Investigadores da Universidade de Coimbraestudam bactérias resistentes a múltiplos antibióticos

Por Jornal Rostos
Os estudos, iniciados há mais de uma década, centram-se no estudo molecular da resistência e virulência de Acinetobacter sp., E. coli, Klebsiella sp. e Salmonella sp., e permitiram identificar estirpes emergentes de Acinetobacter multirresistentes aos antibióticos, e de E.coli, assim como, genes e novas estruturas genéticas envolvidas na disseminação da resistência aos antibióticos.
O objetivo, explica a coordenadora das pesquisas, Gabriela Jorge da Silva, «é abrir portas para o desenvolvimento de novas estratégias de combate a infeções hospitalares. Conhecer as resistências a nível genético e todo o processo de aquisição e de transferência de genes entre bactérias, permite prever a sua disseminação, sendo possível implementar medidas de prevenção atempadamente, nomeadamente através da melhoria do controlo da infeção, de forma a reduzir as infeções adquiridas no hospital e a mortalidade associada a infeções causadas por bactérias multirresistentes».
São estudos bastante complexos. Embora «a resistência não tenha que estar associada a virulência, recorrendo a estudos genéticos temos verificado que estão a emergir estirpes simultaneamente resistentes e virulentas, o que é preocupante, e sugere que alguns antibióticos podem estar a selecionar estas estirpes, realçando a importância da correta utilização de antibióticos», prossegue a investigadora.
Com a capacidade que as bactérias têm de transferir o seu material genético para outras famílias de bactérias, a resistência à ação de antibióticos é cada vez maior. Por isso, «identificar estirpes bacterianas de origem animal ou hospitalar e os genes de resistência e de virulência, e a forma como estes se disseminam em vários ambientes, é de extrema importância para a compreensão do impacto na saúde pública da resistência aos antibióticos», realça.
Considerando a resistência a antibióticos como «um grande problema de saúde pública do Século XXI», Gabriela J. da Silva alerta para a «necessidade urgente de um melhor controlo da infeção hospitalar e para a racionalização do uso dos antibióticos. O custo do tratamento de infeções «provocadas por bactérias resistentes aos antibióticos é muito elevado. Impõe novas consultas médicas, prolonga a hospitalização do doente, com sofrimento e custos associados acrescidos, obriga à utilização de antibióticos mais caros, e contribui para o aumento da taxa de mortalidade», conclui a também docente da Faculdade de Farmácia da UC.
Os estudos em curso têm a colaboração dos Hospitais da Universidade de Coimbra e das Universidades de Tromso (Noruega) e de Leiden (Holanda), e são financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pela “European Society of Clinical Microbiology and InfectiousDiseases”.














