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Vida

Na Escola da Amora consideramGoverno quer Professores desmotivados

. Greve dia 18 de Novembro

Os professores da Escola Secundária de Amora, reunidos em Plenário, convocado pela Direcção do SPGL, em moção que aprovaram, “exigem a revogação imediata das medidas atentatórias da dignidade e do respeito pela profissão docente”.

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Por Jornal Rostos

Em moção aprovada no Plenário de professores, realizado na Escola Secundária de Amora, refere-se que “no decorrer do 1º Período deste ano lectivo de 2005/2006, estão a ser cometidos os maiores atentados contra a dignidade e o profissionalismo dos professores”.

Franco declínio na opinião pública

Segundo o teor da referida moção “habituámos os sucessivos Ministérios a tudo, desde comprarmos nós os lápis, canetas, papel, acetatos, e, já agora, porque não, computadores, a oferecermos horas e dias de trabalho muito para além das “famosas” 35 horas semanais, inclusive muitas vezes em período de férias, e não só não sendo recompensados por isso, como também não ganhando o respectivo subsídio de alimentação, como é o caso, pelo menos, da maioria dos Conselhos Executivos, por forma a possibilitarem o lançamento do ano lectivo seguinte no curto espaço de tempo que lhes é imposto”
Refere ainda “aceitamos passivamente a indiferença dos media perante o nosso sentimento de desmotivação e revolta” e que ”somos, como consequência, a classe em mais franco declínio na opinião pública”

As condições de trabalho e as instalações

Acrescenta-se na moção que “exigem que nos tornemos, além de pedagogos, psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, verdadeiros bombeiros em época de incêndios, apagando fogos por os todos” e por outro lado “nos comparam sempre aos outros países da Europa, esquecendo-se no entanto de mencionar, pelo menos, as condições de trabalho e as instalações. E quando o salário não é esquecido, fazem-se comparações aberrantes, das quais resultaria a conclusão de que, nalguns países, o salário dos respectivos professores seria, nalguns casos ... inferior ao respectivo salário mínimo nacional”

A taxa de doenças psiquiátricas é a mais elevada

Na referida moção sublinha-se que “os professores europeus estarão efectivamente mais horas na escola, particularmente na componente não lectiva, mas trabalham em conjunto, preparando estratégias, realizando trabalhos multidisciplinares, preparando aulas, fazendo e corrigindo testes. Pouco ou nada é feito em casa, solitariamente. Mais, enquanto nas nossas escolas, professores com depressões gravíssimas se arrastam penosamente - é a classe profissional onde a taxa de doenças psiquiátricas é a mais elevada - na Alemanha, por exemplo, à primeira recaída de uma depressão tem-se direito à reforma por inteiro”

A hora de dizer basta

Neste contexto a moção aprovada na Escola Secundária de Amora, salienta que “perante os atropelos, a intolerância e a postura do actual Governo, chegou a hora de dizer BASTA! Chegou a hora de exigir nas escolas as esferográficas, o papel, as transparências, os marcadores e demais material que todos os dias compramos do nosso bolso! Chegou a hora de os Conselhos Executivos e respectivos assessores gozarem integralmente os dias de férias a que têm direito, mas que não gozam para permitirem o lançamento do ano lectivo seguinte. Chegou a hora de exigir a aquisição, pelas escolas, de todos os materiais indicados pelo próprio Ministério como necessários para o processo de ensino/aprendizagem das diversas disciplinas! Chegou a hora de dizer NÃO aos atropelos e às pressões impostas pela natureza e pela extensão dos próprios programas. Chegou a hora de dizer NÃO às “flores” que fazemos nas horas que fomos obrigados a marcar nos nossos horários”

Condições de trabalho condignas

Os professores da Escola da Amora referem que “nunca rejeitámos, nem rejeitamos, um horário de 35 horas semanais na escola. Pelo contrário, defendemos mesmo que a totalidade do horário dos professores, qualquer que fosse a sua duração, deveria ser vivida na escola. Só que, infelizmente, não estamos na Suécia, na Alemanha ou na Finlândia, ou noutro qualquer país onde as escolas têm gabinetes de trabalho condignos, com material de trabalho condigno, com condições de trabalho condignas
Por outro lado referem que “as medidas do actual Governo são equiparáveis a começar a construir uma casa pelo telhado: impõe-se administrativamente um horário, sem olhar aos “alicerces”, às condições e aos meios, sem olhar à viabilidade e mesmo à utilidade pedagógica de tais medidas. Partir do princípio de que, pelo facto de os professores passarem mais tempo na escola, se irá melhorar a qualidade de ensino, em actividades desmotivantes tanto para alunos como para professores, de sucesso duvidoso, é partir de um princípio errado. As actuais medidas, não só não vão melhorar a qualidade do ensino e a vida nas escolas, como também não vão transformar em professores dedicados e cumpridores aqueles que nunca o foram, não são, nem serão. Pelo contrário, estas medidas estão, isso sim, a criar desmotivação e desalento à maioria daqueles que toda a vida se dedicaram ao ensino e aos alunos, com abnegação e dedicação, dedicando-lhes horas que nunca contabilizaram, muito para além de qualquer horário”
Acrecentam que “este Governo está a transformar professores por vocação em professores por obrigação, desmotivados, automatizados, meros cumpridores de horários que lhes são impostos.

Apoiar a Greve de 18 de Novembro

Os professores da Escola Secundária de Amora, reunidos em Plenário, no dia 27 de Outubro, pelas 13:30 horas, convocado pela Direcção do SPGL, exigem a revogação imediata das medidas atentatórias da dignidade e do respeito pela profissão docente, nomeadamente:

- do Despacho 17387/2005, cuja aplicação originou irregularidades chocantes, coarctando direitos dos professores, consagrados no Estatuto da Carreira Docente;
- da Lei nº 43/2005, que se traduziu no ROUBO do tempo de serviço prestado pelos docentes;
- a consagração do princípio de que a profissão docente é uma profissão de desgaste, com direito ao consequente regime especial de aposentação, tanto ordinária como voluntária;
- a consagração do princípio universal de “melhor graduação, melhor colocação, em todas as fases do Concurso de Professores”, bem como a manutenção do seu carácter anual e nacional;
- apoiar a greve geral e a manifestação nacional de educadores e professores, convocada pela FRENROF, FNE E SINDEP, para o próxima dia 18 de Novembro.

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