Trabalhadores da EMEF exigem soluções para a empresaManutenção dos actuais estabelecimentos oficinais

Por Jornal Rostos
Os trabalhadores começaram por se concentrar em frente ao Ministério da Economia, onde aprovaram uma resolução que foi entregue nesse Ministério, dirigindo-se depois para as instalações da Administração da CP, onde encontraram o portão fechado, numa atitude de quem tem a consciência pouco tranquila em relação aos trabalhadores.
Face a esta atitude de quem dirige os destinos do sector, os trabalhadores assumiram o reforçom do seu protesto, numa atitude simbólioca, fechando os portões com uma corrente, retirada só depois da saída da delegação que fez a entrega da resolução, cujo conteúdo é o seguinte:
RESOLUÇÃO
Os Trabalhadores da EMEF, concentrados junto ao Ministério da Economia decidem
1 – Repudiar as opções políticas dos sucessivos governos - agora PSD/CDS e antes do PS, que continuam a resultar na redução maciça do número de trabalhadores e no fecho de oficinas, o que dará origem à destruição da EMEF.
2 – Recordar que a maioria do material circulante da CP e todo o material circulante do Metropolitano de Lisboa foram construídos em Portugal, numa unidade entretanto destruída pelas mesmas teorias neoliberais que hoje querem estão a aplicar à EMEF. Recordar que hoje esses equipamentos, no valor de centenas de milhões de euros, têm que ser comprados a quem nos empresta dinheiro com juros de usura. Alertar que quer a CP quer o Metropolitano de Lisboa precisam com urgência de equipamento ferroviário que terá que ser importado caso não se garanta a capacidade produtiva nacional. Sublinhar que a redução do défice externo de forma sustentada só se opera pela substituição de importações por produção nacional, o caminho oposto que os diversos governos têm imposto ao nosso sector.
3 – Combater o Governo, a Administração da EMEF e da CP, no âmbito da gestão praticada em termos de produção, reparação e manutenção, que continua a dar privilégio e a optar por soluções estrangeiras, mais caras e sem garantia de trabalho para a EMEF (o aluguer das espanholas custou 30 milhões euros em 5 anos, quando a remotorização das UQE’s 600 custaria 17 milhões euros e garantiria trabalho à EMEF), contribuindo dessa forma para a baixa taxa de ocupação efectiva que se verifica actualmente.
4 – Combater a ideia pré concebida de que a única solução passa pela aplicação do Plano de Acções, o que a concretizar-se na prática significaria a extinção da empresa.
5 – Rejeitar o congelamento e redução dos salários e o roubo dos subsídios de férias e de natal, que além de inconstitucional, é uma das principais razões para a grave crise económica e social e que determina uma perda ainda mais substancial do poder de compra dos trabalhadores da EMEF.
6 – Reclamar o cumprimento integral pela Administração da EMEF do AE e RC em vigor, nomeadamente no que diz respeito às subidas de índice, ao vencimento de diuturnidades, ao pagamento de trabalho em dia feriado, ao pagamento de trabalho extraordinário e de prevenção.
7 – Combater a aplicação das alterações ao código do trabalho, aprovadas com os votos a favor de PSD, CDS e com a abstenção do PS.
8 – Mostrar discordância em relação ao desaproveitamento da capacidade instalada que se verifica, cuja mão de obra qualificada não é devidamente potenciada, quer na vertente diesel, quer na eléctrica.
Por outro lado, os Trabalhadores da EMEF reivindicam e lutam:
Por uma estratégia de desenvolvimento sustentado para a EMEF, que exige o alargamento de valências à construção de material circulante,
. Em defesa dos postos de trabalho,
. Pela manutenção dos actuais estabelecimentos oficinais.
. Pela aprovação pelo Governo, de um Plano de Desenvolvimento do Sector Ferroviário, inserido no quadro do Aparelho Produtivo Nacional, para a área da manutenção, reparação e construção de material circulante ferroviário, que estude as necessidades futuras de equipamentos e garanta a máxima incorporação nacional na sua construção e garanta a manutenção nacional dos actuais e futuros equipamentos, incorporando aqui uma estratégia de desenvolvimento sustentado para a EMEF,
. Em defesa pela viabilidade e do know-how existente na EMEF (na situação atual a existir necessidade de 1 comboio ele tem que vir do estrangeiro),
. Pela valorização real dos salários, e em defesa da contratação colectiva,
. Pelo cumprimento do Acordo de Empresa e do Regulamento de Carreiras,
- Pela elaboração de escalas humanizadas que salvaguardem e dignifiquem a articulação entre a vida familiar e profissional,
NEM EXTINGUIR, NEM PRIVATIZAR!
PELO DESENVOLVIMENTO DA EMEF E DO PAÍS!
Lisboa, 26 de Julho de 2012














