Saltar para o conteúdo
Vida

Alunos da Escola de Santo André em iniciativa sobre acessibilidades para pessoas com deficiência

Em comemoração do ano Europeu das Pessoas com Deficiência, a Escola de Santo André, desenvolveu, no passado dia 09 de abril, um conjunto de actividades teórico-práticas denominadas “ESSAcessibilidades – Eu,Tu,Ele,Nós”.
5 min de leitura
Alunos da Escola de Santo André em iniciativa sobre acessibilidades para pessoas com deficiência

Por Rita Matos

A criação de um espaço de discussão, de trocas de ideias e de experiências acerca da problemática da deficiência na sociedade de hoje, e o intuito de sublinhar a diferença como factor de crescimento global e integração de cada indivíduo foram os principais objectivos desta iniciativa dos alunos do 11º ano da Formação Técnica de Desporto, da Professora de Desporto, Dr.ª Helena Sousa e do Professor dos Apoios Educativos, Dr. Carlos Feijão.
A actividade começou com a apresentação dos elementos da mesa, constituída pela Moderadora do debate e Presidente do Concelho Pedagógico, Dr. Manuela Canais Rocha, pela Directora do Departamento de Assuntos Sociais da Câmara Municipal do Barreiro, Dr.ª Ana Paula (o vereador Amílcar Romano não pôde estar presente), pela Professora de Desporto, Dr.ª Helena Sousa e pelo Mestre João Casal, Coordenador da Equipa de Coordenação dos Apoios Educativos.
Seguiu-se o Visionamento do filme “Pelo Barreiro, à descoberta das acessibilidades”, realizado pelos alunos e pela professora de desporto, e subordinado ao tema “ Deficiência: que (in)acessibilidades? Eu,Tu,Ele,Nós: que responsabilidades?”.
Após o filme, coube ao Mestre João Casal falar sobre “a mudança de mentalidade e a criação de uma escola diferente para a diferença na escola”, referindo que “Portugal é um país vanguarda em termos de criação de escolas diferentes”, e que embora as mudanças sejam poucas, Portugal já evoluiu muito “ Antes as pessoas diferentes eram consideradas imbecis, idiotas, hoje, felizmente, já não é assim...”. O Mestre continuou o seu discurso realçando as mudanças que devem ser feitas na escola, desde a criação de barreiras arquitectónicas, acessibilidades, recursos materiais adequados, estrutura curricular, à mudança de mentalidades, e chegou mesmo a apontar o dedo à política no nosso país “muitos dos que hoje estão no governo, esqueceram-se do que disseram quando ainda não estavam no poder”, no sentido de mudar a estrutura pedagógica/administrativa.
O sentido de mudança e os factores adversos a esta e à própria escola, como a inadequação da organização administrativa e pedagógica e o processo de construção do currículo, bem como o papel do docente na forma de igualdade de oportunidades e a participação activa do aluno, foram pontos muito comentados por João casal “é preciso que cada um invista ao seu ritmo, há indivíduos que não podem ser doutores, mas que têm grandes qualidades noutras áreas”.
A representante da autarquia, Dr.ª Ana Paula, seguiu o debate e realçou o papel da autarquia no sentido de trabalhar nas áreas de deficiência “existem muitas carências a diversos níveis, mas já temos cinco pessoas a trabalhar nestas áreas e várias instituições que prestam apoio em termos de habitação, garantindo que a Câmara constituirá sempre um pilar de apoio e ajuda a este problemas que afectam a sociedade, embora não cheguem a todos “temos casos dramáticos, mas não podemos chegar a todos, tentaremos fazer o nosso melhor para solucionar muitos deles”.
Outra das partes do fórum debate foi inteiramente dedicada “aos Paralimpicos e à participação dos deficientes no desporto”, e o visionamento do filme sobre o tema e os depoimentos dos atletas com deficiência, comoveram os presentes.
Paulo Gonçalves, do departamento Técnico da Federação de Desporto para Deficientes, comentou o filme, legendado em inglês, em parceria com os atletas paralimpicos portugueses, de natação e futebol sete, “ muitos de nós não temos consciência do que os deficientes são capazes de fazer”, respondeu Paulo Gonçalves à expressão dos presentes.
A terminar o fórum/debate, coube ao público expôr duvidas, esclarecidas pelos elementos da mesa e pelos atletas, que testemunharam as dificuldades por que passaram em termos de discriminação “durante o período escolar passei por algumas dificuldades, fui posta de lado nas actividades de educação física, e a alternativa eram os testes escritos, mais tarde, tive a sorte de ter um professor que me avaliou a parte prática, embora tivesse suscitado alguma polémica entre os meus colegas”, referiu, bem disposta, a atleta de natação, Maria João Morgado.
A última sentença foi dada pelo Mestre João Casal, a qual mereceu o elogio por parte dos outros elementos da mesa e do público em geral, na referência à questão das acessibilidades arquitectónicas serem úteis a todos e não só aos deficientes “uma rampa é sempre preferível a uma escada, um idoso, um carrinho de compras ou um carrinho de bebé preferem uma rampa...”
A tarde foi preenchida pela demonstração de algumas modalidades desportivas paralimpicas, como o Boccia, o Goalball, o voleibol e o atletismo, e pela participação dos alunos da escola nas mesmas.
A Escola de Santo André, os alunos da área de Desporto, bem como os professores responsáveis, receberam o aplauso e o elogio de todos pela iniciativa dinamizada, e prometeram não ficar por aqui “avançando cada vez mais e melhor, relembrando sempre os direitos de igualdade, e as capacidades das pessoas ditas “diferentes” que muitas vezes são esquecidas”.
Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção