Saltar para o conteúdo
Vida

Joan Manuel del Pozo, professor da Universidade de Girona, Espanha«Para nós Setúbal é um exemplo de cidade educadora»

Setúbal foi esta manhã apontada como um concelho modelo em termos de governança local, no âmbito do modelo de cidade educadora, destinado à execução de um conjunto de políticas com valores positivos, envolvendo pessoas e instituições.

5 min de leitura
Joan Manuel del Pozo, professor da Universidade de Girona, Espanha «Para nós Setúbal é um exemplo de cidade educadora»

Por Jornal Rostos

“Para nós Setúbal é um exemplo de cidade educadora. E exemplo é o melhor veículo educador”, salientou Joan Manuel del Pozo, professor da Universidade de Girona, Espanha, e antigo autarca, no seminário “Cidades Educadoras e Governança Local”, realizado na Casa do Largo, em Setúbal, com organização da Câmara Municipal de Setúbal.

Joan del Pozo falava, esta manhã, num seminário que se estende até amanhã e que contou, na sessão de abertura, com intervenções da presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, e da secretária-geral da Associação Internacional das Cidades Educadoras, Marina Canals.

“Educar é ensinar, é transmitir conhecimentos”, mas é, igualmente, afirmou, “transmitir todo um conjunto de valores da vida, que têm a ver com as emoções e com os laços sociais que nos constituem como humanos”.

No início do seu discurso, Joan del Pozo abordou ainda a capacidade de melhoria permanente na área da educação.

“Em todo o momento, qualquer pessoa, em qualquer idade, pode ser melhorada em relação a si mesma e educada. Aquilo que caracteriza o ser humano é a sua educabilidade permanente.”

Por outro lado, “nascemos com uma precariedade extraordinária. Não há nada mais precário no universo do que um bebé humano. Para que essa precariedade seja superada é necessária uma alta sociabilização”.

Parafraseando o sociólogo polaco Zygmunt Bauman, Joan del Pozo falou da ideia de uma sociedade líquida, de uma época caracterizada pelo triunfo da fluidez, do preçário e do transitório.

“Essa liquidez quer dizer que os valores da vida fluem, vão-se, trocam-se. Vivemos num mundo de modas”, indicou, referindo-se à condição da sociedade em que vivemos, em todas as suas dimensões, tanto estruturais, como no plano material e económico, como na esfera da vida afetiva.

“Os valores educativos não estão na ordem do dia. Os valores competitivos, a agressividade, todos contra todos, sim”, questão que deve, considera, ser contrariada nos valores fundamentais das cidades educadoras.

“A educação é transversal. Somos todos sujeitos e atores de educação. Somos educáveis e educadores como indivíduos e como coletivos”, reiterou.

Neste encontro, dinamizado com o objetivo de aferir o envolvimento do município com os princípios das Cidades Educadoras e os contributos alcançados para o crescimento de Setúbal nesse papel, Maria das Dores Meira fez questão de sublinhar os objetivos pragmáticos do presente mandato autárquico em matéria de educação.

“Entendemos a cidade enquanto espaço educativo onde se educa através de projetos e atividades, seja nas áreas da cultura, participação, ambiente, património ou da juventude, e que resulta do investimento em equipamentos culturais, desportivos, escolares, sociais ou da recuperação do património, entendido também como identidade e memória e preservação do ambiente.”

Os programas municipais “Ouvir a População, Construir o Futuro”, “Nosso Bairro, Nossa Cidade”, “Setúbal Mais Bonita”, a delegação de competências nas juntas de freguesias, o funcionamento do Gabinete de Participação Cidadã e dos conselhos municipais de Educação, Desporto, Segurança e Ação Social e o Fórum da Juventude foram mencionados como exemplos de boas práticas na área da participação.

Na esfera da inclusão e interculturalidade, o município promove ações como Setúbal, Cidade de Aprendizagem, o Setúbal, Etnias e Imigração, o Programa de Intervenção Territorial na Anunciada, o Grupo Envelheseres e o Desportivamente em (Re)Forma e o Grupo Concelhio da Deficiência.

Maria das Dores Meira apontou ainda o trabalho que é realizado na cidade ao nível da sustentabilidade.

É disso exemplo o Plano Municipal de Mobilidade, o Pacto de Autarcas, a histórica obra que constitui o Parque Urbano da Várzea e as bacias de retenção da Várzea e da Algodeia, o Centro Interpretativo do Roaz Corvineiro, o Moinho de Maré da Mourisca e a participação no Clube das Mais Belas Baías do Mundo.

“Em matéria de sustentabilidade temos, aliás, um vasto conjunto de ações que vale a pena referir, como a Arrábida Sem Carros, programa com que retirámos da serra milhares de viaturas no período balnear e devolvemos a todos os utentes daquele espaço a necessária segurança, ou, ainda, o Selo Verde, a Eco Escola e a Escola Azul”, enumerou ainda a autarca.

Da parte da tarde decorreu um workshop, a cargo de Angélica Sátiro, da Universidade de Barcelona, destinado à reflexão em torno do potencial educador dos vários agentes e sobre estratégias para criação de sinergias e melhoria da governança municipal.

Esta ação incluiu intervenções do vereador da Educação na Câmara Municipal de Setúbal, Ricardo Oliveira, e da secretária-geral da Associação Internacional das Cidades Educadoras, Marina Canals.

O seminário “Cidades Educadoras e Governança Local” inclui, ainda, no dia 4, às 10h30, na Bela Vista, uma apresentação do programa municipal Nosso Bairro, Nossa Cidade, a decorrer, desde 2012, em cinco bairros daquela zona da cidade de Setúbal.

A sessão, conduzida pelo vereador da Câmara Municipal de Setúbal responsável pelo programa, Carlos Rabaçal, com a participação de moradores, inclui uma visita aos bairros da Bela Vista, Alameda das Palmeiras, Forte da Bela Vista, Quinta de Santo António e Manteigadas, seguido de um almoço confecionado por moradores.

Fonte - CMS

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção