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Vida

Federação Nacional do Ensino e Investigação comenta“BANDA LARGA NAS ESCOLAS PORTUGUESAS E O RESTO…”

“Existe um défice de computadores nas escolas portuguesas, isto é, o número de hardware existente é insuficiente, tanto para a utilização de professores a título individual ou por Departamentos, como para utilização dos alunos, quer em sala de aula, quer em actividades não lectivas extra-curriculares” – refere o comunicado que recebemos na nossa redacção.

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Por Jornal Rostos

Divulgamos o texto integral do Comunicado de Imprensa: “Banda Larga nas Escolas Portuguesas e o Resto...” que recebemos da FEDERAÇÃO NACIONAL DO ENSINO E INVESTIGAÇÃO:

O Senhor primeiro-ministro, muito a propósito da visita de Bill Gates a Portugal, anunciava, ontem, o terminus da ligação à Internet em banda larga nas cerca de 8200 escolas públicas do ensino básico e secundário, esquecendo-se de acentuar que é essencial o desenvolvimento das competências nesta matéria no 1º Ciclo e, neste sentido, nada disse.
Cidadãos, Professores, Pais/Encarregados de Educação e Alunos podem, assim, se contentar por sermos, desta feita, o terceiro país da UE a completar este processo de rede nacional de banda larga, porém com fortes limitações e cheio de intenções, que poderão ficar apenas pelo discurso oficial.

Hoje, a Comunicação Social destaca alguns problemas de ordem técnica em várias escolas do país, que por razões de localização geográfica, não dispõem de acesso à rede de banda larga. Todavia, para nós SINDEP/FENEI, não são os problemas de ordem técnica que nos preocupam.
Vejamos, então, muito a propósito da estadia em Lisboa do patrão da Microsoft, o que ficou por dizer aos Portugueses:

1. existe um défice de computadores nas escolas portuguesas, isto é, o número de hardware existente é insuficiente, tanto para a utilização de professores a título individual ou por Departamentos, como para utilização dos alunos, quer em sala de aula, quer em actividades não lectivas extra-curriculares;

2. as escolas portuguesas não dispõem de verbas necessárias para a aquisição, manutenção e reparação de todo o material informático: impressoras, consumíveis, papel, entre outros; bem como equipas técnicas de apoio/manutenção de software e hardware;

3. quando se fala em choque tecnológico no espaço escolar, não podemos considerar como suficientes os conhecimentos na óptica do utilizador ou a pesquisa na Internet. O choque tecnológico nas escolas vai para além disso, implica formação avançada de recursos humanos nas diversas áreas disciplinares, em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e Inglês, para garantir a utilização do computador como um instrumento de trabalho em sala de aula;

4. tal como existem critérios rigorosos para a selecção de manuais escolares, também deverá preocupar a tutela a escolha de software didáctico de utilização na sala de aula, de forma a evitar eventuais lobbies editoriais;

5. com o congelamento das carreiras dos professores, o Ministério da Educação desvirtuou a formação em exercício, contemplada no Estatuto da Carreira Docente, que permitia, sobretudo na área das novas tecnologias, que os professores andassem “a par e passo” com o avanço tecnológico e com os alunos. Esta formação não deverá ser efectuada somente na óptica do utilizador, mas sobretudo para a aquisição de competências do domínio dos programas curriculares em suporte informático e da sua implementação na sala de aula;

6. as boas práticas de utilização do computador como instrumento de trabalho em sala de aula, já existentes em algumas escolas do país, apenas se devem ao profissionalismo de muitos professores, que enquanto autodidactas procuram enriquecer as suas actividades lectivas, beneficiando em muito os seus alunos e contribuindo para a sua excelência sem qualquer reconhecimento ou mérito próprio;

7. a necessidade de garantir a constituição de uma linha de crédito especial para professores para aquisição de software e hardware, assim como, acesso à Internet gratuito ou por um preço simbólico, em local de residência ou em portátil.

Em países de referência como são a Suécia e a Noruega, a implementação do seu plano tecnológico não começou pela ligação à Internet de banda larga, mas antes pelo suficiente apetrechamento das suas escolas, de forma a não se verificarem clivagens de localização geográfica. Elaboraram, igualmente, um vasto plano a nível nacional de formação de professores nas áreas de TIC e Inglês.

O SINDEP/FENEI entende que, a liderar o choque tecnológico, será pertinente acautelar um diálogo pedagógico/didáctico em todas as escolas nacionais de forma a garantir que os professores sejam os primeiros a deter os conhecimentos necessários para a utilização do software em sala de aula, tornando o país “mais preparado para vencer as exigências”. Não basta, pois, ao Governo proclamar as virtualidades e o posicionamento moral de sermos dos primeiros países na adopção da banda larga, é que de facto, no terreno, os constrangimentos são muitos e só com uma forte planificação, gestão e domínio de uma formação avançada, poderemos encarar seriamente o avanço de Portugal nesta matéria.

Lisboa, 1 de Fevereiro de 2006

O Presidente da FENEI
e Secretário-Geral do SINDEP

Carlos Alberto Chagas

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