Grupo Portucel - SetúbalGrupo analisa possibilidades de expansão internacional no Hemisfério Sul
O volume de negócios cresceu 26,5%, para cerca de € 1,4 mil milhões, com as vendas de papel UWF a atingir perto de € 1,1 mil milhões.

Por Jornal Rostos
Destaques do Ano 2010:
• Volume de negócio do Grupo cresce 26,5%, para cerca de € 1,4 mil milhões;
• Aumento das exportações em 25%, para cerca de 1,2 mil milhões de euros;
• Quota no mercado europeu de papel UWF atinge 15%;
• EBITDA de € 400,2 milhões, aumentando 80,1% face a 2009;
• Resultado líquido cresce 100,4%, para € 210,6 milhões;
• Dívida líquida em níveis confortáveis, com rácio de Net Debt / EBITDA de 1,6.
ANÁLISE DE RESULTADOS
O Grupo Portucel registou em 2010 um forte crescimento na sua actividade, nomeadamente com o aumento de produção de papel proveniente da nova fábrica de Setúbal e com a entrada em funcionamento dos recentes investimentos na área de energia.
O volume de negócios cresceu 26,5%, para cerca de € 1,4 mil milhões, com as vendas de papel UWF a atingir perto de € 1,1 mil milhões.
ANÁLISE DE MERCADO
Após um período muito negativo, o ano de 2010 registou uma recuperação económica a nível mundial, sobretudo devido ao forte crescimento das economias emergentes Asiáticas. O crescimento do Produto Interno Bruto atingido pelas economias dos principais mercados do Grupo, Europa e Estados Unidos, não bastou para compensar a perda verificada em 2009, e também não foi suficiente para promover a criação líquida de emprego, tendo a taxa de desemprego aumentado nestas importantes regiões. O nível de actividade económica e, de forma mais específica, o nível de emprego, têm uma correlação elevada com o consumo de papel.
Desempenho
As vendas globais de papel ascenderam a 1,4 milhões de toneladas, um aumento de 23,6 % em relação a 2009. Este desempenho foi alicerçado num crescimento de dois dígitos em todas as regiões do mundo e no alargamento da cobertura geográfica das vendas. De facto, o Grupo cresceu cerca de 20% na Europa, 30% nos EUA e consolidou-se como um dos principais actores portugueses nos mercados internacionais. Só no mercado Europeu, o Grupo conquistou cerca de 190 mil toneladas de quota adicional.
Marcas
As marcas de papel do Grupo Portucel reforçaram novamente durante 2010 a sua posição de relevo nos mercados europeus.
FLORESTA E ABASTECIMENTO
Em 2010 continuou a recorrer-se à importação de madeira, para complementar a produção nacional, que se revelou insuficiente, designadamente no que se refere a madeira certificada.
Uma parte do défice que se regista na oferta nacional de matéria-prima para a indústria resulta do desajustamento provocado pelo recente acréscimo de capacidade de produção de pasta na Península Ibérica, numa altura em que o nível de produção florestal ainda está a recuperar dos grandes incêndios de 2003 e de 2005. Este aspecto, porém, não pode fazer esquecer o grande trabalho que falta desenvolver para que a produção florestal nacional atinja patamares produtivos mais próximos do seu potencial.
DESENVOLVIMENTO
Com o arranque da nova turbina a vapor para a central de cogeração a biomassa da Figueira da Foz no 3º trimestre, o Grupo concluiu um vultoso programa de investimentos que ascendeu a cerca de € 900 milhões. Para além deste último projecto, incluiu designadamente a nova fábrica de papel de Setúbal e duas novas centrais termoeléctricas a biomassa. Importa realçar que o investimento final na nova fábrica de papel teve um custo final de € 525 milhões, ficando € 25 milhões abaixo do que havia sido estimado.
Uma vez concluído este programa, o Grupo prossegue a análise de oportunidades de desenvolvimento no hemisfério Sul, nomeadamente no Uruguai, no Brasil e em Moçambique.
SITUAÇÃO FINANCEIRA
Em 31 de Dezembro de 2010, a dívida líquida remunerada ascendia a € 652,7 milhões, uma diminuição de € 17,3 milhões em relação ao final do ano de 2009. Esta redução no endividamento evidencia uma elevada capacidade de geração de cash flow, já que no início do ano o Grupo procedeu ao pagamento dos dividendos relativos ao ano de 2009, num montante de € 63,3 milhões, prosseguiu com a fase final do programa de investimentos, que em 2010 atingiu € 95,5 milhões de euros, e, já no final do ano, distribuiu reservas no montante de cerca de € 120 milhões.
Durante o 1º trimestre de 2010, o Grupo procedeu à emissão de dois novos empréstimos obrigacionistas, de € 100 milhões cada um, com maturidades até 5 anos, e contratou com o Banco Europeu de Investimento dois empréstimos nos montantes de € 30 e € 85 milhões, com maturidades em 2021 e 2024, respectivamente. Estas operações serviram de base à amortização de um empréstimo obrigacionista de € 300 milhões e permitiram ao Grupo consolidar a maturidade da sua dívida financeira.
No final de 2010, o Grupo apresentava uma dívida bruta de longo prazo de € 733,1 milhões e uma dívida com um prazo de vencimento inferior a 1 ano de € 91,3 milhões. Este montante exigível a curto prazo é largamente coberto pelos excedentes de tesouraria acumulados pela empresa e pelas linhas de financiamento contratadas e não utilizadas, pelo que o Grupo se encontra com uma posição de liquidez muito confortável.
A autonomia financeira no final de Dezembro era de 48,8% e o rácio Dívida Líquida / EBITDA fixou-se em 1,6, evidenciando uma significativa melhoria face ao final de 2009 (3,0).
Com o actual nível de endividamento líquido e forte capacidade de geração de cash flow, o Grupo evidencia uma situação financeira robusta, que o coloca em posição de destaque entre as principais empresas do sector a nível mundial, e lhe confere capacidade para encetar novo ciclo de desenvolvimento.
MERCADO DE CAPITAIS
O ano de 2010 foi um ano muito positivo para as acções das empresas do sector da pasta e papel, nomeadamente para as empresas europeias, que obtiveram valorizações expressivas ao longo do ano. De facto, o índice HX Paper & Forest – que integra as acções das três principais empresas nórdicas do sector – registou um ganho de cerca de 56%. Já as acções das principais congéneres latino-americanas tiveram um desempenho distinto, com alguns dos grandes produtores brasileiros a registar perdas significativas nas suas cotações.
Perspectivas futuras
As expectativas de crescimento global da economia mundial para 2011 permanecem na generalidade positivas, embora com grandes assimetrias entre os diferentes países e regiões: por um lado, prevê-se um forte crescimento na Ásia, impulsionado pela procura interna nesses países, a qual se mantém extremamente forte, e que por sua vez tem levado a uma grande procura de commodities que tem sustentado o crescimento dos países orientados para a exportação. Por outro lado, um crescimento mais forte nos EUA do que na zona euro, e uma acentuada divergência entre os países centrais e periféricos desta região.
Na zona euro, principal mercado do Grupo Portucel, prevê-se um crescimento moderado e, tal como referido, com grande variação entre os diferentes países, existindo alguns factores de incerteza que poderão ter um impacto negativo. Entre estes, destaca-se a evolução do euro em relação a outras moedas, nomeadamente o dólar, o efeito das medidas de consolidação orçamental em curso em muitos países europeus, as restrições ao financiamento bancário à economia e a crise financeira dos países periféricos.
Já nos EUA, os indicadores da actividade económica têm evoluído positivamente, esperando-se um crescimento mais robusto, suportado por uma procura interna mais forte e por uma gradual recuperação do mercado de trabalho. Adicionalmente, as políticas macroeconómicas mantêm-se expansionistas e os sectores financeiro e empresarial estão mais bem preparados para apoiar o crescimento do que na zona euro.
Neste enquadramento, as expectativas de evolução da actividade de papel do Grupo para os próximos meses têm que se manter prudentes. As medidas de consolidação orçamental, transversais a grande parte dos países europeus, assim como as baixas, ou mesmo negativas, taxas de crescimento económico que se espera para os países periféricos da zona euro, importantes mercados para o Grupo Portucel, podem influenciar negativamente o consumo.
A manutenção de uma taxa de desemprego elevada na Europa e EUA também penaliza de forma importante o consumo de papel, nomeadamente de papel de escritório, segmento que representa mais de 50% do volume de vendas do Grupo
Adicionalmente, a entrada em funcionamento de novas capacidades de papel na Ásia poderá trazer algum desequilíbrio ao mercado, principalmente se a taxa de câmbio EUR/USD registar uma evolução desfavorável aos produtores europeus, retirando-lhes competitividade em mercados overseas, nomeadamente no Médio Oriente e no Norte de África, que têm sido destino importante das exportações europeias.
Por último, também a evolução futura dos preços da pasta, cujo valor elevado tem sustentando o preço de venda de papel, poderá ter um impacto significativo na actividade.
No mercado da pasta, o principal factor de incerteza advém da sustentabilidade dos níveis de procura provenientes da China. Algum abrandamento do consumo neste mercado, já evidenciado durante quase todo o ano passado, associado à reentrada em funcionamento da capacidade temporariamente retirada, provocou alguns desequilíbrios, que se traduziram num ajustamento no preço. Por outro lado, os aumentos de capacidade de produção de papel que se estão a verificar na Ásia, nomeadamente na China, e o fecho de capacidade obsoleta que está em curso neste País poderão constituir factores de sustentabilidade da procura a médio prazo. A retoma das importações chinesas verificada no final de 2010 constitui um indicador positivo dessa tendência.
De realçar, no entanto, que a decisão do Grupo de progredir ao longo da cadeia de valor, aumentando significativamente a produção de papel, integrando cada vez mais pasta em papel e aumentando a produção de energia, faz com que a exposição da Portucel à volatilidade do mercado da pasta seja muito reduzida.
No negócio de energia, após a entrada em funcionamento da nova turbina a vapor para a central de cogeração a biomassa no complexo industrial da Figueira da Foz, concluiu-se o programa de investimentos que o Grupo decidiu realizar nesta área e que constitui uma forte aposta no seu crescimento sustentável. Com a actual capacidade instalada, o Grupo irá produzir o equivalente a cerca de 5% de toda a energia eléctrica produzida em Portugal, obtida na sua grande maioria a partir de recursos renováveis – biomassa florestal e subprodutos de exploração.
O Grupo prossegue igualmente o processo de análise das possibilidades de expansão internacional no Hemisfério Sul, de forma a tomar as respectivas decisões com a segurança necessária.














