Portucel – SetúbalGrupo prosseguirá em 2008 uma fase de fortes investimentos
De referir que no ano de 2007 o volume de negócios foi de € 1.147,4 milhões (+6,2%), enquanto os resultados operacionais de € 260,3 milhões (+24,4%), sendo de registar uma redução de € 112,4 milhões no endividamento (-23,4%).

Por Jornal Rostos
Em 2007 o volume de negócios consolidado do Grupo atingiu € 1.147,4 milhões, mais € 66,7 milhões que em 2006, tendo cerca de 71% desse volume de negócios sido gerado pelas vendas de papel, 21% pelas vendas de pasta e os restantes 8% essencialmente pelas vendas de energia e outros serviços. Mais de 92% das vendas de papel e de pasta foram realizadas no mercado internacional, em mais de 80 países.
A produção de papel ascendeu a 1.029 mil toneladas, um aumento de 0,5% face a 2006, tendo as vendas totalizado 1.031 mil toneladas, um aumento de 2,7% em relação ao ano anterior. Este crescimento deu-se principalmente nos países europeus, onde as vendas do Grupo cresceram 6%, o que se traduz em mais um reforço da quota detida nestes mercados, nos quais a procura total cresceu pouco mais de 1%, e a dos produtos transformados em folhas cresceu cerca de 2%.
Os preços de referência de venda de papel UWF na Europa mantiveram a sua tendência de crescimento, reflectida num aumento de cerca de 4,7% no PIX (Copy B), tendo o preço médio de venda de papel do Gupo subido 5,4% em 2007.
Como resultado desta evolução positiva, tanto no volume como no preço médio, o valor das vendas de papel registou no ano um crescimento de 8,3%.
O Grupo colocou no mercado 544 mil toneladas de pasta
Por seu lado, a produção de pasta branca de eucalipto ascendeu a 1.321 mil toneladas em 2007, um aumento de 0,6%, mantendo o Grupo a sua posição de maior produtor europeu neste tipo de pasta.
O Grupo colocou no mercado 544 mil toneladas de pasta, quantidade ligeiramente inferior ao volume vendido em 2006, facto explicado por se ter verificado uma maior integração em papel, com a consequente redução da produção disponível para venda no mercado.
Também os preços de referência da pasta de eucalipto, em dólares, mantiveram a sua tendência de crescimento em 2007, tendo o preço de lista aumentado 100 USD entre Janeiro e Dezembro. No entanto, a forte desvalorização do dólar face ao euro que se verificou no ano resultou numa estabilização do preço médio líquido das vendas do Grupo em euros, face a 2006, em linha com a evolução dos preços de referência do mercado nesta moeda.
A ligeira redução em volume anteriormente referida, associada à manutenção dos preços em euros, teve como resultado um decréscimo de 2,7% nas vendas de pasta.
Embora se tenha prosseguido num continuado esforço de melhoria de eficiência e de aumento de produtividade na actividade do Grupo, o qual se traduziu principalmente numa maior eficiência energética e numa diminuição de alguns consumos específicos, os resultados foram negativamente afectados pelo aumento significativo dos preços de alguns factores de produção, nomeadamente da madeira de eucalipto, dos produtos químicos e dos transportes.
Agravamento dos custos no mercado nacional juntou-se a necessidade de recorrer a matéria-prima importada
No caso particular da madeira, ao agravamento dos custos no mercado nacional juntou-se a necessidade de recorrer a matéria-prima importada, cujo preço final, por via dos custos de transporte, se tornou penalizador.
Neste contexto, o Grupo gerou um EBITDA consolidado de € 340,7 milhões, o que representa um crescimento de 9,0% comparativamente a 2006. Apesar dos agravamentos de custos acima mencionados, o bom desempenho das vendas permitiu que a margem EBITDA / Vendas atingisse o valor de 29,7%, um aumento de 0,8 pontos percentuais face a 2006.
Os resultados operacionais atingiram um valor de € 260,3 milhões, situando-se 24,4% acima do valor registado em 2006. Esta evolução nos resultados operacionais foi positivamente influenciada por um montante inferior de provisões comparativamente a 2006.
Resultados financeiros foram negativos em € 27,5 milhões
Os resultados financeiros foram negativos em € 27,5 milhões, o que representa um agravamento de 3,8% face ao ano anterior.
Os custos financeiros neste período foram negativamente afectados pelo registo de juros no montante de € 10,4 milhões, fundamentalmente associados a contingências fiscais por factos ocorridos anteriormente a 2004.
Sem este efeito extraordinário, os resultados financeiros teriam evoluído muito favoravelmente, fruto de uma forte redução do endividamento líquido e do resultado positivo de um conjunto de operações de cobertura, cambial e de taxas de juro, oportunamente contratadas.
Deste modo, os resultados líquidos consolidados do exercício ascenderam a € 154,0 milhões, um aumento de 23,5% relativamente ao ano anterior.
Investimentos
Em 2007 o investimento em activo fixo situou-se em cerca de 52,8 milhões de euros, parte não dispicienda dos quais diz já respeito ao investimento na nova fábrica de papel, conforme contratos adjudicados após Outubro de 2007.
Este nível de investimento marca o início de um ciclo de forte investimento do Grupo, cuja principal componente será a referida nova fábrica de papel, conforme foi oportunamente divulgado.
Endividamento
Em 2007 o endividamento líquido do Grupo registou uma redução de € 112,4 milhões, como resultado de uma boa geração de caixa, não obstante o pagamento de € 60,6 milhões de dividendos relativos ao exercício de 2006, o pagamento em Dezembro de € 53,7 milhões de dividendos antecipados (de forma a permitir aos pequenos accionistas usufruírem do benefício fiscal que expirava em 31-12-2007) e o início dos desembolsos relativos ao investimento na nova fábrica de papel de Setúbal.
Com o actual nível de endividamento líquido e a liquidez disponível, o Grupo apresenta uma sólida posição financeira, que lhe permitirá concretizar os seus planos de investimento e desenvolvimento estratégico.
Certificação
O Grupo obteve em 2007 a certificação florestal pelo Forest Stewardship Council (FSC), em processo conduzido pela certificadora Soil Association / Woodmark, com atribuição do certificado SA-FM/COC-001785.
Como prolongamento natural das medidas internas adoptadas no processo de certificação, o Grupo aderiu à iniciativa Business & Biodiversity, promovida no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia, e integrou o Countdown 2010 que, no quadro da Organização Internacional de Conservação da Natureza (IUCN), se propõe travar a perda de biodiversidade à escala global nos ecossistemas até 2010.
Perspectivas
O ano de 2008 será marcado por uma grande incerteza quanto ao impacto que a crise que assola actualmente os mercados financeiros terá na economia internacional, designadamente nos principais mercados de destino do Grupo.
É expectável que a economia norte-americana continue o processo de acentuado arrefecimento que tem registado desde 2006, existindo mesmo a possibilidade de entrar em recessão durante o corrente ano. Espera-se igualmente que a economia europeia sofra um abrandamento, mantendo embora um crescimento positivo. Como consequência, a economia global deverá desacelerar também em 2008, admitindo-se, contudo, que as economias emergentes mantenham alguma pujança.
Neste contexto, perspectiva-se uma evolução ligeiramente positiva no nível de procura de papéis finos não revestidos na Europa, principal mercado para os produtos do Grupo. Este desenvolvimento da procura, associado ao processo de reestruturação encetado por algumas empresas concorrentes, traduzido, nomeadamente, em alguma redução da capacidade instalada, deverá permitir a manutenção de bons níveis nas taxas de ocupação da indústria europeia.
A debilidade e risco de nova depreciação do dólar face ao euro constituem uma ameaça
Por seu lado, a procura de pasta de eucalipto deverá manter-se forte durante o ano de 2008, sustentada na continuação de um elevado ritmo de crescimento do mercado chinês, assim como no crescimento do consumo de papel tissue e numa maior utilização de fibra virgem no seu processo de fabrico.
No entanto, a debilidade e risco de nova depreciação do dólar face ao euro constituem uma ameaça que poderá afectar negativamente os preços de venda de pasta e de parte das vendas de papel, assim como aumentar a concorrência no mercado europeu, quer por parte de produtores localizados em zonas de influência dominante da divisa norte-americana, quer por repatriação de exportações europeias.
O elevado custo da madeira representa um factor de grande preocupação, que poderá ter um impacto negativo nos resultados anuais do Grupo, não se prevendo que a situação difícil que se vive neste mercado venha a ter uma evolução favorável no curto prazo.
Grupo prosseguirá em 2008 uma fase de fortes investimentos
Também a conjuntura vigente no mercado dos principais produtos químicos consumidos pelo Grupo deverá, previsivelmente, traduzir-se num aumento dos custos de exploração.
Neste difícil contexto, o Grupo continuará a pautar a sua actividade pela exigente procura de melhorias de eficiência operacional, de forma a continuar a manter intacta a sua capacidade competitiva nos exigentes mercados internacionais em que a sua presença se tem vindo a afirmar ano após ano.
O Grupo prosseguirá em 2008 uma fase de fortes investimentos, com particular destaque para a nova fábrica de papel que está a instalar no seu complexo industrial de Setúbal, a qual vem reforçar a sua capacidade de produção de papéis finos de impressão não revestidos em 500.000 toneladas/ano, prevendo-se que o arranque da produção ocorra em Agosto de 2009. O investimento total previsto rondará os € 550 milhões e permitirá integrar toda a pasta produzida em Setúbal, projectando o Grupo para um novo patamar no conjunto dos maiores produtores mundiais de papéis não revestidos de impressão e escrita.














