No Seixal pais indignadosCom fecho da Escola Secundária Moinho de Maré

Por Jornal Rostos
Divulgamos o texto integral da tomada de posição dos Pais e Encarregados de Educação:
A Direcção Regional de Educação de Lisboa ao decidir o encerramento da Escola Secundária Moinho de Maré, Corroios, Seixal, em Julho, provocou nos Pais e Encarregados de Educação dos alunos, reunidos em Assembleia de Pais discordância pela forma como foi conduzido todo o processo e indignação:
1. Por só a 28 de Abril de 2007, lhes ter sido comunicado que a Escola iria encerrar no final deste ano lectivo (ou seja em Julho);
2. Com o facto de ter sido decidido e aceite passivamente, por parte das entidades responsáveis, que esta comunidade escolar seja obrigada a deslocar-se do seu Concelho, para outro, sem se terem considerado outras alternativas;
3. Com o facto de não ter sido respeitada e valorizada a vantagem desta comunidade educativa, de ter os três ciclos de escolaridade e o secundário tão próximos. A Escola de 1º. Ciclo, de 2º. e 3º. Ciclo e de 3º. Ciclo e Secundário localizam-se no mesmo quarteirão e são servidas pelo mesmo refeitório. Realizam-se, por exemplo, no mesmo espaço e em conjunto algumas actividades escolares, nomeadamente as desportivas.
4. Com o modo como foi transmitida a decisão da Tutela, sem terem sido dadas formalmente, quaisquer garantias, de continuidade pedagógica, de ingresso e de acessibilidade às novas Escolas propostas.
Assim perante a indignação acima exposta, mas não resignados, exigem que:
a) Os alunos que integram a mesma turma na Escola Moinho de Maré mantenham o mesmo grupo/turma na nova Escola, se os respectivos Encarregados de Educação assim o desejarem;
b) Os alunos que optem por outras Escolas, que não as propostas, tenham ai acesso preferencial no seu ingresso;
c) Seja assegurada a continuidade dos currículos dos alunos nos anos intermédios dos ciclos de escolaridade (7º. para 8º.; 8º. para 9º.; 10º. para 11º. e 11º. para 12º. Anos);
d) Sejam asseguradas outras situações, como por exemplo, aluno/turmas com currículos alternativos, alunos ao abrigo do Decreto-Lei nº. 319/91, cursos nocturnos e alunos retidos, que sejam envolvidos os respectivos Encarregados de Educação e Directores de Turma na integração destes alunos nas novas escolas de destino;
e) Seja assegurado o transporte a todos os alunos, a partir da área de localização da Escola Moinho de Maré para os seus novos destinos uma vez que, actualmente, não existe transporte directo; os transportes públicos existentes abrangem duas zonas distintas (transição de Concelhos), o que implica encargos adicionais para as famílias. De igual modo acrescem os perigos para os alunos que se deslocam a pé pois a situação proposta implica atravessar a Estrada Nacional 10 e a linha do Metro de superfície. Realça-se que estão envolvidos alunos a partir do 7º ano de escolaridade.
f) Os encarregados de educação sejam, a partir daqui, informados passo a passo, do desenrolar do processo, ficando desde já disponíveis para indicar um ou dois elementos para o acompanhamento das acções que venham a desenvolver-se, até à total integração dos alunos nas escolas destinadas.
A Escola Secundária Moinho de Maré é uma instituição reconhecida e credível pela comunidade populacional que serve. (existe reconhecimento na área pedagógica e tem dado bons alunos às melhores Universidades), aliás como ficou recentemente patente nas palavras proferidas por Sua Excelência a Ministra da Educação, ao entregar à Nossa Escola o primeiro premio do concurso nacional dos Jornais escolares.
Aqui, há uma proximidade entre aqueles que ensinam e os que aprendem, entre quem educa e os que formam, resultando num óptimo exemplo de sucesso no seu passado e um óptimo exemplo de sucesso para o futuro. Estamos de acordo que as condições físicas não são as adequadas, mas essas podem sempre ser alteradas, o espírito da escola é que não…
Resta-nos lamentar que o Ministério tenha seguido a sua política economicista e não tenha respeitado a Escola Moinho de Maré, que não é só um edifício a abater, - com o andar dos anos e apesar das limitações fisicas e das condições de trabalho, a Escola deixou de ser só um local onde se debitam conhecimentos, mas um espaço onde se criam laços de amizade, de solidariedade, de troca de experiências e essencialmente uma fonte de cidadania tão importante nos dias que correm.
Lamentamos! Nada será como dantes!














