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Vida

Rui D’Espiney no BarreiroFalou sobre a possibilidade de exercer cidadania nas escolas

Os entraves actuais ao exercício da cidadania nas escolas, mas também a possibilidade de resistir foram os temas da iniciativa “Conversas à volta da Mesa”, que teve lugar, no Auditório Municipal Augusto Cabrita.

Este debate, que contou com a presença de docentes de vários graus de ensino, teve como principal orador Rui D’Espiney, Director Executivo do Instituto das Comunidades Educativas (ICE).

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Rui D’Espiney no Barreiro Falou sobre a possibilidade de exercer cidadania nas escolas

Por Jornal Rostos

Rui D’Espiney salientou algumas medidas da política educativa actual que “têm vergastado as escolas” e tornado difícil o exercício da cidadania por parte de professores e alunos.
O Director do ICE falou sobre práticas que têm conduzido à divisão do corpo docente, entre elas a divisão de níveis de ensino, a hierarquização profissional, o escalonamento por competências, entre outras.
Em segundo lugar, Rui D’Espiney considerou que há uma grave ‘despedagogização’ da escola, devido a vários factores, tais como o alargamento do horário escolar, a formação por áreas que não é centrada no conjunto das necessidades do aluno, a valorização dos apetrechos tecnológicos em detrimento da pedagogia.
Por outro lado, o orador considera existir uma progressiva centralidade de poder que está a marcar a vida das escolas.

Por seu lado, a Vereadora da Educação da CMB, Regina Janeiro, abordou outra questão relacionada com a hipótese do Governo transferir competências em termos de ensino para as autarquias. Na opinião de Rui D’Espiney, esta medida será a transferência para o poder local dos instrumentos de operacionalização das políticas centrais. “O que exigem às autarquias é que se tornem instrumentos eficientes de operacionalização da sua própria política”, salientou o orador.
Os normativos que impõem demasiadas regras aos docentes e até quando vai durar a sua capacidade de resistência, as aulas de enriquecimento curricular que implicam que as crianças passem demasiado tempo nas escolas foram alguns dos temas abordados no debate.
“Tudo aponta para a dificuldade em exercer cidadania. Mas é preciso resistir e dizer não”, referiu Regina Janeiro.
O exercício da cidadania é a capacidade de questionar, resolver problemas e impor alternativas, segundo Rui D’Espiney. “Resistência pró-activa é a verdadeira cidadania”, referiu o orador, salientando a importância dos “actores” das escolas terem a capacidade para produzir as soluções que melhor se adequam.

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