«Não sou Comendador, sou Barreiro Reconhecido»Amizade entre Vicente Campinas e Manuel Cabanas evocada
O evento foi promovido pela Liga dos Amigos da Galeria Manuel Cabanas, tendo sido apresentado o livro - «A Última entrevista de Manuel Cabanas» do jornalista Fernando Cabrita.
Carlos Brito, sublinhou que Vicente Campinas e Manuel Cabanas, conterrâneos, foram homens com as suas convicções ideológicas, sempre “intransigentes na luta antifascista” e “despojados de sectarismo”.

Por Jornal Rostos
O programa de homenagem a Manuel Cabanas teve o seu início com uma romagem ao Cemitério de Cacela a Velha onde está a campa do Mestre Cabanas.
Na circunstância o vice presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, José Barros, recordou a importância da obra de Manuel Cabanas e sublinhou o significado do trabalho artístico na valorização do ser humano.
O presidente da Junta de Freguesia de Cacela recordou que no testamento de Manuel Cabanas ficou expresso o seu desejo de parte da sua obra ser exposta de forma permanente na freguesia que o viu nascer, sublinhando o interesse da freguesia de ver concretizado no futuro esse desejo.
Destaque à amizade entre Manuel Cabanas e Vicente Campinas
Na Biblioteca Municipal Vicente Campinas, João Caldeira Romão, presidente da Liga dos Amigos da Galeria Manuel Cabanas, salientou que nesta sessão um dos objectivos do evento, para além de prestar a homenagem a Manuel Cabanas e dar a conhecer o livro do jornalista Fernando Cabrita, com a última entrevista de Manuel Cabanas, pretendia-se, igualmente, dar destaque à amizade que marcou a relação entre Manuel Cabanas e o escritor Vicente Campinas, seu conterrâneo.
João Caldeira Romão divulgou que o original da xilogravura de Vicente Campinas, agora reencontrado, vai figurar de forma permanente na Galeria Manuel Cabanas.
Duas figuras de referência da vida do concelho
José de Barros, vice presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, salientou que Manuel Cabanas e Vicente Campinas – “são duas figuras de referência da vida do concelho”.
O autarca recordou que apesar de serem duas pessoas com opções politicas diferentes, não foram duas pessoas afastadas entre si, e, ambos dedicaram as suas vidas na defesa da liberdade.
Vida foi marcada pela liberdade e independência
Fernando Cabrita, sublinhou que o seu livro agora editado proporcionou-lhe tomar conhecimento com – “uma pessoa extraordinária”, que construiu uma grande obra na sua vida.
“Pela sua maneira de estar e pela sua arte influenciou aqueles que com ele conviveram” – referiu.
Fernando Cabrita recordou que Manuel Cabanas viveu de forma plena o seu ideal republicano e a sua vida foi marcada pela – “liberdade e independência”.
“Para Manuel Cabanas a participação politica era uma missão” – salientou o jornalista, recordando que o Mestre tinha alguma tristeza por, nos tempos finais de sua vida, sentir que a vida politica deixava de ser encarada como uma missão para ser marcada apenas como um “luta pelo poder”.
Sou Barreiro Reconhecido
«Não sou Comendador, sou Barreiro Reconhecido» - referiu Fernando Cabrita, foi uma expressão de Manuel Cabanas, através da qual o Mestre salientava que dava mais importância à condecoração que lhe foi atribuída pela Câmara Municipal do Barreiro, que ao facto de ter recebido o grau de comendador da Presidência da República.
Manuel Cabanas um promotor da obra de Campinas
Nesta sessão participou António Sousa Pereira que testemunhou as relações de amizade entre Manuel Cabanas e Vicente Campinas.
Recordou que o seu primeiro contacto com a obra de Vicente Campinas, foi no ano de 1973, através de uma obra de poesia – “Lanço de Alva” - que Manuel Cabanas vendeu no Barreiro, como forma de apoiar o seu amigo Vicente Campinas, na época exilado em Paris.
Sonharam com um mundo melhor
A encerrar a sessão Carlos Brito, sublinhou que Vicente Campinas e Manuel Cabanas foram “dois exemplos de cidadania exemplar, e, que, tiveram percursos paralelos – “ambos foram autodidactas, ambos tiveram uma intervenção política coerente e generosa, ambos sonharam com um mundo melhor e mais justo”.
Recordou que conheceu Vicente Campinas, um homem cuja obra foi marcada pela tortura e pela prisão que sofreu, na sua luta por desejar – “mudar o mundo”.
Referiu que Manuel Cabanas foi um homem que o PS fez questão de incluir na lista dos fundadores.
Despojados de sectarismo
Carlos Brito sublinhou que estes dois homens, conterrâneos, com as suas convicções ideológicas, foram sempre “intransigentes na luta antifascista” e “despojados de sectarismo”.
“A ditadura não lhes perdoou” – sublinhou.
Carlos Brito, destacou o facto de Vila Real de Santo António – “saber venerar a memória de seus filhos ilustres”.














