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Vida

No Barreiro - Contar histórias (vividas) no 25 de Abril«A Liberdade é uma coisa doce. Não a comas, saboreia-a»

Até 8 de Abril e de 26 de Abril a 13 de Maio, as Escolas do Concelho (3º e 4º anos do 1º ciclo, 6º e 8º anos do 2/3 ciclo e Secundário) recebem a iniciativa “Contar Histórias (Vividas) no 25 de Abril”, no âmbito das comemorações do 37º Aniversário do 25 de Abril - “Abril, Somos Nós”, promovidas pela Câmara Municipal do Barreiro (CMB).

Hoje, dia 6 de Abril, foi a vez do jornalista Sousa Pereira dar uma aula aos alunos do 4º ano, de duas turmas da Escola Básica do Barreiro nº 6.

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No Barreiro - Contar histórias (vividas) no 25 de Abril «A Liberdade é uma coisa doce. Não a comas, saboreia-a»

Por Jornal Rostos

Até 8 de Abril e de 26 de Abril a 13 de Maio, as Escolas do Concelho (3º e 4º anos do 1º ciclo, 6º e 8º anos do 2/3 ciclo e Secundário) recebem a iniciativa “Contar Histórias (Vividas) no 25 de Abril”, no âmbito das comemorações do 37º Aniversário do 25 de Abril - “Abril, Somos Nós”, promovidas pela Câmara Municipal do Barreiro (CMB).
A Autarquia proporciona aos alunos um diálogo próximo com os contadores, sendo alguns deles ex-presos políticos, antigos activistas contra o regime, permitindo assim um testemunho directo. Hoje, dia 6 de Abril, foi a vez do jornalista Sousa Pereira dar uma aula aos alunos do 4º ano, de duas turmas da Escola Básica do Barreiro nº 6.

Sousa Pereira começou por lançar o desafio a cerca de 60 alunos: “Quero que descubram o que foi o 25 de Abril”.
À palavra ABRIL e respectivas letras, perguntou-lhes que outras lhes correspondiam. Eis as respostas:
A – ABRIL, ABRIR;
B – BIBLIOTECA;
R – REVOLUÇÃO, RATOS;
I – INVENÇÃO;
L – LIBERDADE;

Assim, foi lançado o mote para falar, ao longo de uma hora sobre a Revolução dos Cravos.
Começou por pedir a todos para que fechassem os olhos e, assim, explicou que, antes do dia 25 de Abril de 1974, “era no escuro que se vivia em Portugal”. Contudo, a Revolução veio ABRIR o saber, o aprender, veio criar BIBLIOTECAS e possibilitar o acesso aos livros que na época da Ditadura estavam censurados pela PIDE. Fez referência aos que foram presos na prisão do Tarrafal, em Cabo Verde e mostrou-lhes uma ilustração com uma tortura.
Adiantou, ainda, que com a REVOLUÇÃO deixámos de ser RATOS, pois “vivíamos escondidos, tal como eles…”

Ao lembrar a Escola daquele tempo, Sousa Pereira sublinhou que faltava a INVENÇÃO, pois “a escola daquele tempo era muito repetitiva, tínhamos de saber todos os rios e seus afluentes, as linhas de caminho-de-ferro…”.

Para contar o que foi a Guerra Colonial, o jornalista sublinhou os mil anos de História de Portugal. A Guerra eclodiu quando os habitantes das colónias de Portugal quiseram ser livres. “Os militares estavam cansados da Guerra e queriam LIBERDADE”, referiu.

Ao som da canção - “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, explicou que às 22h00, do dia 24 de Abril, esta foi tocada pelos Emissores Associados de Lisboa, como sinal para os militares saírem dos quartéis a caminho de Lisboa. “Vinham carregados de armas e dispostos a dar a vida pela Liberdade”.
Como era preciso que todo o País se mobilizasse, a Rádio Renascença (ouvida em todo o continente) tocou como segundo sinal a “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso, que confirmava o golpe militar e o início das operações.

Para explicar com surgiu o Cravo como símbolo de Abril, o jornalista contou que “na manhã do dia 25 de Abril, o povo juntou-se aos militares nas ruas e como era Primavera e vendiam-se flores, começaram a usar cravos”.

A pouco tempo do golpe militar, Sousa Pereira contou que está no seu Quartel armado com uma G3 e com granadas. Nessa altura o seu quartel ainda não se tinha rendido, o que pouco depois veio a acontecer com a organização das tropas e um lençol branco na porta de armas, como sinal de rendição.

Sousa Pereira fez referência às quatro mortes resultantes da Revolução, quando frente à sede da PIDE os populares de braços dados gritam Morte à PIDE e O Povo Unido jamais será vencido. Das janelas disparam sobre os manifestantes. Entre eles estavam alguns barreirenses. E é por isso, que a Revolução de Abril foi para Sousa Pereira bonita e trágica.

Ao som de “Venham Mais Cinco”, de Zeca Afonso explicou que todo o processo pós 25 de Abril é de construção da Democracia e deseja que cada um de nós “continue a regar a liberdade!”

Refira-se que o jornalista leu, ainda, alguns excertos do seu livro “Um Sonho Chamado Liberdade”, um conjunto de poemas que escreveu para a sua filha Marta, quando esta ainda era pequena.

Concluiu a aula dizendo às crianças, aquilo que disse a Marta: “A Liberdade é uma coisa doce. Não a comas, saboreia-a”.

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