AECOPS - Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas - SetúbalLicenciamento de fogos está nos níveis mais baixos de sempre

Por Jornal Rostos
Divulgamos texto da AECOPS - Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas - Setúbal
Em Portugal e nos primeiros cinco meses do corrente ano, o número de fogos novos licenciados para habitação caiu 13,3% em termos homólogos, o que correspondeu a menos 1.627 fogos autorizados para construção do que no mesmo período de 2009 (10.611 e 12.238 fogos, respectivamente).
A manter-se esta quebra e de acordo com a AECOPS - Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços, no final do ano o número de fogos novos licenciados não ultrapassaria os 23.500, representando, de longe, o mínimo desta série anual iniciada pelo INE em 1994 e mesmo o valor mais baixo de que a AECOPS tem registo desde 1970.
Esta evolução é revelada pelos dados divulgados pela AECOPS na sua análise de conjuntura regional de Agosto, e comprova ainda as grandes dificuldades que o segmento da habitação atravessa no País, não permitindo antever qualquer possibilidade de recuperação da actividade residencial, pelo menos a curto prazo. Até mais, vem reforçar e prolongar a crise no sector da Construção, que hoje apresenta fortes quebras na produção de todos os seus segmentos, inclusive no da engenharia civil que, nos últimos meses, tem sido fortemente castigado pelo corte dos investimentos públicos. Até Julho deste ano, o número global dos concursos adjudicados caiu 46,7% em termos homólogos, percentagem que desce para os 67,1% no que toca ao valor das adjudicações no mesmo período.
O número de concurso abertos até Julho último apresentou igual tendência de decréscimo (-33,7% em termos homólogos), não permitindo perspectivar, assim, qualquer melhoria ao nível do mercado das obras públicas, antes pelo contrário, aponta para uma agudização futura da crise.
Algarve e Alentejo mais penalizados
O Algarve e o Alentejo continuam a ser as regiões do País mais afectadas pela grave crise que o sector da Construção atravessa e que teima em permanecer, não só em resultado da recessão económica e dos cortes sucessivos no investimento público para conter o défice orçamental, mas também por falta da adopção de medidas governamentais de incentivo ao Sector, como a redução da burocracia, a alteração do regime de arrendamento urbano e o apoio à reabilitação do edificado.
Segundo os dados da AECOPS, nos primeiros cinco meses do corrente ano, o número de fogos novos licenciados para habitação no Algarve quedou-se pelos 760 (!) o que representa uma quebra de 40,5% face ao mesmo período de 2009, enquanto o número de obras adjudicadas desceu 62,9% até finais de Julho e em termos homólogos. A evolução respeitante ao valor das adjudicações vai na mesma direcção, ou seja, de queda abrupta da produção de obras públicas (-72% até Julho).
Face a esta evolução, não é de admirar que seja também no Algarve que o desemprego no Sector mais cresce (aumento homólogo de 47,8% no primeiro semestre, fixando-se a média nacional em 21,9%) e o número de empresas com alvará mais desce (-6,2% nos finais de Agosto e em termos anuais, contra -1,0% na generalidade do País).
É ainda no Algarve, onde os empresários do Sector se manifestam mais pessimistas quanto ao desempenho futuro das suas actividades, com o indicador de confiança a ficar pelos -68%, contra -52% da média nacional.
Já no que se refere ao Alentejo o licenciamento para habitação caiu mais de 27%, para 713 fogos nos primeiros cinco meses do ano e o valor das obras adjudicadas regista um recuo de 67% entre Janeiro e Julho de 2010.














