PSD Barreiro - Debate Ensino“Estamos a assistir a uma degradação muito acelerada de tudo o que é Parque Escolar”
As carências e degradação do Parque Escolar ao nível do 1º ciclo, a falta de estruturas de apoio, no Barreiro, para os estudantes universitários e o combate ao absentismo escolar, foram algumas das matérias que animaram o debate.

Por Jornal Rostos
Fátima Cunha, professora do 1º ciclo, recordou que no concelho do Barreiro existem 7 Agrupamentos, sendo 4 Agrupamentos verticais, envolvendo todos os ciclos, e 3 Agrupamentos Horizontais, envolvendo Jardins de Infância e Escolas do 1º Ciclo.
O objectivo do funcionamento das escolas em Agrupamento, sublinhou visa “assegurar o percurso sequencial do aluno, no mesmo Agrupamento”,e, ao mesmo tempo, permitir “rentabilização de recursos materiais e humanos”.
Agrupamentos Horizontais vão acabar
Fátima Cunha, salientou que ao nível do Pré-escolar e 1º ciclo, estes níveis de ensino têm “uma grande dependência da autarquia”.
Por outro lado, referiu que, os outros níveis de ensino, “num futuro não muito distante” também “vão ficar sobre a alçada das autarquias”, a todos os níveis, “excepto, felizmente, ao nível pedagógico”.
Na sua intervenção, salientou que, os “Agrupamentos Horizontais vão acabar todos”, no próximo ano lectivo.
Degradação do Parque Escolar
Fátima Cunha, referiu que ao nível do 1º ciclo e Jardins de Infância, os edifícios são todos da Câmara Municipal do Barreiro, sendo da responsabilidade da autarquia e Juntas de Freguesia a sua manutenção.
“Estamos a assistir a uma degradação muito acelerada de tudo o que é Parque Escolar” – sublinhou Fátima Cunha
Por outro lado, referiu que a Câmara Municipal do Barreiro assume o apoio de transportes em visitas de estudo, no funcionamento das Cantinas e que existe “um envolvimento da comunidade escolar nas comemorações de efemérides, sendo a Câmara Municipal um parceiro privilegiado”.
Pré Escolar e 1º Ciclo são parentes pobres
Sublinhou, ainda que, ao nível do enriquecimento curricular a Câmara Municipal do Barreiro, “assegura esta actividade quase a 100%”.
Fátima Cunha, finalizou a sua intervenção salientando que “o Pré Escolar e o 1º ciclo são os parentes pobres”.
Secundário importante na validação de competências
Leonor Marques, professora do Ensino Secundário, recordou que este nível de Ensino depende do Ministério da Educação e que existe uma colaboração pontual com a autarquia, nomeadamente, quando da realização da Feira Pedagógica, sendo a Câmara Municipal do Barreiro um parceiro que proporciona a realização de estágios de Cursos.
Segundo Leonor Marques, existem 5 escolas ao nível do ensino secundário e “não há rupturas” a registar.
Por outro lado, salientou o papel desempenhado pelas escolas do ensino secundário, na realização de cursos de adultos que contribuem para a “validação de competências”.
Escola Alfredo da Silva pioneira em Portugal
Daniel Neves, estudante da Escola Secundária Alfredo da Silva, recordou a importância daquela Escola na formação de sucessivas gerações, e, sublinhou que a criação da Escola Alfredo da Silva, no Barreiro, “não foi uma iniciativa do Estado, mas foi uma iniciativa da empresa CUF”.
Recordou que esta escola contribuiu introduzir em Portugal conceitos como “empreendorismo”, o “mérito” e a “excelência” ao nível da aprendizagem.
Referiu que antes de existir o que hoje se denomina por SASE, ou Estatuto de Trabalhador Estudante, tal foi aplicado na Escola Alfredo da Silva.
“A CUF estava na vanguarda de tudo isso” – sublinhou David Neves.
A finalizar a sua intervenção, referiu que a Escola Alfredo da Silva, continua a ser uma escola que “aposta nos Cursos Técnico-Profissionais”.
Não é fácil ser estudante universitário no Barreiro
Tiago Alves, estudante do Ensino Superior, começou por salientar que “no Barreiro há deficientes infra-estruturas de apoio aos alunos universitários”, na sua opinião as condições existentes na Biblioteca Municipal são insuficientes e não existem espaços de estudo, acrescentando que – “o Espaço B é pequeno e não tem condições”, além de ter “horários descabidos nas épocas de exames”.
Tiago Alves, referiu que embora o Barreiro não seja uma cidade com um grande pólo universitário, existem no concelho muitos estudantes universitários.
“Não é fácil ser aluno do Ensino Superior no Barreiro” – salientou Tiago Alves.
Na sua intervenção, referiu, igualmente, que as acessibilidades são precárias e criticou o facto de não existirem transportes que facilitassem o acesso ao comboio de Coina.
Tiago Alves, considerou que deveria existir mais intervenção dos empresários privados na sua relação com as escolas, acrescentando ser fundamental que se estabeleçam parecerias das empresas com as escolas.
“È preciso abrir mais as escolas às empresas. Aos grupos de interesse civil” – referiu Tiago Alves.
Não deixem morrer os Cursos Técnico-Profissionais
Oliveira Soares, ex-professor e actual formador, lamentou a falta de ligação das escolas às empresas, recordando que um dia, na Escola Alfredo da Silva, enviou 116 ofícios para empresas, a solicitar informação sobre carências que sentiam ao nível de formação, tendo em vista planear Cursos que pudessem servir mercado de trabalho e apenas obteve 12 respostas.
Oliveira Soares lamentou que se deixem “morrer os cursos Técnico- Profissionais”, acrescentando que “as nossas escolas estão a preparar alunos para o desemprego”.
A finalizar a sua intervenção defendeu um novo paradigma de aprendizagem nas escolas, tendo por base apenas, quatro disciplinas nucleares, sendo as restantes áreas atelliers de formação, pelos quais os alunos optavam de acordo com as suas apetências e interesses.
“Espaço J” não tem condições para apoiar alunos
Pedro Gomes, deputado municipal do PSD, contestou as teses de Oliveira Soares e defendeu que a “escola deve ser mais exigente”.
Por outro lado, contestou o modelo de funcionamento do “Espaço J” e defendeu a criação de um espaço que permita criar condições, no Barreiro, para os alunos do Ensino Superior.
Ana Teresa Xavier, deputada municipal do PSD, sublinhou que “não se confunda o êxito escolar com a aquisição de conhecimentos”, defendendo a valorização de “uma cultura de exigência”.
António Sousa, da JSD, colocou diversas interrogações sobre o ranking das escolas e as posições alcançadas pelas escolas do concelho do Barreiro.
Estratégias de combate ao absentismo
Miguel Amado, líder do PSD Barreiro, referiu como problema que afecta algumas escolas do concelho do Barreiro “a instabilidade do seu corpo docente” por outro lado, alertou para a importância de se proceder ao desenvolvimento de estratégias de combate ao absentismo escolar.
A finalizar, sublinhou que a escola deve ter como referência a promoção do “saber pensar” e do “saber fazer” e tudo isto, na sua opinião, implica a realização de “parcerias com o mercado de trabalho”.
No Barreiro não há muito abandono escolar
Fátima Cunha, comentou que no concelho do Barreiro, “não há muito abandono escolar”, porque existe acompanhamento das situações, nomeadamente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, referindo que existem problemas, de facto, mas relacionados com “algumas etnias e factores sociais”.
Na sua opinião, os problemas que existem resultam da existência de “famílias desestuturadas” e também pelo facto de a escola não ser apelativa, porque “não vai ao encontro da realidade e da vida”.
“A escola neste momento não está apelativa para ninguém, nem para os professores, apesar do Ministério vender a escola do sucesso” – referiu Fátima Cunha.
Dinamização da participação popular da população
Esta iniciativa dos sociais democratas do Barreiro insere-se no âmbito das acções de formação iniciadas no presente mandato, da nova Comissão Política do PSD.
“Este tipo de iniciativa de carácter pedagógico, pretende contribuir para a dinamização da participação popular da população e das forças vivas do Concelho na interacção com a vida da nossa comissão política.” – salienta a Comissão Política do PSD.














