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Estado demora 141 dias a pagar facturasEmpresas e consumidores aumentam prazos de pagamento

O mais recente relatório do Índice de Pagamentos Europeus para Portugal (EPI), efectuado pela Intrum Justitia que por tradição coloca o nosso país na cauda da Europa no que respeita ao índice de risco de pagamentos, apresenta boas e más notícias. Assim, embora as taxas de crescimento por toda a Europa tenham abrandado e a procura interna seja ténue, começam a surgir sinais de recuperação económica.

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Estado demora 141 dias a pagar facturas Empresas e consumidores aumentam prazos de pagamento

Por Jornal Rostos

O sentimento das empresas relativamente aos riscos de pagamento é de que a situação dos atrasos de pagamentos tem vindo a estabilizar, em geral, desde 2009, embora a confiança das empresas permaneça extremamente débil. Os países que mais sofreram com a crise que começou em 2008 mostram poucos indícios de melhoria relativamente aos recebimentos dentro dos prazos sobre serviços prestados e bens fornecidos. Tal situação conduz a que o pessimismo das empresas seja mais elevado nos países que enfrentam pior contracção económico-financeira.

Quanto aos dados positivos, o inquérito de 2010 efectuado pela Intrum Justitia revela que o atraso médio no recebimento de pagamentos para além do prazo acordado tem vindo a diminuir em toda a Europa (1 dia), situando-se nos 18 dias comparado com os 19 dias em 2009. Esta boa notícia é contrariada pelo facto do inquérito de 2010 revelar que a percentagem média de incobráveis aumentou na Europa de 2,4% para 2,6%.

Também preocupante, é o prazo demasiado longo que as empresas demoram a reagir ao não pagamento das suas facturas. Apesar das desvantagens óbvias das empresas não fazerem esforços para receberem os pagamentos nos prazos acordados, cerca de 65% das mesmas ainda esperam em média cerca de 85 dias antes de enviarem os seus créditos para uma empresa de serviços de gestão de créditos, de acordo com o inquérito EPI. Em Portugal esta situação assume proporções alarmantes: 30% das empresas Portuguesas inquiridas esperam em média 159 dias antes de enviar os créditos para uma empresa de gestão e recuperação de crédito.

O inquérito EPI confirmou que muitas pequenas e médias empresas, que representam cerca de 65% das 6.000 empresas inquiridas, estão a enfrentar sérias dificuldades apesar dos emergentes sinais de recuperação anunciados pelos governos. No que se refere à criação de empresas e emprego, cerca de 52% (45% Noruega) das PMEs inquiridas dizem que uma das principais causas das dificuldades que enfrentam é uma maior dificuldade no acesso ao crédito, já que os bancos tornaram-se mais selectivos e rigorosos na concessão de empréstimos.

Portugal apresenta um quadro preocupante. Os atrasos nos pagamentos por parte de consumidores e empresas têm vindo a aumentar. O sector público, que tinha começado a pagar mais rapidamente, voltou a inverter drasticamente esta tendência. No total, as entidades públicas Portuguesas demoram, em média, 141 dias (quase 5 meses) a liquidar uma factura.

A percentagem de incobráveis também aumentou, passando de 2,7%, para 2,8%. A distribuição da percentagem de pagamentos recebidos sofreu alterações, existindo mais facturas a serem pagas no prazo de 90 dias. Cerca de 55% (77%) das empresas Portuguesas inquiridas acreditam que os riscos de pagamentos com atraso irão aumentar ainda mais durante os próximos 12 meses. Dos inquiridos, 91% (90%) confirmam que recebem os pagamentos mais tarde porque os devedores estão a enfrentar dificuldades financeiras devido à recessão, o que resulta numa redução de vendas, menor liquidez e pagamento de juros adicionais. Devido à recessão, 45% das empresas inquiridas afirmam estar menos confiantes na obtenção do apoio financeiro necessário por parte dos bancos para o desenvolvimento dos seus negócios.

Qualquer recuperação económica, em Portugal, em 2010, será provavelmente ligeira, embora as exportações revelem alguns sinais de recuperação. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), o produto interno bruto demonstrou um crescimento nulo no quarto trimestre de 2009 comparado com o terceiro trimestre, em que o PIB aumentou 0,7 por cento.

Portugal foi envolvido numa campanha indesejada em meados de Fevereiro, quando o comissário económico da UE, Joaquín Almunia, foi citado como tendo dito que o país (juntamente com a Grécia e a Espanha) tinha demonstrado uma perda permanente de competitividade desde que entrou para a UE. Em 2009, o défice orçamental Português atingiu os 9,3 por cento do produto interno bruto, que caiu 2,7 por cento durante 2009, comparado com o ano anterior. O governo Português lançou um processo de consolidação orçamental para reduzir o défice fiscal do país sem enfraquecer a frágil recuperação em curso. Entre as medidas de correcção encontram-se o congelamento dos salários dos funcionários públicos em 2010 e os cortes nos esquemas de pensões.

Atrasos nos pagamentos
Existem atrasos nos pagamentos em todos os grupos: (B2B; B2C;Público). Embora o sector público tenha melhorado de acordo com o inquérito do ano passado, em 2010 apresenta um quadro menos positivo, tendo-se verificado um aumento do atraso médio em 12 dias. Os atrasos dos consumidores (B2C) e das empresas (B2B) foram menos significativos.
A percentagem de pagamentos recebidos até 90 dias sofreu uma melhoria significativa. Quanto mais tempo as facturas ficam por pagar, mais difícil será receber o seu valor na integra.

Perdas/Incobráveis
Em Portugal a percentagem de incobráveis aumentou de 2,7% para 2,8%. A percentagem média de incobráveis, na Europa, aumentou de 1,9% em 2007, para 2% em 2008 e para 2,4% em 2009. Actualmente situa-se nos 2,6%. Estes valores podendo não parecer muito significativos à primeira vista, implicam um grande esforço adicional a ser efectuado nas vendas para compensar as perdas resultantes do crédito mal parado, bem como desviar o focus da venda para a recuperação dos valores em dívida, tal como o gráfico ilustra.

Consequências
Das empresas inquiridas 63% (66%) esperam perdas de rendimentos devido a atrasos de pagamentos ou incobráveis. 73% (74%) receiam pela liquidez das suas empresas.
O inquérito de 2010 colocou aos Directores Financeiros a questão sobre o que acreditavam ser as principais causas para os seus clientes pagarem com atrasos. 91% (contra 90% em 2009) responderam que os pagamentos eram efectuados com atrasos porque os seus clientes estavam a enfrentar graves dificuldades financeiras. Em muitos países, esta situação transformou-se num ciclo vicioso – recebe-se com atraso, paga-se com atraso.

Estimativas dos riscos de pagamento
Das empresas inquiridas, 36% (17%) consideram que os riscos de atrasos nos pagamentos por parte dos seus clientes irão manter-se enquanto 55% (77%) pensam que irão aumentar. Apesar do sentimento das empresas comparativamente a 2009 ser ligeiramente mais positivo, a redução nas vendas, uma menor liquidez e o aumento dos pagamentos efectuados com atraso, fazem prever que os próximos tempos não sejam muito favoráveis para Portugal.

Legislação
A directiva Europeia para combater os atrasos nos pagamentos (B2B e sector público) é do conhecimento de 43% das empresas inquiridas. 63% das empresas gostariam que a legislação da UE também abrangesse os pagamentos B2C (consumidores), e 58% acreditam que se existisse legislação eficaz relativa à cobrança de dívidas B2C (consumidores), as condições das suas empresas iriam melhorar.

No EPI deste ano foi colocada pela primeira vez uma questão que tem a ver com a maior lição que as empresas retiraram sobre gestão de crédito durante o período de recessão. As respostas mais frequentes foram: acompanhamento constante das contas correntes dos clientes, rigor na concessão de crédito, política de crédito adequada a cada cliente, recurso a empresa especializadas na recuperação de crédito e informação financeira actualizada.

De acordo com Luis Salvaterra, Director Geral da Intrum Justitia Portugal, “ Uma clara maioria das empresas seguiu as nossas recomendações relativas à necessidade das empresas se aperfeiçoarem e profissionalizarem os seus procedimentos de gestão de crédito. Esta situação leva-nos a concluir que as empresas com melhor performance são as que compreenderam a importância de colocarem em prática políticas correctas de gestão de crédito”.

O mesmo responsável, acrescenta ainda que “O EPI de 2010 revela que pelo facto das empresas terem receio dos bens e serviços fornecidos a terceiros, não serem pagos nas condições acordadas, está a prejudicar as trocas comerciais quer na União Europeia quer a nível mundial. O crescimento do comércio internacional será certamente impulsionado se houver legislação adequada a nível comunitário e que dê garantias a que os pagamentos transfronteiriços sejam feitos a tempo e horas, fomentando as trocas comercias dentro da Comunidade, com benefícios para as economias locais, o emprego e o crescimento”.

Segundo o mesmo responsável, “as principais consequências para as empresas no que se refere a atrasos de pagamento são a perda de rendimentos e a redução da liquidez. Esta situação aliada à menor confiança por parte das empresas quanto a apoios financeiros por parte dos bancos, representa um grande desafio. A frágil recuperação económica verificada na Europa está claramente a deixar as empresas Europeias, especialmente as PMES, inseguras quanto ao seu futuro, tal como revela o inquérito EPI 2010 da Intrum Justitia”.

Para Luis Salvaterra, “existe muito dinheiro a ganhar/poupar em toda a cadeia de financiamento das empresas se houver maior eficácia e integração entre os vários departamentos”.

Assim, a Intrum Justitia recomenda que as carteiras de risco sejam analisadas mais frequentemente, que a capacidade de financiamento dos clientes seja monitorizada continuamente, baixa <-> elevada, e que sejam feitos contactos verbais ou directos antes da data de pagamento, falando-se sobre a entrega, facturação e pagamento. Para além disso é importante que haja um acompanhamento directo após a data em que o pagamento vence, que os créditos vencidos sejam enviados para uma entidade externa profissional e que haja vários acordos de pagamentos, considerar o pré-pagamento, adiantamentos, entre outros.

Estes são números do European Payment Índex da Intrum Justitita, a maior consultora europeia de serviços de gestão de crédito e cobranças. Este barómetro anual avalia o comportamento dos pagadores nos estados membros da União Europeia, através de um survey em 26 países da Europa.

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