OFICINA “TELEFONIA DE ABRIL” NO BARREIROAlunos descobrem os sons da Revolução

Por Jornal Rostos
A iniciativa foi desenvolvida por Tânia Cardoso, da ARTEMREDE, Teatros Associados, e promovida pela Câmara Municipal do Barreiro, através do Serviço Educativo da Divisão de Cultura e Património Histórico e Museológico.
Ao longo de mais de uma hora, a animadora, de uma forma interativa, foi explicando a história da Revolução dos Cravos utilizando, para o efeito, canções emblemáticas, fotografias, cartas escritas por militares e, até, soldadinhos de brincar.
“O que é a Revolução?” Esta foi a primeira questão lançada aos alunos. Eles foram dizendo palavras associadas: revolta, manifestação, mudança. Foi-lhes explicado que a palavra Revolução resulta da união de duas: revolta e evolução.
Ao mostrar a fotografia de Salazar, Tânia Cardoso foi explicando que ele foi o líder do Partido Único e vivia-se nessa altura numa Ditadura, em Portugal. Depois de ouvirem o seu discurso na rádio, os alunos conseguiram dizer os valores em que ele acreditava: Deus, Pátria, Família.
Tânia Cardoso explicou que “Salazar queria criar um império português e dizia muitas vezes orgulhosamente sós, enquanto outros países já tinham libertado as suas colónias, Portugal, pelo contrário, mantinha-as”.
Acrescentou ainda que “vivia-se num Estado sem liberdade de expressão, um Estado autoritário, com a existência da polícia política - PIDE, a polícia secreta. Existia a censura nos órgãos de Comunicação Social, através da Comissão da Censura”.
Canções preparam Revolução
Alguns artistas portugueses, no exílio, começaram a trabalhar a Revolução, caso de Mário Cesariny, Ary dos Santos, Sofia de Mello Breyner, Sérgio Godinho e Zeca Afonso. “Através das suas cantigas e dos seus poemas conseguiam driblar a censura”, referiu Tânia Cardoso.
A rádio ia transmitindo canções de Sérgio Godinho e Zeca Afonso.
Na ocasião, foi lida uma carta que um soldado escreveu na guerra de Angola, para a sua irmã, numa época em que as mulheres ficavam à espera dos maridos, irmãos e filhos.
A animadora recordou o importante papel do Capitão Salgueiro Maia no período que antecedeu a Revolução, quando andou a recrutar militares, dizendo: “preciso de gente de palavra honrada”.
Explicou como foi combinado entre os militares que estavam em diversos quarteis, todo o processo revolucionário e de como as canções “E Depois do Adeus” e “Grândola Vila Morena” foram os sinais para o avanço das tropas para o momento da Revolução.
Falou-lhes do Largo do Carmo, onde Salgueiro Maia faz ultimatos a Marcello Caetano e este acaba por entregar o poder ao General António de Spínola.
Mostrou fotos desses momentos. A água servida aos capitães e os cravos colocados nas espingardas.
Ouve-se a gravação do discurso público de Spínola.
Falou do regresso dos políticos exilados, tais como Álvaro Cunhal, Mário Soares e de muitos artistas que regressam ao seu País.
Na fase final da Oficina, os alunos foram desafiados a construir um cravo de papel e a idealizar uma letra para uma música. Para tal, foram tirando palavras de uma caixa e construíram a seguinte letra: O vento sopra nas asas de uma gaivota e dá força à Revolução e lá fora, com resistência, está o capitão. E cantaram-na no final.
CMB














