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Vida

Director-Geral da Saúde marca presença em SetúbalESS/IPS promove reflexão sobre controle de infecção e saúde

O 2º Ciclo de Conferências em Controle de Infecção e Saúde que decorreu na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal (ESS/IPS), nos passados dias 25 e 26 de Outubro, contou com a presença de Francisco George, Director-Geral da Saúde que partilhou algumas reflexões sobre controle de infecção e saúde.

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Director-Geral da Saúde marca presença em Setúbal ESS/IPS promove reflexão sobre controle de infecção e saúde

Por Jornal Rostos

Francisco George lembrou que o risco de se adquirir uma infecção é superior a 8%, segundo dados da União Europeia sendo, por isso, inevitável trabalhar na sua redução. Segundo o Director-Geral da Saúde, «esta percentagem é tão importante que temos que trabalhar melhor a sua natureza, a forma como se transmite e o que se pode fazer para reduzir o risco, sendo este um trabalho de todos os profissionais de saúde e de todas as Instituições que prestam cuidados de saúde», explicando ainda, a necessidade de serem comunicados os erros que ocorrem, «quer por parte dos enfermeiros, quer por parte dos médicos, bem como os acidentes e reacções adversas. Ou seja, tudo o que ponha em causa a segurança do doente.».

Sobre esta questão, Francisco George falou no desenvolvimento de um sistema de notificação de reacções adversas que não seja punitivo, porque «não podemos punir quem comunica um erro e mostra ser responsável ao fazê-lo», salientando que «na União Europeia todos reconhecem que estes sistemas não podem ser punitivos mas também não podem ficar incólumes, pois o paciente tem o direito de ser indemnizado por ter adquirido um problema para o qual não foi internado». Lembrou os recentes acontecimentos que marcaram a actualidade portuguesa relacionados com problemas de oftalmologia, «em que os responsáveis tiveram que ser investigados por razões criminais. Mas o que nós pretendemos não é punir mas sim responsabilizar».

No início do próximo ano vai ser lançado um sistema automático designado por SINAV (Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica), desenvolvido por engenheiros informáticos, e que está em avançada fase de testes, o qual deposita automaticamente numa plataforma da internet, a partir do laboratório do serviço de patologia clínica, os resultados, incluindo as infecções associadas e o problema da resistência. Isto possibilita que, a nível local, regional e nacional seja possível receber toda a informação atempadamente. «Nos centros de análise, os especialistas vão estudar as causas das infecções, saber os agentes implicados, saber os antibióticos aos quais esses agentes são mais sensíveis e mais resistentes. Este sistema vai permitir conhecer todos estes problemas ligados às infecções».

O Director-Geral da Saúde alertou, ainda, para a utilização indevida de antibióticos no combate a infecções de origem viral, que deveria estar reservada para infecções de origem bacteriana, e que explica o risco de infecções para a saúde humana. O responsável lançou o repto para a necessidade de haver uma maior colaboração entre a Direcção Geral da Saúde (DGS) e as Instituições de Ensino Superior, no sentido de aprofundar o estudo colectivo sobre o controlo e a prevenção das infecções, nomeadamente a questão da resistência das bactérias aos antibióticos, e permitir a transmissão do conhecimento nos vários centros.

Francisco George aproveitou o momento para falar na mediática “Superbactéria”, da família das bactérias resistentes aos antibióticos, que apesar de ainda não ter sido detectada em Portugal, «temos que estar atentos e conhecer os riscos, visto tratar-se de uma bactéria que já foi detectada em outros países. No site da DGS publicámos uma orientação que explicita as regras de segurança para prevenção e controlo no caso da bactéria ser identificada em Portugal». O risco de se adquirir esta infecção na comunidade é baixo porque estamos a falar de uma bactéria que, neste momento, se limita ao ambiente hospitalar. «O risco existe, efectivamente, para quem faz intervenções cirúrgicas. Mas que, na prática, é um risco que se situa nos tais 8% de se adquirir uma infecção associada aos cuidados de saúde», concluiu Francisco George.

Na sequência das palavras de Francisco George, o Vice-Presidente do Instituto Politécnico de Setúbal, Pedro Dominguinhos, salientou que “é preciso, de facto, estudar mais e, nesse sentido, a Pós-Graduação em Controle de Infecção e Saúde, leccionada na ESS/IPS pode ter um papel preponderante nesta missão de encontrar estratégias para o controle de infecção e saúde - aliás, do total das 18 comunicações, oito são de estudantes da referida Pós-Graduação”. O representante da Presidência no evento deu, ainda, ênfase “à capacidade empreendedora da ESS/IPS, pois apesar dos constrangimentos e dificuldades inerentes à inexistência de um edifício próprio há muita vontade em oferecer formação de qualidade”.

Em representação da Câmara Municipal de Setúbal, a Vereadora Carla Guerreiro realçou o papel crucial que as autarquias têm vindo a assumir ao nível da prevenção e da promoção da saúde, no sentido de facilitar uma vida saudável às suas populações. Esta preocupação, diz “levou Setúbal a aderir, em 2002, à Rede Nacional de Cidades Saudáveis”, estando a ser concretizadas acções de controle e influência dos factores que têm impacto na saúde e qualidade de vida dos Setubalenses. Brevemente, referiu “teremos o nosso ‘Espaço Saúde’para apoiar as crianças e os idosos com problemas de saúde, projecto para o qual contamos com o imprescindível apoio de entidades como a Escola Superior de Saúde do IPS”.

O evento visou a apresentação de trabalhos e de boas práticas institucionais. Segundo Fernanda Pestana, Directora da ESS/IPS “este é um espaço de divulgação científica numa área tão relevante para a determinação de um melhor nível de saúde das populações como o Controle de Infecção aproximando, assim, os actores que nela intervêm e que contribuem com o seu empenho e competência”. Relativamente ao painel de Conferencistas, a Directora acrescenta ser “bastante diversificado”, composto por diversas entidades prestadoras de cuidados de saúde como: o Instituto Português de Oncologia de Lisboa, o Centro Hospitalar de Setúbal, o Centro Hospitalar do Barreiro e Montijo, o Hospital da Luz, Associações Profissionais e Sectoriais como a Associação Nacional de Esterilização e a Associação dos Enfermeiros e Sala de Operações Portugueses, e Instituições de Ensino Superior como a Universidade de Lisboa, a Universidade do Porto, o ISCTE, a Universidade de Birmingham, a Universidade de Aberdeen do Reino Unido e a Escola Superior de Saúde do IPS.

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