No BarreiroUTIB - As raízes do poeta Manuel Monteiro

Por Jornal Rostos
Foi num ambiente de emoção e de vivências partilhadas que Manuel Monteiro deu a conhecer o trabalho que tem vindo a fazer ao longo dos anos, um trabalho que espelha a sua vida e uma inegável ligação à terra e ao Alentejo profundo que o viu nascer. Uma exposição que pode ser vista até finais de Agosto, no Edifício Américo Marinho no Parque da Cidade.
A exposição é composta por uma série de trabalhos literários e poéticos já publicados e por trabalhos que conjugam poesia e desenho, dando corpo a momentos e pessoas que marcaram a sua vida. Em todos os trabalhos se percebe a inegável presença das raízes alentejanas, de um percurso de vida talhado pelas suas próprias mãos. São 84 anos de vida que equivalem a muitas décadas de experiências e vivências, uma vida muitas vezes dura, mas que não apagou em Manuel Monteiro a vontade de a viver plenamente. Só depois de abandonar o mundo do trabalho é que este artista começou a dedicar-se a esta forma de arte popular.
Esta exposição cumpre, assim, um dos objectivos primordiais da UTIB: ir buscar aos seus alunos e à própria população barreirense contributos para reforçar a memória colectiva. Deste modo, sendo Manuel Monteiro aluno da UTIB, não só se cumpre este objectivo, como se enriquece a cultura do Barreiro e se homenageia uma vida exemplar.
Segundo Artílio Baptista, Coordenador do Voluntariado da UTIB, “apresentar o Manuel Monteiro tem o significado de uma justa homenagem ao Homem que, depois de aposentado, recusou a sua pertença ao grupo dos que se consideram mortos e morrem, optando, antes, por buscar a sua própria redescoberta e reinvenção, enveredando, assim, por uma forma de vida exemplar. Exemplar porque nos transmite o saber, de experiência feito, acumulado ao longo dos seus 84 anos de existência, pela farta sensibilidade e capacidade de observação manifestadas nos seus escritos e, ainda, nas suas conversas”.
O Vereador Amílcar Romano esteve também presente na inauguração desta exposição que ficou marcada por momentos emotivos, pela leitura de poemas da autoria de Manuel Monteiro e pelos sons da música tradicional alentejana que tocava em pano de fundo. Na ocasião, Amílcar Romano referiu que “momentos como este representam um dos aspectos mais profundos deste projecto [UTIB] e reflectem o ambiente de solidariedade, de valorização das pessoas independentemente da sua idade e condição. Há sempre nelas um gesto e uma palavra amiga, como acontece com Manuel Monteiro. A capacidade que o voluntariado começou a ter reflecte o trabalho de todos aqueles que fazem da UTIB o que ela é. Daí emergem este tipo de iniciativas, como esta exposição, que mostra o percurso de vida deste artista e faz com que viva mais e melhores anos.”
A vida de Manuel Monteiro em “pinceladas” largas
Manuel Lourenço Lopes Monteiro nasceu no Alentejo, em Pias, a 30 de Novembro de 1921. Foi quase tudo na vida, daquilo que mais duro esta pode reservar a quem tem direito a vivê-la com dignidade. É por isso que confessa:
“Os meus livros de contos e de poesia têm por base a experiência vivida desde a Aldeia onde nasci, passando pela Vila, até à Cidade. Foi no mundo rural que eu aprendi todos os trabalhos agrícolas (…). Na vila de Pias, onde nasci, aprendi a profissão de carpinteiro de carros. (…) Depois veio a mecanização e a minha profissão morreu. Fui obrigado a emigrar para França. Findo o contrato regressei a casa. Com a minha oficina fechada por falta de clientes, mudei-me para a cidade, empregando-me no Posto Central de Fomento Apícola – Tapada da Ajuda, como carpinteiro e apicultor. Ao fim de três anos, voltei para França para fazer mais uma campanha. Regressado ao Barreiro, estabeleci-me em mobiliário. Já reformado, comecei a escrever. Assim nasceram os meus livros…”
Manuel Monteiro é autor de livros como “A Herdade e os Pedrosas” (romance), “O Pedro Ninguém” (ficção), “Variantes de um Pensamento” (contos) ou “Sonetos de Amor e Mágoa”.














