CARTA ABERTA AOS ACCIONISTAS DA FISIPE - BARREIROQue a produção de precursor de carbono seja um sucesso

Por Jornal Rostos
CARTA ABERTA
AOS ACCIONISTAS DA FISIPE
AOS ADMINISTRADORES DA FISIPE
Constituída em 1973 da fusão de interesse do grupo CUF e do grupo japonês Mitsubish, a Fisipe, vocacionada inicialmente para fornecimento de fibra ao sector têxtil nacional, teve nas cerca de quatro décadas da sua existência problemas marcantes de várias índoles, nomeadamente consequência da política de desindustrialização, da ausência de apoio ás empresa, de interesses imediatos dos accionistas em negócios de mais rápida obtenção de lucros, de negócios considerados um fracasso de mercado, da dependência e custos elevados das matérias primas, situações que obrigaram a direcciona-la para outros objectivos.
Com a aquisição pela SGL Carbon Gmbh de todas as acções detidas pela Negofor SGPS, SA e de acordo com as informações que dispomos, alterações certamente irão acontecer quer a nível de produção quer na gestão da empresa, ás quais daremos naturalmente a maior das atenções.
Como temos afirmado, defendemos o desenvolvimento na base do sector produtivo, na produção nacional como componente essencial para diminuir a dívida externa e a dependência externa.
Não será difícil de concluir que dos problemas da empresa, concretamente do desinteresse demonstrado pelos anteriores accionistas, da necessidade de investimentos, da ausência de condições a nível de financiamento e o interesse da SGL Carbon Gmbh pelas condições que a empresa oferece, são as razões para o negócio ter-se efectuado, colocando-se em alta a expectativas dos trabalhadores, quanto ao futuro, desde que se confirme no futuro o que se afirma no presente.
Da parte das Organizações Representativas dos Trabalhadores consideramos que independentemente quem são os accionistas e quem são os Administradores/Gestores da empresa, naturalmente na situação presente, é importante para o futuro:
- Que seja considerada todas as potencialidades da empresa, nomeadamente o conhecimento e experiência dos trabalhadores para a continuidade da produção de fibras têxteis especiais e fibras técnicas.
- Que a produção de precursor de carbono, como objectivo do interesse da SGL seja um sucesso em termos quantitativos e qualitativos, o que significaria igualmente um investimento com sucesso.
- Que este investimento possa significar o início de outros investimentos do grupo em causa, com benefício e contributo para o desenvolvimento tecnológico e implantação de novas tecnologias na região e porque não no Barreiro.
- Que as alterações a serem implementadas não signifiquem redução de trabalhadores mas sim a criação de mais postos de trabalho, mais emprego, abrindo oportunidades aos jovens.
- Que seja desenvolvida uma política de formação profissional contínua, no posto de trabalho, através de aperfeiçoamento profissional, para além da formação para a melhoria das qualificações.
- Que se desenvolva e consolide a promoção e prevenção da segurança e da saúde no trabalho e dada a especificidade da empresa ter em atenção à protecção de trabalhadora grávida, puérpera ou lactante. A acção nesta área não deve ser apenas para responder a obrigações legais e ou inquéritos, mas para melhorar a qualidade do trabalho e para criação de locais de trabalho saudáveis.
- Que seja praticada uma política de desenvolvimento com a participação activa dos trabalhadores enquanto cidadãos e produtores da riqueza, devendo exigir-se respeito pelos seus direitos e regalias sociais, e valorizando os salários em vigor, tanto mais que os custos de trabalho horário em euros (dados Eurostat) em 2011 era em Portugal 12,1 euros, o terceiro mais baixo ( Malta 11,9 e Estónia 8,1), nada comparável por exemplo com a Bélgica 39,3 a Dinamarca 38,6 ou mesmo com a Alemanha com 30,1.
- Que em finais de 2011, dos 321 trabalhadores da empresa, 80 estava na situação de contrato a termo, correspondendo a cerca de 25%. Actualmente o número poderá ser superior. É uma situação preocupante porque significa instabilidade nos trabalhadores e nas suas famílias, significa não aplicação de regalias sociais, com a agravante de estarem a desempenhar funções permanentes e a ser responsáveis pelo trabalho que executam numa empresa que tem certificação de qualidade. A um trabalho permanente deve corresponder a um contrato de trabalho efectivo é esta a nossa opinião. Deve haver e exige-se uma política diferente.
São de momento algumas questões que decidimos, por carta aberta, colocar-vos, com o objectivo de prepararmos um caminho sem obstáculos de maior, certos de que a maioria esmagadora dos trabalhadores certamente perfilham os nossos pontos de vista e preocupações.
Se o futuro já começou, o mesmo deve ser qualitativamente melhor do que o presente.
Para nós o desenvolvimento deve corresponder a trabalho com direitos.
Lavradio, 25 de Maio de 2012.
A Comissão de Trabalhadores
A Comissão Sindical do SITE SUL
Eleitos da SST














