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Vida

«Semana da Voz» em SetúbalESS/IPS realizou rastreios de saúde vocal

Durante dois dias, estudantes, docentes e funcionários Instituto Politécnico de Setúbal usufruíram de rastreios vocais gratuitos, avaliando a sua saúde vocal e aprendendo medidas de melhoria ou hábitos vocais saudáveis, no âmbito da “Semana da Voz”, promovida de 11 a 14 de Abril 2011, pela Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal. O último dia do evento foi dedicado a Palestras na área da voz.

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«Semana da Voz» em Setúbal ESS/IPS realizou rastreios de saúde vocal

Por Jornal Rostos

Miriam Moreira, Docente da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal, e uma das coordenadoras da iniciativa, adianta que esta acção pretendeu “em primeira instância, rastrear problemas de saúde vocal e, em segunda, prevenir. No entanto, contrariamente à primeira edição, realizada no ano anterior, a actuação tem sido mais ao nível da prevenção. As pessoas vêm mais por curiosidade do que propriamente por queixa vocal”. A Docente acrescenta, ainda, que os participantes têm ficado satisfeitos com os resultados e com os conselhos dados.

Célia Raposo, Coordenadora Técnica nos Serviços de Acção Social do IPS realizou, pelo segundo ano consecutivo, o rastreio vocal, demonstrando a sua satisfação por “continuar com uma boa saúde vocal”. Alexandra Frazão, Técnica do GI.COM-IPS (Gabinete de Imagem e Comunicação do IPS) felicitou a ESS/IPS “por mais uma excelente iniciativa” e no que respeita ao rastreio, realizado pela primeira vez, salienta: “a voz é um dos meus principais instrumentos de trabalho, já que frequentemente faço apresentações em escolas secundárias para apresentação da oferta formativa do IPS. Nesse sentido, aproveitei o facto de a ESS/IPS promover um rastreio à saúde vocal para perceber se alguns hábitos e cuidados vocais que tenho estão correctos e ouvir alguns conselhos”. Já Ana Castro, Docente do IPS, na Escola Superior de Saúde, acrescentou que, na perspectiva de Docente verificou, com bastante agrado, que os conhecimentos teóricos que leccionou, em tempos, às alunas que conduziram o rastreio foram assimilados. Na perspectiva de “pessoa comum” ficou satisfeita “por estar dentro do normal” e agradeceu “o momento de consciencialização”. “Há coisas que até sabemos que devemos fazer e que, muito provavelmente, daqui para a frente ou pelo menos nos próximos 15 dias, vou tomar em consideração, e quem sabe não vou adoptar mesmo”, remata.

Inês Morais e Lenia Ferreira são estudantes da Licenciatura em Terapia da Fala na ESS/IPS e as responsáveis pela realização dos rastreios vocais, sob o acompanhamento das Docentes Miriam Moreira e Telma Branco. Inês Morais destacou a importância da experiência no que respeita às aprendizagens e ao aconselhamento e prevenção de problemas vocais. Lenia Ferreira assinalou a sua satisfação por estar a contribuir no sentido de ajudar a população do IPS, confessando ter aprendido a ter um maior à vontade na relação com o público. Relativamente aos aspectos mais técnicos, a estudante destaca o facto dos professores desconhecerem técnicas essenciais na prevenção de problemas sendo, nessa matéria, fundamental o aquecimento e o arrefecimento vocais, a hidratação da mucosa das pregas vocais com água, a não ingestão de comidas gordurosas antes de uma actividade vocal, entre outros. O mesmo acontece com quem faz atendimento ao público.

No último dia de actividade, as Comemorações do Dia Mundial da Voz contemplaram palestras relacionadas com a área da voz, apresentando abordagens diversificadas mas complementares relativamente à área da voz.

“A Voz do Fado”, apresentada por Aira Rodrigues e David Guerreiro trouxe a público um estudo piloto desenvolvido por Licenciados da ESS/IPS, na data ainda estudantes. A sua aplicação prática enfatiza a excelente parceria que podem formar uma equipa de terapeutas da fala e professores de canto, na medida em que ambos podem avaliar e optimizar. Cabe, no entanto, ao terapeuta a prevenção e a reabilitação e ao Professor a componente pedagógica e o estudo de repertório.

Sónia Lima e João Pombeiro abordaram a “Terapia manual nas perturbações vocais”, mais especificamente o papel que a osteopatia poderá desempenhar neste domínio.

Já Catarina Olim, Presidente da Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala falou de “voice coach” e da importância que este assume na forma como se comunica. “Quem procura voice coach tem, geralmente, funções de topo: políticos, treinadores de futebol, autarcas, entre outros”, explica Catarina Olim. As principais queixas apresentadas no diagnóstico prendem-se com o facto da pessoa considerar ter voz feia, discursos monótonos, medo de falar em público, demasiada gesticulação ou cansaço vocal. Os resultados começam a fazer notar-se após 12 semanas. “Os utentes sentem maior segurança na verbalização, sentem que são melhor compreendidos e estão mais à vontade, apresentando os discursos uma maior clareza” acrescenta.

Inês Silvestre, Terapeuta da Fala no Serviço de Otorrino dos Hospitais da Universidade de Coimbra abordou a questão da disfonia infantil que, segundo explica, é mais frequente nos rapazes do que nas raparigas, e mais comum na faixa etária dos 6 aos 7 anos e dos 8 aos 12, podendo também surgir até ais 3 anos.

Ana Luísa Cardoso, cantora no Teatro Nacional de S. Carlos há 20 anos trouxe à sessão uma visão “menos científica” do tema, como referiu, partilhando com os participantes o seu entendimento sobre a importância da voz e da respiração. “Se estivermos tensos, cansados ou irritados a nossa voz irá, inevitavelmente, reflectir esse estado de espírito, se estivermos bem, então, será doce e timbrada”, salienta. Em jeito de remate insiste “cantar não é só ter um aparelho fonador bom, é preciso ter veia artística”.

Anibal Ferreira, Docente na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto encerrou a sessão com a apresentação do software Singing Voice enaltecendo as vantagens das tecnologias no apoio ao canto: redução do tempo de aprendizagem, representação objectiva dos atributos da voz, percepção dos desvios face ao padrão fonatório desejado e reforço do treino quando feito de forma individualizada.

A Semana da Voz encerrou as suas actividades com uma peça de Teatro do projecto VAI.PE.ESS (Vai. Pela Escol(h)a, Escola Superior de Saúde) “O Capuchinho já não é vermelho” seguido de um concerto acústico.

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