Nacional Car encerra actividade no Barreiro“A nossa intenção seria manter o concessionário do Barreiro e mais um outro nas imediações”
. “Neste momento estamos à procura e estamos abertos até a possíveis espaços que possam existir, temos todo o interesse em mantermo-nos no Barreiro”
Depois de a 27 de Fevereiro deste ano a Nacional Car encerrar as suas actividades no Barreiro, a empresa tem procurado terreno para manter o seu negócio no concelho.
“Acreditamos até que sejamos líderes no concelho do Barreiro, no segmento de automóvel usado, e não queríamos, de forma alguma, sair daqui”, refere Hugo Nogueira, responsável pelos Car Centers da margem sul da Nacional Car e, por isso, insiste que esta se trata de uma situação temporária para a qual procuram soluções.

Por Jornal Rostos
Na próxima segunda-feira diz ter quatro zonas para visitar com a possibilidade de concretização de contratos. Zonas nos arredores do Barreiro, porque a ideia da empresa também passa por “expandir um bocadinho” a actividade dentro da margem sul. Dispondo actualmente de serviços em Corroios e no Porto Alto, pretendem “manter o concessionário do Barreiro e mais um outro nas imediações”.
Motivado pelo traçado da 3ª Travessia do Tejo, o Feira Nova rescindiu contrato com a Nacional Car
Como conta Hugo Nogueira o encerramento das instalações da Nacional Car, localizada na Quimiparque, resultou de uma rescisão “amigável”, faz questão em sublinhar, de contrato pelo Feira Nova, o que está relacionado, segundo o que lhes foi comunicado pelo hipermercado do Grupo Jerónimo Martins, com o traçado da ponte Barreiro-Chelas. Existindo um projecto, no qual um dos pilares da ponte iria passar no terreno onde estava localizada a empresa. E tendo o conhecimento de que o espaço poderia vir a ser ocupado pelo Estado, o Feira Nova não podia renovar o contrato com a Nacional Car.
Rescisão amigável – “Seria de todo o interesse da parte deles continuarem essa sinergia”
Hugo Nogueira fala de uma rescisão amigável e diz que as relações entre as empresas não mudaram. Diz compreender a situação, até porque considera que se tratou de uma situação que o Feira Nova não poderia contornar, e também porque entende que seria vantajoso para a empresa que o espaço, que está agora vazio, estivesse ocupado: “Seria de todo o interesse da parte deles continuarem essa sinergia”. Fala ainda no facto de em 2005, altura em que renovaram contrato com o Feira Nova, lhes ter sido oferecida a hipótese de fazerem outros contratos com outros Feira Nova ou Pingo Doce, que houvesse nos arredores e sobre isso diz: “ainda continua de pé essa possibilidade”.
Primeira solução – terrenos apenas cedidos para eventos desportivos
Porque a grande prioridade será manter o negócio no Barreiro, local onde estão implementados desde 1999, a Nacional Car procurou um terreno para se manterem no concelho, logo que tiveram conhecimento da eventual rescisão com o Feira Nova. Na demanda por alternativas, Hugo Nogueira fala de uma solução que parecia vir resolver a situação e que chegou a ser um contrato verbal, o que passaria pela ocupação de um espaço nos terrenos de um clube de futebol do concelho. Sem querer adiantar nomes, até porque o aluguer não foi permitido, conta que da parte do clube houve toda a disponibilidade e interesse para que o projecto se realizasse mas como os terrenos eram da propriedade do Grupo Mello, foi-lhes informado de que o local seria cedido apenas para eventos desportivos. “Não foi por enquanto ainda autorizado o aluguer desse espaço para a Nacional Car”, refere, mas sobre isto acrescenta não saber se se trata de uma situação definitiva. Da sua parte, manifesta todo o interesse na sua concretização, pois nesse caso diz: “Estávamos a contribuir para um clube que forma crianças”, uma situação que era do seu agrado.
O projecto acabou por não avançar, mas Hugo Nogueira adianta que já estavam preparados três outdoors publicitários para anunciar a saída com a respectiva mudança de instalação, para além de um mailing para enviar aos clientes a anunciar o novo local.
“Um local com boa exposição e que os clientes possam visitar com facilidade”
Depois de a primeira solução não ter sido possível, diz que a empresa continua a procurar alternativas, mas também sublinha que estão a tentar encontrar um terreno e uma localização “que os clientes mereçam”, o que é, no seu entender, “um local com boa exposição e que os clientes possam visitar com facilidade”. Uma procura que diz não ser fácil, tendo chegando a encontrar terrenos que depois não conseguiu descortinar quem seriam os proprietários, mesmo depois de contactar a Câmara Municipal do Barreiro. Também foram feitos contactos com uma outra superfície comercial no Barreiro, o que acabou por não ter sucesso, por não haver espaço suficiente para a ocupação da Nacional Car.
“A Nacional Car é um negócio de usados que faz falta ao grupo Santogal”
Quis também esclarecer que a Nacional Car, uma empresa pertencente ao Grupo Santogal, o maior grupo de retalho de automóvel do país, com representação de 28 marcas, não está de forma alguma em vista de fechar negócio: “Posso-lhe garantir com alguma certeza que nos próximos anos não irá encerrar”. E por isso quer deixar claro que o fecho das instalações no Barreiro não se prendeu com razões financeiras. Adiantando: “A Nacional Car é um negócio de usados que faz falta ao grupo Santogal”, explicando que quando as marcas pertencentes ao Grupo Santogal vendem o novo e recebem o usado, “tem de existir uma empresa para onde esses carros sejam direccionados”.
“Mas encerra aqui, para abrir ali”
Não nega que a Nacional Car já encerrou outras lojas antes, mas esclarece: “mas encerra aqui, para abrir ali”. Dando como exemplo uma loja em Queluz que foi encerrada mas que, por sua vez, foi inaugurada uma em Alfragide. Ou o caso de Loures, em que uma loja foi encerrada temporariamente, para poderem ser feitas obras, de modo a dinamizar a implementação de um pólo de concessionários, onde se localiza a Mercauto que vende Mercedes e onde anuncia virem a ter brevemente mais três concessionários da marca BMW, Mitsubishi e Smart e associados a essas marcas vai estar a Nacional Car.
Razões para ficar no Barreiro
Insistindo que não é intenção da empresa abandonar o Barreiro, Hugo Nogueira aponta como razões dessa vontade o facto de, se por um lado, a Nacional Car no Barreiro ter tido um balanço positivo em termos de negócio, porque tem fins lucrativos, também existe uma outra questão que move esse desejo e que se prende com uma vertente mais humana, ao que comenta: “Tem-nos custado ver clientes que visitam o site e perguntam para onde fomos e tenho respondido, com alguma mágoa, infelizmente tivemos de sair”. E é por isso que insiste: “Neste momento estamos à procura e estamos abertos até a possíveis espaços que possam existir, temos todo o interesse em mantermo-nos no Barreiro”.
Andreia Lopes Gonçalves














