No Barreiro – “O Baitolas nasceu de um sonho”Apostar qualidade do nosso serviço e no bem-estar das crianças
Acreditando acima de tudo, em oferecer qualidade, Vítor e Maria de Fátima Raposo concretizaram um sonho, criando um Jardim-de-Infância diferente, e que assenta no maior envolvimento entre pais e crianças.
“Vamos apostar muito na qualidade do nosso serviço, no bem-estar das crianças e nos espaços exteriores, aproveitando o nosso clima espectacular.” – salientam em entrevista ao “Rostos”.

Por Jornal Rostos
Em entrevista ao “Rostos” Vítor Raposo fala-nos de forma apaixonada das novas imnstalações do Baitolas, onde vai nascer um novo projecto de Jardim de Infância, que vai arrancar, em Santo António da Charneca, no Concelho do Barreiro, no dia 4 de Setembro.
As novas instalações partiram de um sonho
É praticamente incontornável a pergunta de como nasceu este projecto?
“Acima de tudo, o novo Baitolas é uma ideia que nasceu há cerca de cinco, seis anos, mas é sobretudo um sonho da Maria de Fátima Raposo, que começou a trabalhar nesta área com cerca de 17 anos. E como era uma área que gostávamos, começámos a tratar com crianças já lá vão mais de vinte anos.
As novas instalações partiram de um sonho que foi estudado durante muitos anos, que apresentámos ao arquitecto Vítor Durão, e o projecto foi sendo criado segundo a percepção do que queríamos fazer, sendo feitas de raiz.”
Vamos ter cerca de 1500 metros de jardins
E o que é que os pais podem esperar de novo neste espaço?
“A nossa ideia era a construção de um jardim-infantil diferente dos outros.
A nossa primeira preocupação foi encontrar um terreno grande, porque embora já existam equipamentos com muita qualidade no Barreiro, continua a não haver muito espaço exterior.
Esta será uma mais-valia, porque vamos ter cerca de 1500 metros de jardins, uma horta pedagógica com 250 metros quadrados, onde as crianças vão ter a oportunidade de cultivar os alimentos, ver o seu crescimento e apanhá-los juntamente com os pais, levando depois para casa o legume que ajudou a crescer, além de um pomar para que as crianças se apercebam da forma como crescem os frutos.
Teremos também um viveiro de animais, à semelhança de uma quinta pedagógica, em que as crianças irão tratar dos animais e, com a autorização dos pais, levaram mesmo um deles para casa durante os fins-de-semana, e os pais acham isso óptimo.
Esta é outra das vertentes em que apostamos muito, os pais irem à escola e participarem connosco na evolução dos filhos.
O espaço poderá ainda ser alugado pelos pais para festas de aniversário, porque irá também contar com uma sala de cinema para projectar filmes.
Todo o espaço estará também informatizado, com as salas ligadas em rede e em cada computador poderá ser consultado o processo de cada criança, e além disso, pela Internet será possível a um pai que esteja a trabalhar no estrangeiro, por exemplo, que possa contactar com o filho, marcando para isso uma determinada hora.
As refeições serão confeccionadas por nós, optando sempre por uma alimentação à base dos grelhados e saladas, dentro do possível.
Além disso, também a farda é desenhada por nós, assim como as mochilas para as saídas, e também vão ter uns sapatos especiais para estarem nas salas, evitando assim que se sujem e colocando as crianças mais confortáveis.
Pensamos que assim facilitamos a vida aos pais, e por isso incluímos na mensalidade este tipo de serviços, assim como a lavagem da roupa, que será feita na nossa lavandaria.
Na mensalidade estarão ainda incluídas disciplinas como a música e a dança. E claro, teremos outras opcionais como o inglês e a informática.
Teremos um espaço para os pais que também desejem ali tomar o pequeno-almoço, ou um café e no refeitório está um aquário com peixes, que serão ofertados às crianças, consoante o seu desempenho, se os pais concordarem, e isso poderá ainda ser estendido ao pai/mãe do mês.
Temos ainda uma sala de reuniões, onde iremos levar a cabo acções de formação ou estágios em vários campos, e estamos mesmo abertos a outras instituições, porque até já trabalhamos com a RUMO, recebendo aqui pessoal de lá, e algumas até estão efectivas, e estamos dispostos a dar essa formação sem ser com carácter monetário, e temos pessoal competente para tal”.
Empenhámos a nossa vida neste projecto.
Um projecto destes, contou com alguns apoios?
“Não. Recorremos ao empréstimo bancário, e posso dizer que empenhámos a nossa vida neste projecto.
Aos nossos pedidos, foi-nos respondido que não há apoios para este tipo de situações.
Até nem digo que o Estado português não faça um esforço no sentido de melhorar o ensino pré-escolar, mas isso não resolve o problema, porque estas funcionam, e nem digo que seja mau o que oferecem, mas esquecem-se que nem sempre são adequadas à vida das pessoas, devido aos horários, apesar destes terem sido alargados”.
O nosso estabelecimento está aberto o ano todo
Quais as principais diferenças entre os privados e os estatais?
“O ensino privado tem de existir sempre, porque as escolas estatais não têm resposta para toda a gente e não têm a qualidade que alguns particulares oferecem, além de não se compatibilizarem com os horários dos pais. Temos aqui crianças que entram às 7 da manhã e saem às 19h30 e ainda há pais que nos telefonam a pedir para ficarmos mais um pouco.
Os estatais têm as férias escolares, e sabemos que muitos não têm familiares para poderem tratar das crianças durante esses períodos.
O nosso estabelecimento está aberto o ano todo, mas eu sou contra isso, porque considero que deveria existir uma lei que obriga-se também os particulares a fechar em determinada altura, porque há uma minoria de pais que não dão férias às crianças. Isto é, eles entram de férias, mas continuam a deixar as crianças nos estabelecimentos e eu não concordo com isso. Todas as crianças deveriam ter também férias do local onde passam os seus dias.
Por outro lado, a solução que encontro para as pré-escolas estatais era que estas fossem geridas por privados, porque assim poderíamos dar as condições para os pais terem ali as crianças o ano inteiro ou fora de horas e, acima de tudo, iríamos oferecer mais qualidade, sendo sempre fiscalizados pelo Estado.
Creio que esta seria a solução para oferecer um ensino de elevada qualidade em Portugal.”
A burocracia neste país é muita e dificulta a vida
E ao nível da legislação, considera que há falhas neste campo?
“Não. Houve muitos avanços e posso dizer que a legislação é muito clara e está correcta, e as pessoas só têm é de se limitar a cumpri-la.
Neste campo temos de dar o braço a torcer, porque a legislação está correcta. E dou um exemplo: uma sala tem de ter um ponto de água para os esgotos. Antigamente considerávamos este requisito absurdo, mas quando somos obrigados a cumprir a lei, vemos que este ponto faz mesmo muita falta.
Outro ponto tem a ver com a obrigatoriedade de um refeitório. Antigamente as crianças comiam na sala onde estavam, o que obrigava a que depois esta tivesse de ser limpa. Agora, para além de saírem do espaço onde passam todo o dia, levando a uma quebra da rotina, têm também a sua sala sempre limpa.
E a lei até dizia isso, mas não se fazia. Agora como é mais específica e há maior fiscalização, as coisas têm de ser feitas.
Se toda a gente cumprisse a lei, o ensino em Portugal era espectacular. E isso leva também a que cada vez mais os ilegais desapareçam neste país, e acho muito bem, porque se ganhamos dinheiro com a educação, temos de oferecer o melhor.
O problema que se põe é quando entram outras instituições «ao barulho», como é o caso da DREL, da Segurança Social ou as Câmaras Municipais, que entre si entram em contradições.
E nós sentimos muito isso, ao construirmos este projecto de raiz. A burocracia neste país é muita e dificulta a vida de quem quer fazer as coisas, além dos tempos infinitos para serem realizadas as fiscalizações.”
Preocupámo-nos em ter pessoal qualificado
Nesse caso, como considera que ocorreu a evolução neste sector?
“A educação mudou muito, e para melhor, o que nos leva a mais trabalhar cada vez melhor com as crianças. Temos muito mais respeito e conseguimos ultrapassar obstáculos que antigamente não eram considerados, como por exemplo as crianças com dificuldades de aprendizagem. Estas normalmente eram deixadas «para trás» e depois chegavam à escola com problemas e não passavam daí.
Hoje em dia a realidade é muito diferente e mesmo os estabelecimentos privados têm mais apoio. Contamos com educadoras da DREL que nos dão apoio, porque no Baitolas preocupámo-nos em ter pessoal qualificado que nos dá todo o apoio.
Há quinze anos atrás era impensável ter uma educadora por cada sala, hoje é algo imprescindível. Era impensável ter uma auxiliar em cada sala, hoje é imprescindível.
Mesmo nós como gerentes, sentimos necessidade de nos apoiar em pessoas para nos ajudarem no dia-a-dia da instituição.
No caso do Baitolas, vamos contar com uma professora de ginástica, que será também a coordenadora para as actividades externas no infantário, como as visitas, as aulas exteriores, etc., algo que não se fazia há quinze anos atrás, porque éramos nós quem fazia esse trabalho.
No site, os pais vão poder colocar as fotos das suas crianças, sempre com códigos de acesso para que apenas as pessoas que eles queiram tenham acesso a estas.”
Iremos praticar preços bastante acessíveis
Do seu ponto de vista, o que leva os pais a optarem pelo ensino privado?
“A qualidade. E neste novo infantário esta foi a nossa opção. Apostámos no espaço exterior, nas salas com muita luz natural, as salas com 62 m2, quando a lei obriga a que cada sala tenha 40m2, e isso embora tenha agora custos para nós, é bom porque nos vai colocar um degrau acima de algumas instituições que já existem.
E a qualidade paga-se, mas os pais não se importam de pagar, embora alguns não o possam fazer. Mas também lhe posso dizer que iremos praticar preços bastante acessíveis, depois de termos feito um estudo sobre os preços do mercado do Barreiro.
Em resumo, as instalações foram feitas de propósito para estas funções, vamos contar com pessoal docente com muita formação e especializado.
E sabemos que os pais fazem, muitas vezes, um esforço para dar aos filhos o melhor. Mas isso também passa por nós, empresários, que temos de mostrar aos pais que compensa fazer esse esforço a bem dos filhos, como apostar numa disciplina como a música.”
Participação dos pais na escola
Mas isso nem sempre é fácil.
“Os pais em Portugal ainda não têm a total percepção do que é que é importante para os filhos, acham que basta eles estarem bem entregues e em segurança. Mas não é bem assim, porque é aqui que eles recebem os conhecimentos que no futuro lhes vão ser muito úteis.
E a outra nossa grande aposta é na participação dos pais na escola, algo que falha um pouco devido ao tipo de vida que levamos, e eu sei, porque sou pai de 3 filhas.
Todos temos uma vida muito ocupada e tendemos a desleixar um pouco a vida dos nossos filhos. Aqui temos transporte e eu sou o primeiro a recomendar aos pais que não utilizem esta opção, mas que venham eles buscar os filhos, dando-lhes assim um maior apoio. E isso leva também os pais a entrarem, a ver o que a criança fez durante o dia, poderá depois ir brincar um pouco para o parque infantil.
Vamos ter outra actividade que será permitir ao pai ou mãe que no seu dia de folga, inscrevendo-se num mapa, vá passar esse dia como uma criança na sala do seu filho. Vai ter oportunidade de brincar, falar com a educadora e ver o dia-a-dia e até aperceber-se se algo não estiver correcto, dando-nos a sua opinião.”
Maria do Carmo Torres














