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Vida

Barreiro vai acolher 300 estudantes angolanosAssinatura de Protocolo CMB, Universidade de Belas e Coração Tropical

Em virtude do Protocolo assinado, no dia 19 de março, entre a Câmara Municipal do Barreiro, a Universidade de Belas (de Luanda, Angola) e a empresa Coração Tropical, Formação, Ldª, cerca de 300 estudantes angolanos irão viver, nos próximos anos, no Concelho do Barreiro, no território da Baía do Tejo, transformando-o num polo de desenvolvimento económico, cultural e científico.

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Barreiro vai acolher 300 estudantes angolanos Assinatura de Protocolo CMB, Universidade de Belas e Coração Tropical

Por Jornal Rostos

Deste modo, o acordo visa acolher, integrar e apoiar no alojamento de cidadãos angolanos a estudar em Portugal, e, em particular, dos que desenvolvam a sua atividade no Concelho do Barreiro e outros concelhos limítrofes (ver documento em anexo).

A cerimónia decorreu no auditório da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro e nela estiveram presentes o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), Carlos Humberto de Carvalho; a Vereadora Regina Janeiro, responsável pela área da Educação na CMB; Manuel Correia, Presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, em representação do Ministro dos Negócios Estrangeiros; o embaixador de Angola, em representação do Ministro das Relações Exteriores de Angola, José Marcos Barrica; o Reitor da Universidade de Belas, Agatângelo Estevão Zua; os promotores da Universidade de Belas Isaac Rui Pedro e Maria Osvalda Pedro, esta última, também sócia gerente da empresa Coração Tropical, Formação, Ldª ; Albertina Palma, Vice-Presidente do Instituto Politécnico de Setúbal; Fonseca Ferreira, Presidente de Administração da Baía do Tejo, e inúmeros eleitos municipais, entre os quais os presidentes das juntas de freguesia do Concelho.

O Presidente da CMB iniciou a sua intervenção saudando todos os parceiros. Num mundo em constante mudança, o autarca defende mais solidariedade e fraternidade entre os povos.
Este protocolo constitui, na sua opinião, um “pequeníssimo contributo para construirmos esse mundo, mas temos também obrigação, de promover o desenvolvimento da nossa Terra e criar novas condições para a relação entre os estados português e angolano e as respetivas instituições de ensino superior”.

Com o presente protocolo “pretendemos criar melhores condições para que o Concelho do Barreiro assuma a centralidade na Área Metropolitana de Lisboa”.
Segundo o autarca, pretende-se com este acordo que “os terrenos da Baía do Tejo se abram à população do mundo, se abram a novos imigrantes em Portugal, para assim, o transformar num grande polo de desenvolvimento económico, cultural e científico”.

Baía do Tejo adapta instalações para acolher 300 estudantes

Carlos Humberto de Carvalho explicou que, numa primeira fase, está previsto (mediante o acordo entre a Baía do Tejo e o Coração Tropical), a vinda de 300 estudantes para o Concelho. Para esse efeito, “a Baía do Tejo está a adaptar as suas instalações. Numa segunda fase, para o mesmo território podemos ir mais longe e chegar aos 500”. Uma medida que se traduz num “contributo para o desenvolvimento do Barreiro”.

A assinatura deste protocolo é, para Regina Janeiro, “um primeiro passo no caminho que aprofundaremos”. Agradeceu à Escola Superior de Tecnologia do Barreiro e ao Instituto Politécnico de Setúbal “o contributo que têm dado para o desenvolvimento da Região e para a promoção do conhecimento”. Recordou a primeira reunião realizada com os promotores deste acordo há cerca de seis meses, momento no qual a Câmara Municipal do Barreiro considerou “desde a primeira hora que havia muito caminho pela frente e muitas possibilidades para explorar”.
Com a concretização deste acordo, “daremos ao mundo mais barreirenses dispostos a intervir na vida do Concelho, dispostos a fazer a diferença. A Câmara Municipal do Barreiro estará como sempre, presente, ao lado, para fazer e concretizar convosco. O Barreiro ganhará”, referiu.

Por seu lado, o Embaixador de Angola, José Marcos Barrica, subscreveu tudo o que foi dito pelos anteriores oradores e desejou que o protocolo possa fortificar as relações entre Portugal e Angola.

Este projeto “assenta que nem uma luva no trabalho de cooperação entre os estados e na promoção da Lusofonia”, é a opinião do Presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, Manuel Correia.
Agradeceu, ainda, aos Municípios que têm “um papel fundamental nesta cooperação, mesmo sem meios financeiros”, lamentou.

Agatângelo Estevão Zua manifestou a honra que a Universidade tem em se fazer representar neste protocolo. De referir que a Universidade de Belas foi criada em 2007 e é uma instituição de ensino privada. A Universidade incide o seu programa de ensino nas áreas da Saúde, Ciências Sociais e Humanas, Ciências Económicas, entre outras.
O Reitor informou que foram estabelecidos protocolos com várias instituições portuguesas de ensino superior, tais como a Universidade da Beira Interior, o Instituto Politécnico de Setúbal, entre outras.

Explicou que a Universidade “criou um Projeto de formação estudantil em Portugal que consiste em levar os estudantes a estudar nas instituições de ensino portuguesas em cursos que ainda não se iniciaram em Angola e, desta forma, multiplicar e diversificar as licenciaturas para respondermos em várias áreas”.
Para o Reitor surgiu a necessidade de celebrar com a CMB este protocolo, pois o Município gere o território “onde os estudantes vão passar o resto do seu tempo quando estiveram a descansar a praticar desporto, ou a necessitar dos serviços de saúde, no sentido de lhes possibilitar uma melhor integração social”.

Para Albertina Palma a globalização do ensino superior é cada vez maior. O Protocolo é para a Vice-Presidente do IPS “extremamente importante”. Informou, ainda, que está a ser preparado um programa para integrar os estudantes angolanos em cursos de licenciatura, pós graduação e mestrado.

Protocolo criará mais postos de trabalho, maior riqueza económica e maior riqueza intelectual

De acordo com o Protocolo:
A vinda dos estudantes em questão criará também no concelho mais postos de trabalho, maior riqueza económica e maior riqueza intelectual, contribuindo desta forma para o seu desenvolvimento.
A celebração dum protocolo, visando a criação de condições de acolhimento de cidadãos angolanos a estudar em Portugal traduz, também, a particular satisfação que representa o conhecimento recíproco das três instituições, ressaltando a importância deste Protocolo para o desenvolvimento de atividades científicas e tecnológicas e o incremento das relações que visam ao seu enriquecimento e mérito, assim como para o acolhimento e inserção dos cidadãos angolanos que virão para Portugal estudar.

O Município do Barreiro, através dos serviços da Câmara Municipal, procurará, no âmbito das suas competências:
a) Disponibilizar informação e documentação destinada ao enquadramento e compreensão cultural, histórica, social e política do Barreiro e das suas gentes;
b) Fornecer apoio técnico às atividades da terceira outorgante, quando tal se revele possível e desejável;
c) Ponderar a adequação da rede de transportes públicos existente às necessidades de transporte dos cidadãos alojados no Barreiro.
d) Facilitar o acesso a bibliotecas municipais e locais de estudo, assim como outros espaços municipais.
e) Facilitar, através do Gabinete de Apoio ao Imigrante, da Diversidade e do Diálogo Cultural, e do Gabinete da Juventude, o apoio aos cidadãos e famílias, ajudando na sua integração sociocultural.
f) Disponibilizar informação sobre a localização e serviços, nomeadamente, postos de Saúde e Hospitais existentes no Concelho.
g )Encetar contactos, caso se venha a revelar necessário, junto do Instituto do Emprego e Formação Profissional visando a alocação de recursos humanos, privilegiando os inscritos no Centro de Emprego do Barreiro, às atividades, ações, objetivos e compromissos da terceira outorgante.
h) A colaboração e apoio em atividades culturais e lúdicas conjuntas, potenciando a diversidade cultural e a multiculturalidade entre os povos;

O documento refere ainda que: (…)
3. O transporte dos cidadãos abrangidos pelo presente protocolo (Angola/Portugal/Angola) é da exclusiva responsabilidade da terceira outorgante (empresa Coração Tropical, Formação Ldª).
4. É da competência da terceira outorgante a criação das condições tendentes à permanência em Portugal dos cidadãos abrangidos pelo presente protocolo (…).

Recorde-se que cerca de 20 alunos angolanos já se encontram a residir no Barreiro e a estudar numa instituição de ensino em Lisboa. No passado mês de fevereiro, estes foram recebidos por Carlos Humberto de Carvalho, numa sessão de boas-vindas nos Paços do Concelho.

CMB

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