Óxido Nítrico: a ligação “Wireless” do cérebroInvestigadores da Universidade de Coimbra conseguem quantificar a produção em tempo real

Por Jornal Rostos
Com estes resultados, cujos estudos se iniciaram há mais de uma década, a equipa multidisciplinar liderada por João Laranjinha, da Faculdade de Farmácia e do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), demonstrou que a molécula NO é, fazendo uma analogia, «a ligação wireless do cérebro porque o NO produzido nos neurónios é o mediador do acoplamento neurovascular, isto é, além de ter um papel central para a sobrevivência dos neurónios “faz a ponte” entre o sistema nervoso central e o sistema vascular».
Ao conseguir medir e descrever a dinâmica da concentração de óxido nítrico no cérebro, os investigadores de Coimbra criam muito boas perspetivas para «determinar de que modo a molécula deixa de ser benéfica e passa a ser tóxica e, assim, desenvolver métodos que interfiram nos mecanismos por ela modulados para evitar a morte celular associada a doenças neurodegenerativas como Alzheimer ou Parkinson», explica João Laranjinha.
Até alcançar estes resultados, os investigadores João Laranjinha e Rui Barbosa percorreram um longo caminho. Sabendo que o NO é um gás e mensageiro ubíquo com duas faces – ao mesmo tempo que regula os mecanismos envolvidos na memória e na aprendizagem, também é responsável pelo envelhecimento e neurodegenerescência - os cientistas quiseram responder às seguintes questões: como é que uma molécula tão simples (constituída apenas por dois átomos) tem duas faces tão distintas? Porque é que umas vezes é uma neurotoxina e outras é um neuromodelador?
Perante o problema, os cientistas começaram por construir, de raiz, microeléctrodos de fibra de carbono quimicamente modificados (com espessura 10x mais fina do que um cabelo) e desenvolveram métodos únicos de medição da “nuvem” de NO que se forma no cérebro, em tempo real e in vivo, em ratos e ratinhos de laboratório porque «só assim é possível ultrapassar o conhecimento meramente fenomenológico em que os sistemas e processos constituem “caixas negras” e desvendar os mecanismos moleculares subjacentes às vias de sinalização dependentes de óxido nítrico», ilustra o líder do único grupo de investigação em Portugal centrado nesta linha de pesquisa.
O NO é uma molécula surpreendente, conhecida de há longa data como poluente atmosférico, que nasceu para a biologia muito recentemente e veio revolucionar o nosso entendimento da transmissão de informação no cérebro.














