, as Juntas de Freguesia, das autoridades de Saúde, os movimentos ambientalistas e movimentos cívicos locais.
Houve receio inicial. Fomos dialogando e muitas evoluções que a Unidade do Barreiro tem foram contributos da Comissão de Acompanhamento.
Consideramos que conseguimos implementar esta Comissão com lisura e com algum reconhecimento.
As relações de amizade que, hoje, existem entre o grupo Ambimed e a Comissão de Acompanhamento, não impedem a sua actuação e intervenção activa.” – sublinha o Gerente da AMBIMED.
Sentimos que nos deveríamos internacionalizar
“Nós temos como empresa necessidade de estar em contínuo movimento, o que significa criar condições, para que a empresa nunca adormeça à sombra de hipotéticos valores conquistados.
Temos que ter sempre uma posição de humildade e de desenvolvimento, porque em tudo há um ciclo de vida, de crescimento, de desenvolvimento, de estabilidade que, caso não seja feito nada, transforma-se em estagnação, que pode conduzir ao declínio.
Como empresa, temos a necessidade de estar em constante desenvolvimento e em constante busca, e, no Grupo Ambimed esta acção teve duas vertentes : primeiro melhorar o serviço, alargar o leque de ofertas aos nossos actuais clientes, para que o serviço vá sempre evoluindo.
Por outro lado, sentimos que nos deveríamos internacionalizar, aproveitando a belíssima parceria que tivemos com os espanhóis ao longo destes dez anos, neste momento estamos a lançar as bases para começar a operar em Espanha, já temos a primeira licença, para uma unidade em Sevilha. Estamos a fazer uma parceria para Valença.
Vamos intervir nos países do arco mediterrânico, que querem começar a tratar os resíduos perigosos.
Já inaugurámos a Unidade de Marrocos, onde estamos a operar. Estamos, ainda, em conversações com a Turquia” – salientou.
A finalizar referiu Paulo Bastos - “Nós, o Grupo Ambimed, somos um exemplo de que não são necessário subsídios para que um empreendimento vá para a frente”.














