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Valnor e a Secil assinam em SetúbalContrato de fornecimento de combustíveis derivados de resíduos sólidos urbanos

O Secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, congratulou-se, na quinta-feira, com a assinatura do contrato de fornecimento de combustíveis derivados de resíduos sólidos urbanos entre a Valnor e a Secil.

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Valnor e a Secil assinam em Setúbal Contrato de fornecimento de combustíveis derivados de resíduos sólidos urbanos

Por Jornal Rostos

Através deste protocolo, assinado nos viveiros da fábrica do Outão, a Valnor passa a fornecer anualmente à cimenteira 30 mil toneladas de CDR’s, durante um período de dez anos, permitindo que a Secil substitua a utilização de combustíveis fósseis por alternativos, que se prevê que seja em 2011 de 45 por cento.

“Estou convencido que esta etapa primeira, feita por vós, vai trazer mais sustentabilidade quer ao sector cimenteiro, quer ao sector dos resíduos e que havemos de celebrar muitos contratos desta natureza entre entidades do nosso País”, referiu Humberto Rosa, lembrando que há muito potencial nos resíduos.

“A minha maior satisfação é que a aposta política resultou. Pode-se dizer isso claramente”, disse o Secretário de Estado do Ambiente lembrando o longo caminho que se tem feito desde 2005 no sector dos resíduos. “Em 2005 tinha-se passado das lixeiras descontroladas para aterros controlados e incineração com co-geração de energia. E muito bem. Nessa altura havia uma estratégia aprovada pelo Governo anterior para os resíduos urbanos biodegradáveis, para a matéria orgânica em que se apostava sobretudo na recolha selectiva e havia os defensores de que assim é que estava bem. Na altura o segundo plano estratégico dos resíduos sólidos urbanos, que foi aprovado, não seguiu esse caminho. Ele fez uma aposta de complementar a nossa capacidade de tratamento de resíduos com unidades de tratamento mecânico e biológico. Estão várias em construção no País. Virão a ser 23, em lugar das cerca de meia dúzia que temos hoje e que complementam os aterros, que são indispensáveis, e para os quais devemos canalizar o mínimo de matéria. Nessa altura ouvimos diversas críticas a essa opção”, recordou, explicando que desde 2009, entre o Ministério do Ambiente e o Ministério da Economia procurou-se concertar os sistemas de gestão de resíduos e as industrias, para em torno de uma estratégia nacional de combustíveis derivados de resíduos encontrarem-se os melhores usos para esses combustíveis.

“Foram identificados um milhão de toneladas/ano só de origem urbana. E hoje em dia temos um primeiro caso concreto de um contrato de fornecimento com valor positivo e temos, pelo menos, nove sistemas multimunicipais de resíduos e cinco sistemas intermunicipais de resíduos que estão prontos a investir ou já investindo em unidades de produção de CDR para muitos utilizadores potenciais que existem e que poderá ir até 51 milhões de euros de investimento. Parece-me que a aposta não estava errada. O resíduo é, também, uma oportunidade de rendimentos. Tem valores para extrair em matérias-primas, em biogás, enquanto composto e enquanto combustível derivado de resíduos”.

Para o Administrador da Secil, Carlos Abreu, “a diminuição da importação dos combustíveis fósseis, a diminuição da quantidade de resíduos enviados para aterro, a diminuição da emissão de CO2 e a valorização estratégica dos recursos endógenos” são factores que “justificam duplamente a busca de soluções técnicas e económicas que aproximem as sociedades gestoras de resíduos e das empresas que, como a Secil, as podem valorizar como matérias-primas secundárias ou combustíveis alternativos”.

Carlos Abreu manifestou, ainda, apreço pela forma como tem sido possível estabelecer, desde 2005, uma relação entre a Secil e a administração pública. “Para isso muito contribuiu o actua e anterior Governo. Temos gosto em reconhecer todo o apoio e disponibilidade que temos recebido do Governo, nomeadamente do Sr. Secretário de Estado Ambiente, Humberto Rosa, na adequação da tramitação de processos, na procura das melhores soluções para os problemas que se deparam ao país no ambiente e às empresas nacionais, da qual é um exemplo a Secil, nomeadamente na questão da gestão de resíduos”.

Lembrando a evolução sofrida pelo sector, Rui Gonçalves, Administrador da Valnor (Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos do Norte Alentejano) manifestou satisfação pela assinatura contrato que vai permitir que apenas 10 por cento dos resíduos tratados pela empresa seja enviado para aterro.

“Chegámos a este momento em que espero que através da Valnor, e do conjunto das empresas da EGF, possamos continuar a colaborar com a Secil no sentido de já não apenas resolver um problema, mas de tentar maximizar os recursos que estão à nossa disposição. Hoje sabemos que nos resíduos há valor, há recursos. E chegámos a este ponto, a este contrato em que, dentro de seis meses, da totalidade dos resíduos que a Valnor trata, apenas dez por cento vai ter como destino o aterro. Todos os outros 90 por cento ou vão para reciclagem ou produzimos composto ou produziremos cerca de 30 por centos desses resíduos como CDR. Isto dá-nos o exemplo e a imagem do caminho que conseguimos percorrer na área da gestão de resíduos nos últimos anos”, afirmou.

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