ESTSetúbal/IPSEstuda Poluição e Saúde Pública do Barreiro
. 958 crianças foram admitidas no Hospital do Barreiro devido a problemas respiratórios
Estudos realizados pela Escola Superior de Tecnologia de Setúbal (ESTSetúbal/IPS) demonstram que o poluente atmosférico mais prejudicial às doenças respiratórias na cidade do Barreiro é o Monóxido de Carbono. Este fenómeno tem maior incidência no Inverno e resulta sobretudo do tráfego rodoviário da cidade – conclusão que advém de um estudo sobre a qualidade do ar na cidade do Barreiro e respectivos efeitos na Saúde Pública, o qual tem vindo a ser coordenado pela ESTSetúbal/IPS desde 2003.

Por Jornal Rostos
Em análise esteve a relação entre as fontes poluidoras, a degradação da qualidade do ar na cidade e as consequências na saúde humana, principalmente em populações de risco, como a população infantil.
O estudo incidiu sobre os efeitos de diversos poluentes, nomeadamente óxidos de azoto (NOx), monóxido de carbono (CO), dióxido de enxofre (SO2), ozono (O3) e partículas inaláveis (PM10 e PM2.5), em termos de qualidade do ar interior e exterior e saúde, não descurando das condições meteorológicas e outros factores que influenciam a dispersão dos poluentes e as doenças respiratórias.
958 crianças ocorreram á urgência do Hospital do Barreiro
O Hospital Nossa Senhora do Rosário, que abrange toda a população do Barreiro (cerca de 8000 habitantes) contribuiu com dados sobre as crianças que ocorreram às urgências pediátricas com problemas respiratórios, entre Setembro de 2003 e Dezembro de 2004 (340 dias de amostragem).
Neste período, 958 crianças foram admitidas devido a problemas respiratórios como tosse, síndrome respiratório e asma. Concluiu-se, ainda, que crianças com 1 e 2 anos são as mais afectadas por este tipo de doenças, tendo sido encontrada alguma relação entre a concentração dos poluentes CO e NOx, a humidade relativa e o número de crianças atendidas com asma.
O estudo estendeu-se à qualidade do ar interior. As PM10 e PM2.5 têm sido estudadas em mais detalhe, com medições deste poluente no interior da Escola EB 23 D. Luís Mendonça Furtado e em diversas ruas da cidade. A qualidade do ar interior mostra-se cada vez mais importante, uma vez que a população passa, actualmente, cerca de 90% do seu tempo no interior de edifícios.
A concentração deste poluente mostrou-se mais elevada no interior, em dias de actividade, mostrando a importância das fontes internas, bem como da penetração do ar exterior no interior, através de janelas abertas e da re-suspensão. No exterior aferiu-se que a concentração deste poluente é mais elevada em zonas com tráfego rodoviário mais intenso, e em ruas com edifícios altos que dificultam a dispersão.
Apesar da relação entre os poluentes atmosféricos e as doenças respiratórias ter vindo a ser alvo de diversos estudos nacionais e internacionais, constitui um tema difícil, devido à existência de diversas “variáveis de confusão” que influenciam a saúde e interferem com o estudo.
A análise desta matéria em Portugal ainda não resultou em provas quantitativas, apenas sugeriu a existência de uma relação entre a Poluição Atmosférica e a Saúde Pública. Neste sentido, será importante a continuidade do trabalho desenvolvido pela ESTSetúbal/IPS no referido domínio.
Este projecto, desenvolvido no âmbito do Programa Sapiens, com o apoio financeiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia e do FEDER (projecto n.º POCTI/MGS/47247/2002), tem como entidade coordenadora a ESTSetúbal/IPS (Investigador responsável - Prof. Doutor Luís Coelho) e como parceiros o Hospital Nossa Senhora do Rosário, o Instituto de Engenharia Mecânica do Instituto Superior Técnico e a empresa IRRADIARE – Investigação e Desenvolvimento em Eng. e Ambiente, Lda.
A ESTSetúbal/IPS conta ainda com o apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (que forneceu os dados medidos pelas estações da rede de qualidade do ar do Barreiro); com a EDP produção e o Instituto de Meteorologia (que forneceram dados meteorológicos); com o Instituto Geográfico Português (que forneceu informação cartográfica) e com a Escola EB 23 D. Luís Mendonça Furtado (que colaborou na avaliação do ar interior).














