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Vida

Investigadores da Universidade de Coimbra desenvolvemModelo Inovador para apoiar Famílias Multiproblemáticas com Crianças em Risco e em Perigo

Um Modelo inovador de avaliação e de intervenção integrada junto de famílias Multidesafiadas com crianças em risco, negligenciadas ou maltratadas (aos níveis físico e psicológico), foi desenvolvido pela investigadora Ana Teixeira de Melo, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (UC).

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Investigadores da Universidade de Coimbra desenvolvem Modelo Inovador para apoiar Famílias Multiproblemáticas com Crianças em Risco e em Perigo

Por Jornal Rostos

O MAIFI - Modelo de Avaliação e Intervenção Familiar Integrado – desenhado especialmente para apoiar as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) e os Tribunais, propõe-se conduzir avaliações integradas para informar decisões destas entidades a respeito da proteção das crianças e apoiar as famílias a partir de um modelo que marca uma mudança de paradigma na resposta social a famílias que continuamente estão expostas a múltiplas carências e dificuldades (multidesafiadas).

Tipicamente, explica a autora da investigação, «os modelos tradicionais centram-se nas incapacidades e nos défices e nos indivíduos e não na família no seu todo. Por outro lado, tendem a envolver um elevado número de diferentes profissionais na ausência de uma visão integrada. O apoio à família é fragmentado porque a prática em rede ainda é pouco usual. Esta abordagem dominante leva a que os problemas se mantenham e se multipliquem e ao enfraquecimento da família. Instala-se mesmo um clima de desesperança nas famílias e um desgaste muito grande dos profissionais».

O MAIFI rompe com este tipo de intervenção tradicional. Centra-se nas forças e não nos problemas, estabelecendo um ambiente colaborativo, em que as soluções são construídas em conjunto (família e profissionais). É um trabalho muito intensivo, realizado em contexto domiciliário para assegurar a participação ativa e empenhada das famílias.

Desenvolvido e avaliado ao longo dos últimos quatro anos, o novo modelo de intervenção diferenciada foi implementado em 7 concelhos do país, através de Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP), em ligação com os seus parceiros locais (CPCJ, Tribunais, Segurança Social). Contudo, para ser adotado em pleno «é necessária uma mudança radical nas políticas de funcionamento do sistema porque é um modelo que exige grande flexibilidade das instituições e dos profissionais. Sendo muito centrado nas famílias, não se coaduna, p. ex., com um horário rígido. A equipa tem de estar disponível, 24 horas, e tem de ter autonomia», alerta Ana Teixeira de Melo.

Com «a crise que o país atravessa, o número de famílias com dificuldades vai aumentar seguramente, o que exige a adoção de mecanismos que as fortaleçam. Os modelos dominantes que apenas fazem diagnósticos de necessidades e não se centram nas forças são ineficazes», assevera.

Outra mais-valia do MAIFI, cujo planeamento foi avaliado por especialistas nacionais e internacionais, é o facto de, pela primeira vez, combinar o trabalho clínico com as preocupações sociais, educativas, comunitárias e forenses. Esta aliança entre as preocupações clínica e forense é particularmente inovadora e essencial para a tomada de decisão, tornando o processo mais respeitador da família.

A investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), resultou na tese de doutoramento intitulada, “As Forças dos Profissionais e da Família Multidesafiada na Protecção da Criança. Um Modelo de Avaliação e Intervenção Familiar Integrada para os CAFAP”, orientada pela docente Madalena Alarcão.

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