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Vida

70% dos Hospitais não têm nutricionistaNo Distrito de Setúbal apenas os Hospitais do Barreiro e Setúbal têm nutricionistas

Dos 87 hospitais existentes em Portugal Continental apenas 27 têm nutricionista. O alerta é da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, que pretende com esta chamada de atenção alertar para a escassez de profissionais qualificados, no que respeita à nutrição hospitalar.

Apesar de existirem seis Hospitais no Distrito de Setúbal apenas os Hospitais Nossa Senhora do Rosário, EPE, e São Bernardo, têm um e dois nutricionistas, respectivamente, ao serviço da população.

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70% dos Hospitais não têm nutricionista No Distrito de Setúbal apenas os Hospitais do Barreiro e Setúbal têm nutricionistas

Por Jornal Rostos

De acordo com um estudo apresentado recentemente, pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, a desnutrição hospitalar aumenta em 20% os custos do internamento, sendo ainda responsável por um acréscimo de 200 a 1300 euros por internamento.

A par do acréscimo dos custos económicos associados à desnutrição hospitalar, existem ainda problemas de saúde relacionados com a alimentação desajustada, que têm vindo a aumentar nos últimos anos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 75% das mortes na Europa estão relacionadas com as doenças crónicas não transmissíveis, directamente relacionadas com os hábitos alimentares, e ainda segundo a mesma fonte, se nada for feito, em 2025 50% da população mundial será obesa.

Em Portugal, o uso de ferramentas de rastreio e de avaliação de alterações relacionadas com o estado nutricional é inexistente, assim como o aconselhamento e suporte nutricional. Segundo dados da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica (APNEP), em Portugal, estima-se que 38% a 47% dos doentes hospitalares se encontram em risco de desnutrição e que 8% a 15% estão desnutridos.

Para a APN, “se fosse feito um rastreio em massa de alterações do estado nutricional a todos os doentes hospitalares, a desnutrição seria precocemente tratada. Esta falta de pro-actividade, reflecte o escasso interesse que hoje em dia ainda é dado às estratégias preventivas”. “Caso existissem mais nutricionistas nos hospitais e nos cuidados de saúde primários, continua a APN, situações limite como a desnutrição hospitalar seriam evitadas, porque os doentes beneficiariam de uma intervenção precoce”.

Com o objectivo de combater a desnutrição hospitalar a União Europeia aprovou, em 2003, uma resolução (Resolution ResAP (2003)3 on food and nutricional care in hospitals) que tem como objectivo o combate à desnutrição hospitalar. Quatro anos depois a APN lamenta desconhecer qualquer iniciativas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde em conformidade com a resolução em causa.

Para Alexandra Bento, Presidente da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, “é urgente dotar os hospitais portugueses de um número suficiente de nutricionistas, para que no futuro se assista à tomada de medidas, que conduzam à implementação nacional de uma política alimentar, adequada à prevenção e tratamento de problemas associados à má nutrição”.

Alexandra Bento adianta ainda que “a diminuição dos custos associados ao internamento pode ser uma realidade, caso os hospitais tenham nos quadros nutricionistas. Isto porque a alimentação hospitalar dever ser terapêutica e adequada nutricional e culturalmente aos utentes a que se destina”.

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