Centro de Educação Ambiental do BarreiroEnsina as crianças do pré-primário a descobrir a natureza
“A brincar, aprende-se”
Os meninos da pré-primária recebem entusiasmados a chegada da formiguinha Matilde, símbolo do Centro de Educação Ambiental “.
A Educadora Gina falou-nos no interesse dos ensinamentos das questões ambientais para os mais pequenos: “faz parte das orientações curriculares na área do conhecimento do mundo a educação ambiental e isso é importante para os meninos, para os sensibilizar e motivar para a defesa do ambiente”.

Por Jornal Rostos
A educadora de infância Gina já está na Escola da Vila Chã (Agrupamento D. Manuel I) há cerca de 13 anos e, a respeito do ensino no pré-escolar, diz: “Dentro do Jardim de Infância trabalhamos sempre com um espírito lúdico, porque as crianças aprendem muito mais facilmente num aspecto lúdico do que num aspecto formal e a brincar aprende-se”. É nesse espírito de brincadeira que Susana Camacho, formada em engenharia do ambiente e funcionária do Centro de Educação Ambiental, vem às escolas ensinar aos meninos mais pequenos as questões do ambiente. Salienta, no entanto, que tendo em conta as idades das crianças, por vezes as questões tornam-se um pouco complexas, e por isso a forma como tem de ser trabalhado o tema é através do seu aspecto mais lúdico: “É difícil para eles perceberem o que é a energia.”
Os meninos da pré-primária recebem entusiasmados a chegada da formiguinha Matilde, símbolo do Centro de Educação Ambiental. Dispostos em mesas redondas, os seus olhos vivos e inquiridores dirigem-se para Susana Camacho que lhes perguntava o que é que fazia a formiguinha e em jeito de coro, não muito harmonioso, respondiam, ainda que ajudados pela engenheira Susana: “É ela que vê quem faz mal à natureza, porque protege o ambiente”.
Energias renováveis – “Mundo Limpo”
Nessa aula o tema era dedicado às energias renováveis, a solar e a eólica. Um tema complicado para quem tem menos de seis anos, mas com a ajuda de imagens e de desenhos para pintar, as coisas tornam-se mais fáceis. O objectivo seria conhecerem as energias renováveis, explicando-lhes que essas energias são amigas do ambiente, porque não poluem. Para levar a cabo essa, por vezes, árdua tarefa, Susana Camacho fez uso de imagens, mostrando-lhes fotografias do sol, do mar, do vento, enquanto lhes fazia perguntas sobre o que faziam cada um desses elementos. E ia dando-lhes alguma ajuda, dizendo que o sol tinha o poder de secar a roupa e que tinha muita energia, muita força e que as ondas também tinham energia, ao que logo uma das crianças no seu jeito mais inocente, interrompeu: “Eu já fui uma vez à praia das ondas”. E assim se percebia que de uma forma ou de outra o assunto estava a ser entendido pelas crianças, chegava até elas através de analogias.
Um dos momentos altos aconteceu quando Susana Camacho lhes mostrou um dos brinquedos, um pequeno helicóptero com painel solar que girava quando disposto ao sol. Perante esta maravilha da ciência todos queriam experimentar, mas ordeiramente, cada um na sua vez, lá pegavam no brinquedo que tinha uma “janela mágica”.
O incentivo – Moinhos de papel
Depois foi a vez de se dedicarem às artes plásticas, tinham um desenho para pintar com figuras relacionadas com o tema da aula. O incentivo foi logo lançado pela Susana Camacho: “Trouxe um moinho mas só para quem acabar o desenho”. E assim labutavam, uns mais afincadamente do que outros, mas todos se mostravam com vontade de ter o seu moinho de vento. Pinturas feitas, lá se foram construindo os pequenos moinhos. Para isso usaram-se os moldes dos moinhos em papel, as palhinhas, as rolhas de cortiça, e os alfinetes. E assim o moinho era construído pela ajuda da Susana Camacho. O mais difícil era depois pôr os moinhos de vento a funcionar. As crianças bem que sopravam mas os moinhos também não cooperavam. Acabavam por descobrir por eles mesmos que seria mais fácil agitá-los no ar. A brincar, aprendiam.
Importância da Educação Ambiental no pré-escolar
A Educadora Gina falou-nos no interesse dos ensinamentos das questões ambientais para os mais pequenos: “faz parte das orientações curriculares na área do conhecimento do mundo a educação ambiental e isso é importante para os meninos, para os sensibilizar e motivar para a defesa do ambiente” e adianta ainda que, para além dessas aulas dedicadas ao ambiente, também são tratadas questões relacionadas, tal como a reciclagem e acrescenta: ”também alertamos que quanto mais papel estragarem, mais árvores irão desaparecer” e isto porque, como refere: “Queremos que sejam cidadãos conscientes, interventivos e críticos”.
Considera que as crianças estão cada vez mais conscientes dos cuidados com a natureza e que chegam a passar a mensagem em casa: “nós apercebemo-nos disso porque os pais dizem que eles em casa falam dessas coisas, dizem que o lixo tem de ser separado e mesmo nós quando nos distraímos com qualquer coisas eles chamam-nos logo à atenção”.
Outras actividades
O programa de enriquecimento curricular implementado pelo Ministério da Educação para o 1ºCiclo contempla ainda as actividades de animação e de apoio à família no âmbito da educação pré-escolar que devem ser planificadas pelas escolas em articulação com as necessidades das famílias. A nível de actividades de apoio à família, os alunos da pré-primária da Escola da Vila Chã têm patinagem, actividade motora, actividades livres, música e animação, onde está incluída o ensino ambiental, cujo programa é desenvolvido pelo Centro de Educação Ambiental.
Nesse dia, os meninos seguiam para a patinagem e de moinhos de vento na mão pediam para os levar.
Andreia Lopes Gonçalves














