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Vida

“A cereja no topo do bolo”Por Agostinho Monteiro

. Intercâmbio Liceo Novello, em Codogno (um município italiano da região da Lombardia, província de Lodi, nos arredores de Milão) e a Escola Secundária Augusto Cabrita.

A cereja no topo do bolo, essa, foi a hora da partida, as lágrimas que de parte a parte formariam o largo rio de que Camões fala, as palmas dos pais italianos a dizer-nos que sim, que todos haviam gostado, que a apreensão inicial havia dado lugar à alegria de ver os seus filhos crescerem, durante uns dias, em conjunto com os nossos alunos, numa amizade salutar que lhes trouxera seguramente mais do que haviam inicialmente esperado!

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“A cereja no topo do bolo” Por Agostinho Monteiro

Por Jornal Rostos

Visita de Estudo no âmbito do projecto Intercâmbio entre escolas:
- Liceo Novello em Codogno (um município italiano da região da Lombardia, província de Lodi, nos arredores de Milão) e a Escola Secundária Augusto Cabrita.

Sob a luz amarela das lâmpadas de néon existentes frente ao liceu, cerca de meia centena de rostos, entre jovens e adultos, divididos entre o cansaço da hora e a expectativa do momento, esperavam-nos. O meu discurso de agradecimento foi breve, e agradou sobretudo por ter sido feito na sua língua, coisa que a maioria não esperava… afinal de contas Portugal era um país longínquo… para lá do sol-posto, na mente de alguns eventualmente ainda fazendo parte da Espanha.
Depois, bom, depois foi a azáfama dos dias que se seguiram, dias em que a hospitalidade italiana se mostrou no seu melhor e se aliou à simpatia dos nossos jovens, curiosos de conhecer um país de arte e de artistas, onde o belo espreita a cada canto, numa pequena capela, numa estátua, no brilho dos olhos azuis dos autóctones…

E a pouco e pouco os dois grupos iniciais entrelaçaram-se, fizeram um só; e embora as diferenças fossem notórias (o prémio para os que entretanto deixarem de fumar fica de pé, rapaziada!) a canícula diurna, o calor da noite, embebido numa mistura de especiarias e álcool, que se sentia no ar, ou não estivessem todos ainda em fase de crescimento, uniu-os numa amizade profunda, que alguns por certo julgarão ser outra coisa…
E foi bonito, foi mesmo muito bonito, vê-los juntos, aos dois grupos, em vários momentos, nas cidades que visitámos, no parque, na pisaria, mas, sobretudo, naquela praça, frente ao nosso hotel, onde decidiram acampar todas as noites, para nos dizer que, embora crescidos, queriam-nos ao pé de si, porque estavam a viver momentos únicos e declaradamente decidiam partilha-los connosco, já que havíamos sido nós a proporcioná-los, ao propiciar essa partida para experiências novas que possivelmente jamais esquecerão.
A cereja no topo do bolo, essa, foi a hora da partida, as lágrimas que de parte a parte formariam o largo rio de que Camões fala, as palmas dos pais italianos a dizer-nos que sim, que todos haviam gostado, que a apreensão inicial havia dado lugar à alegria de ver os seus filhos crescerem, durante uns dias, em conjunto com os nossos alunos, numa amizade salutar que lhes trouxera seguramente mais do que haviam inicialmente esperado!
Dentro de alguns meses, o milagre vai-se repetir, desta vez ao contrário: seremos nós a recebê-los mas, lá bem no fundo, tudo se passará da mesma forma e os nossos alunos, mais fortes porque mais cultos e mais experientes, crescerão seguramente, uma vez mais, perante o nosso olhar que lhes transmitirá a segurança pretendida e lhes dirá que estamos aqui e que, apesar de tudo o que tem acontecido nos últimos meses, vale a pena continuar a ser professor e ajudá-los a amadurecer.

Agostinho Monteiro

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