Universidade de Coimbra acolheConferência Luso-Brasileira sobre Acesso Aberto
Por Jornal Rostos
Direitos de Autor, Preservação Digital, Sistemas de Gestão da Ciência e Tecnologia, Políticas e Mandatos de Acesso Aberto e Ciência Aberta, são alguns dos temas em análise na 5ª Conferência Luso-Brasileira sobre Acesso Aberto, que tem início, pelas 9 horas (dia 6 de outubro), no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra (UC).
Segundo a organização, este grande encontro pretende essencialmente «promover a partilha, discussão, produção e divulgação de conhecimentos, práticas e pesquisa sobre o acesso aberto em todas as suas dimensões e perspetivas, servindo de catalisador à disseminação de políticas, investigação e desenvolvimento na área».
Como funciona o Acesso Aberto?
Por Ana Maria Eva Miguéis,
Coordenadora do SIBUC - Serviço Integrado das Bibliotecas da Universidade de Coimbra
Independentemente das áreas em que trabalham, os investigadores publicam os seus resultados para afirmarem a sua autoria mas também para permitir que outros investigadores desenvolvam novas pesquisas a partir deles. Muitos artigos científicos não são acessíveis a uma parte significativa dos investigadores a quem poderiam interessar. As limitações ao acesso daqui decorrentes traduzem-se numa perda de eficiência do sistema de comunicação da ciência e na atrofia do impacto e reconhecimento dos resultados alcançados pelos investigadores e pelas instituições onde trabalham.
O trabalho dos autores/investigadores pode ser disponibilizado num formato de Acesso Aberto, através de duas vias. Uma delas consiste em publicar em revistas de acesso livre: revistas científicas que oferecem um nível de revisão pelos pares (peer-review), de edição e publicação comparável às revistas tradicionais, mas que se encontram acessíveis, sem necessidade de compra ou assinatura. Estas revistas científicas de acesso aberto têm vindo a multiplicar-se (v.g. Directory of Open Access Journals, DOAJ).
A outra via é o “auto-arquivo” num repositório de acesso aberto. Recorrendo a este procedimento, os autores podem depositar os seus artigos em repositórios de disciplina (temáticos ou institucionais) que se têm desenvolvido nas universidades a um ritmo crescente. Listas abrangentes desses repositórios podem ser consultadas em Registry of Open Access Repositories (ROAR) ou Directory of Open Access Repositories (Open DOAR).
“Auto-arquivar” num repositório institucional ou num repositório temático é preferível à disponibilização em páginas web pessoais ou departamentais porque os trabalho sãos armazenados e geridos de forma mais eficaz, e tornam-se mais visíveis e facilmente pesquisáveis e recuperados, através de padrões de interoperabilidade e/ou com metade dos descritivos de maior qualidade.
O Acesso Aberto aumenta a visibilidade e o impacto da investigação desenvolvida, através de uma maior acessibilidade, o que representa uma vantagem óbvia das universidades, e suas unidades orgânicas (centros de investigação), assim como dos investigadores individualmente considerados.
Considerando que o crescente número de citações contribui fortemente para o reconhecimento da qualidade da pesquisa, as estatísticas dos repositórios não representam, apenas uma mera curiosidade sobre hábitos de navegação na comunidade académica, mas um meio essencial com repercussões económicas. Quer as citações, quer os downloads representam uma evidência do uso dos trabalhos de investigação. São muitos os estudos que demonstram que os downloads de artigos em acesso aberto estão fortemente correlacionados com subsequentes citações.
As vantagens desta iniciativa passam, enfim, por tomar consciência de que o Acesso Aberto promove a visibilidade, acessibilidade e difusão dos resultados da atividade científica de cada investigador, de cada universidade ou organização de investigação, assim como de cada país, já que potencia o uso desses resultados e o decorrente impacto na comunidade científica internacional.
A Universidade de Coimbra aderiu ao movimento do Acesso Aberto, dispondo de um repositório digital da produção científica, designado ESTUDO GERAL, (http://estudogeral.sib.uc.pt/) com o objetivo de divulgar conteúdos digitais de natureza científica.
Coimbra, 03-10-14














