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Vida

Trabalhadores da EMEF exigem soluções para a empresaManutenção dos actuais estabelecimentos oficinais

Centenas de trabalhadores concentraram-se, ontem, em Lisboa, para exigirem soluções para a EMEF de modo a que se salvaguardem os postos de trabalho e que seja desenvolvida a capacidade produtiva da empresa, ao serviço de uma manutenção e contrução de qualidade do material circulante ferroviário que o País necessita

4 min de leitura
Trabalhadores da EMEF exigem soluções para a empresa Manutenção dos actuais estabelecimentos oficinais

Por Jornal Rostos

Os trabalhadores começaram por se concentrar em frente ao Ministério da Economia, onde aprovaram uma resolução que foi entregue nesse Ministério, dirigindo-se depois para as instalações da Administração da CP, onde encontraram o portão fechado, numa atitude de quem tem a consciência pouco tranquila em relação aos trabalhadores.
Face a esta atitude de quem dirige os destinos do sector, os trabalhadores assumiram o reforçom do seu protesto, numa atitude simbólioca, fechando os portões com uma corrente, retirada só depois da saída da delegação que fez a entrega da resolução, cujo conteúdo é o seguinte:

RESOLUÇÃO

Os Trabalhadores da EMEF, concentrados junto ao Ministério da Economia decidem

1 – Repudiar as opções políticas dos sucessivos governos - agora PSD/CDS e antes do PS, que continuam a resultar na redução maciça do número de trabalhadores e no fecho de oficinas, o que dará origem à destruição da EMEF.

2 – Recordar que a maioria do material circulante da CP e todo o material circulante do Metropolitano de Lisboa foram construídos em Portugal, numa unidade entretanto destruída pelas mesmas teorias neoliberais que hoje querem estão a aplicar à EMEF. Recordar que hoje esses equipamentos, no valor de centenas de milhões de euros, têm que ser comprados a quem nos empresta dinheiro com juros de usura. Alertar que quer a CP quer o Metropolitano de Lisboa precisam com urgência de equipamento ferroviário que terá que ser importado caso não se garanta a capacidade produtiva nacional. Sublinhar que a redução do défice externo de forma sustentada só se opera pela substituição de importações por produção nacional, o caminho oposto que os diversos governos têm imposto ao nosso sector.

3 – Combater o Governo, a Administração da EMEF e da CP, no âmbito da gestão praticada em termos de produção, reparação e manutenção, que continua a dar privilégio e a optar por soluções estrangeiras, mais caras e sem garantia de trabalho para a EMEF (o aluguer das espanholas custou 30 milhões euros em 5 anos, quando a remotorização das UQE’s 600 custaria 17 milhões euros e garantiria trabalho à EMEF), contribuindo dessa forma para a baixa taxa de ocupação efectiva que se verifica actualmente.

4 – Combater a ideia pré concebida de que a única solução passa pela aplicação do Plano de Acções, o que a concretizar-se na prática significaria a extinção da empresa.

5 – Rejeitar o congelamento e redução dos salários e o roubo dos subsídios de férias e de natal, que além de inconstitucional, é uma das principais razões para a grave crise económica e social e que determina uma perda ainda mais substancial do poder de compra dos trabalhadores da EMEF.

6 – Reclamar o cumprimento integral pela Administração da EMEF do AE e RC em vigor, nomeadamente no que diz respeito às subidas de índice, ao vencimento de diuturnidades, ao pagamento de trabalho em dia feriado, ao pagamento de trabalho extraordinário e de prevenção.

7 – Combater a aplicação das alterações ao código do trabalho, aprovadas com os votos a favor de PSD, CDS e com a abstenção do PS.

8 – Mostrar discordância em relação ao desaproveitamento da capacidade instalada que se verifica, cuja mão de obra qualificada não é devidamente potenciada, quer na vertente diesel, quer na eléctrica.

Por outro lado, os Trabalhadores da EMEF reivindicam e lutam:

Por uma estratégia de desenvolvimento sustentado para a EMEF, que exige o alargamento de valências à construção de material circulante,

. Em defesa dos postos de trabalho,

. Pela manutenção dos actuais estabelecimentos oficinais.

. Pela aprovação pelo Governo, de um Plano de Desenvolvimento do Sector Ferroviário, inserido no quadro do Aparelho Produtivo Nacional, para a área da manutenção, reparação e construção de material circulante ferroviário, que estude as necessidades futuras de equipamentos e garanta a máxima incorporação nacional na sua construção e garanta a manutenção nacional dos actuais e futuros equipamentos, incorporando aqui uma estratégia de desenvolvimento sustentado para a EMEF,

. Em defesa pela viabilidade e do know-how existente na EMEF (na situação atual a existir necessidade de 1 comboio ele tem que vir do estrangeiro),

. Pela valorização real dos salários, e em defesa da contratação colectiva,

. Pelo cumprimento do Acordo de Empresa e do Regulamento de Carreiras,

- Pela elaboração de escalas humanizadas que salvaguardem e dignifiquem a articulação entre a vida familiar e profissional,
NEM EXTINGUIR, NEM PRIVATIZAR!
PELO DESENVOLVIMENTO DA EMEF E DO PAÍS!

Lisboa, 26 de Julho de 2012

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