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Vida

Comissão de Trabalhadores do Arsenal do Alfeite – AlmadaQue nenhum trabalhador abdique de manter o vínculo com o Estado

“Não aceitaremos que as mais valias do nosso trabalho possam ir parar aos cofres de uma holding que não tem demonstrado competência, nem capacidade, para gerir os interesses da indústria naval e muito em particular da indústria naval militar.
Com a nossa luta demonstraremos mais uma vez que estamos à altura do exemplo das gerações que, antes de nós, fizeram do Arsenal um bastião de dignidade.” – refere um comunicado da Comissão de Trabalhadores do Arsenal do Alfeite.

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Comissão de Trabalhadores do Arsenal do Alfeite – Almada Que nenhum trabalhador abdique de manter o vínculo com o Estado

Por Jornal Rostos

“O Governo, ao mandar publicar os Decretos-lei, que determinam a extinção do Arsenal do Alfeite e a sua transformação em SA, apontando para um quadro de pessoal com menos 400 trabalhadores, desfere um duríssimo golpe nesta que é a mais importante empresa pública do Concelho de Almada, fundamental não só do ponto de vista económico e social, como no plano estratégico da defesa e soberania nacionais e garante da operacionalidade da Marinha.
Este Governo e o Presidente da República, são os principais responsáveis por este acto e pelas consequências que dele resultarem. Esta é mais uma medida no sentido da desresponsabilização do Estado em sectores decisivos e estratégicos para o desenvolvimento da região e do País. O próprio comando superior da Marinha tomou posição em favor das soluções preconizadas pelo Governo, é pois mais um responsável que a história se encarregará de julgar, quiçá no futuro não muito longínquo.
Os governos foram fazendo o seu caminho de destruição da indústria naval e de todo o aparelho que a região tinha para produzir riqueza e desenvolvimento. Destruíram os estaleiros da SRN, da CPP, da Parry & Son, da Lisnave Margueira. Uma experiência incomparável de milhares de trabalhadores foi simplesmente malbaratada. Segue-se o Arsenal do Alfeite, último reduto do conhecimento tecnológico naval no rio Tejo.” – refere um comunicado da Comissão de Trabalhadores do Arsenal do Alfeite.

Contra a extinção de postos de trabalho e pela manutenção do vínculo público de todos os Arsenalistas

“Desenganem-se aqueles que pensam que aceitamos este acto como um facto consumado, os Trabalhadores do Arsenal do Alfeite continuarão em luta pelo futuro da empresa, pelos postos de trabalho e pelos direitos. Continuaremos a manifestar a nossa total discordância com a extinção do Arsenal do Alfeite e a criação da Arsenal do Alfeite SA e principalmente a sua integração na Empordef. Continuaremos a lutar no sentido de inverter esta decisão, e mais importante, continuaremos a lutar, contra a extinção de postos de trabalho e pela manutenção do vínculo público de todos os Arsenalistas.
Que nenhum trabalhador abdique de manter o vínculo com o Estado.
O Governo legislou no sentido de extinguir o Arsenal do Alfeite e criar uma “nova” organização com o mesmo nome sem ter ouvido o verdadeiro “Arsenal”, isto é, os Arsenalistas. Não basta mudar o nome e a gestão, se não contarem com todos os trabalhadores o Arsenal do Alfeite deixará pura e simplesmente de existir.
O Arsenal do Alfeite não são os edifícios, as ferramentas ou as infra-estruturas, o Arsenal do Alfeite, é as pessoas que nele trabalham, que detêm o conhecimento do trabalho, que se relacionam com a Marinha, e que têm dado o seu melhor no cumprimento individual das suas tarefas, contribuindo assim para o cumprimento da missão do Arsenal do Alfeite.” – acrescenta a Comissão de Trabalhadores.

Não aceitaremos que as mais valias do nosso trabalho possam ir parar aos cofres de uma holding

“As pessoas não podem ser extintas por Decretos-lei, o Arsenal do Alfeite só será extinto se nós deixarmos, e só existirá Arsenal do Alfeite SA, integrado na Empordef, se os Arsenalistas assim o permitirem.
Não aceitaremos que as mais valias do nosso trabalho possam ir parar aos cofres de uma holding que não tem demonstrado competência, nem capacidade, para gerir os interesses da indústria naval e muito em particular da indústria naval militar.
Com a nossa luta demonstraremos mais uma vez que estamos à altura do exemplo das gerações que, antes de nós, fizeram do Arsenal um bastião de dignidade.
A memória Arsenalista constitui um extraordinário património dos trabalhadores e é com ela que travaremos as lutas necessárias, para o desenvolvimento e construção do futuro do Arsenal.” – rerfere a finalizar a Comissão de Trabalhadores do Arsenal do Alfeite.

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