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PORTUCEL - SETÚBALArranque bem sucedido da nova fábrica de papel

O ano de 2009 ficou marcado pelo arranque bem sucedido da nova fábrica de papel de Setúbal que, com uma capacidade de 500 mil ton / ano, aumenta a capacidade instalada do Grupo Portucel para 1 550 mil ton / ano, posicionando‐o como o maior produtor europeu de papel de escritório não revestido.

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PORTUCEL - SETÚBAL Arranque bem sucedido da nova fábrica de papel

Por Jornal Rostos

Após um forte desempenho no 4º trimestre, o Grupo encerra o ano de 2009 com um crescimento de 11,1% no volume
de vendas de papel, ascendendo a 1 130 mil toneladas, facto assinalável na conjuntura que se vive. Este crescimento foi sustentado num alargamento da cobertura geográfica das vendas, atingindo mais de 100 países em todo o Mundo e
reforçando o Grupo como um dos principais actores portugueses nos mercados internacionais.
Com efeito, as vendas de papel numa base comparável (não incluindo a nova fábrica) registaram um aumento de 5,9%
relativamente a 2008; quando considerada a nova capacidade de produção, esse aumento passa a representar 11,1%, o
que, num contexto de forte retracção de procura como foi o caso em 2009 (queda de 13% na Europa e no EUA),
constitui um factor merecedor de destaque.
Importa referir que apesar da quebra da procura nos mercados europeu e norte americano, o Grupo Portucel trabalhou
todo o ano com 100% de utilização da capacidade instalada.

Negócio da pasta regista recuperação

No negócio da pasta, após um fraco desempenho no 1º trimestre, explicado por condições de mercado extremamente
deprimidas, o Grupo registou nos 2º e 3º trimestres um volume de vendas muito elevado, que se deveu essencialmente
ao forte aumento de consumo de pasta nos mercados fora de Europa, reflexo sobretudo da excelente performance do
mercado chinês, o principal driver do negócio em 2009 do lado da procura.
A produção de pasta branca de eucalipto ascendeu a 1,3 milhões de toneladas em 2009, mantendo‐se ao mesmo nível
do ano anterior. O Grupo vendeu cerca de 492 mil toneladas de pasta, quantidade inferior ao volume vendido em 2008,
devido ao aumento da integração de pasta resultante do arranque da nova fábrica de papel durante o 2º semestre.

Forte desempenho operacional com redução dos custos de produção

Do ponto de vista operacional, o Grupo conseguiu uma economia significativa nos custos unitários de produção,
resultante de uma elevada utilização da capacidade instalada, da melhoria nos consumos específicos e da redução de
custo de alguns dos factores de produção mais representativos. O Grupo conseguiu também uma importante
optimização nos custos de logística, quer na área de papel, com uma redução de cerca de 10%, quer na área de pasta,
com uma redução de 20%.
O EBITDA gerado no ano foi de € 222,2 milhões, o que apesar de representar um decréscimo de 18,2% face a 2008,
evidencia uma margem EBITDA / Vendas de 20,3%, que compara com uma margem de 24,0% obtida em 2008.
Os resultados financeiros de 2009 foram de € 7,5 milhões negativos, o que representa uma evolução muito favorável,
evidente no último trimestre do ano, onde os resultados financeiros foram positivos em cerca de € 1,8 milhões
(261,3%), devido essencialmente aos ganhos verificados num conjunto de operações de cobertura cambial. Um outro
factor que contribuiu positivamente para o valor de resultados financeiros registados no ano foi a reversão da
periodificação de juros compensatórios relativos a contingências fiscais de anos anteriores que não se concretizaram.
O resultado líquido consolidado do ano totalizou € 105,1 milhões, o que apesar da variação de menos 19,8% do que o
resultado obtido em 2008 evidencia um bom desempenho.

Arranque bem sucedido da nova fábrica de papel

O ano de 2009 ficou marcado pelo arranque bem sucedido da nova fábrica de papel de Setúbal que, com uma
capacidade de 500 mil ton / ano, aumenta a capacidade instalada do Grupo Portucel para 1 550 mil ton / ano,
posicionando‐o como o maior produtor europeu de papel de escritório não revestido.
O valor de investimento no ano de 2009 foi de € 421,5 milhões, tendo a nova fábrica de papel representado cerca de
70% deste montante, e os investimentos na área da energia cerca de 25%. O plano de desenvolvimento actualmente
em curso possibilitará, a partir de 2011 inclusive, que a produção e venda de energia do Grupo passe a representar
cerca de 5% do total da energia eléctrica produzida em Portugal. A entrada em funcionamento em 2009 da nova central
de co‐geração a gás natural em Setúbal, a maior do País, trouxe uma capacidade adicional anual de produção de
energia estimada em 543 GWh, um incremento que já se fez sentir na quantidade de energia produzida na segunda
metade do ano, e em particular no último trimestre. Em termos anuais, o Grupo registou um aumento de 17,5% na
energia produzida em 2009.
Em Dezembro iniciou‐se a produção de energia das novas centrais térmicas a biomassa de Cacia e Setúbal, cujos
resultados se irão reflectir em 2010, prevendo‐se um aumento de energia verde vendida devido a estas centrais de 167
GWh/ano.

Grupo mantém sólida situação financeira

Durante o ano de 2009, procedeu‐se ao pagamento de dividendos num montante de € 80,6 milhões e a pagamentos
associados ao referido plano de investimentos de € 421,5 milhões. Deste modo, no final do ano, a dívida líquida
remunerada ascendeu a € 670,0 milhões, o que representa um acréscimo de € 210,3 milhões face ao final de 2008. Para
que este acréscimo da dívida fosse tão moderado contribuiu a grande capacidade de geração de cash flow por parte do
Grupo, associada à sua actividade operacional, e uma gestão criteriosa dos activos circulantes, que se traduziu numa
redução significativa de fundo de maneio.
Importa salientar que, com a conclusão da nova fábrica de papel, da central de co‐geração a gás natural e das duas
novas centrais termoeléctricas a biomassa, o Grupo tem quase concluído o maior ciclo de investimentos da sua história, no qual a robustez financeira não ficou afectada. Quer o rácio de autonomia financeira, que se situou em 49,6%, quer o de dívida líquida / EBITDA, que se fixou em 3,0, situam‐se em níveis adequados e que comparam muito favoravelmente com os da generalidade da indústria e das empresas do sector.

Perspectivas Futuras

Embora existam já alguns sinais positivos no que respeita a recuperação económica internacional, a expectativa para
2010 é de um optimismo muito moderado, prevalecendo no curto prazo um forte elemento de incerteza, pois não
existem sinais claros de recuperação da procura, a sobrecapacidade estrutural existente na Europa deverá manter os
preços sob grande pressão, os problemas das economias norte‐americana e europeias continuam por resolver e
mantém‐se no horizonte a dúvida quanto ao continuado ritmo de crescimento da economia chinesa.
Não obstante esta conjuntura de mercado muito difícil, o Grupo está convicto de que o esforço que tem desenvolvido
junto dos consumidores, no sentido de alargar o leque de países onde vende os seus produtos e reforçar as posições
em mercados onde a sua presença é ainda susceptível de ser alargada, lhe irá permitir colocar com sucesso toda a nova
capacidade da nova fábrica de Setúbal.
O Grupo prossegue o processo de análise das possibilidades de expansão internacional na América Latina e África, a
qual implica investimentos muito exigentes, tanto do ponto de vista financeiro como técnico, que requerem um
conjunto vasto e complexo de condições que garantam a sua exequibilidade.
É de realçar que o Conselho de Ministros de Moçambique aprovou uma Resolução que inclui uma autorização
provisória à Portucel do direito de uso e aproveitamento de terra, relativo a uma área de 173 327 hectares na Província da Zambézia, destinada à silvicultura, assim como um conjunto de benefícios associados a eventuais investimentos industriais que a Portucel venha a decidir desenvolver em Moçambique. A mesma Resolução inclui igualmente o direito de uso e aproveitamento de uma área adicional de 220 000 hectares, na Província de Manica, logo que concluídas as formalidades em curso.

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