Cidade para todos – BarreiroRegeneração Urbana em debate na Universidade Lusíada

Por Jornal Rostos
A cooperação/diálogo entre academia, autarquias – Município e Freguesia –, entidades e população da comunidade foram enaltecidas pelo Presidente e muitos dos presentes, considerando estes ingredientes potenciadores do sucesso de uma intervenção no âmbito da Candidatura Parcerias para a Regeneração Urbana que compreende uma zona sensível do Concelho, em geral, e da Freguesia de Santo António da Charneca, em particular.
Foi, referiu Carlos Humberto de Carvalho na Abertura do evento, um “percurso difícil, cheio de dificuldades”. Tratou-se de uma “ação muito construída de baixo para cima”, com debates “muito duros”, ainda que úteis e frutuosos, com a população da Cidade Sol, bairro, na sua opinião, do ponto de vista da conceção e equipamentos, bem concebido. Nos finais dos anos 90, a Cidade Sol viu nascer, no âmbito do PER – Programa Especial de Realojamento, um conjunto de edifícios, onde se instalaram pessoas com vivências diferentes, reconheceu o Presidente. Associado a este – e com as frações em progressiva degradação – nasceu, posteriormente, nas imediações, e fruto, também, do crescimento da população, um novo bairro de barracas, entretanto, já, desmantelado com os seus residentes integralmente realojados.
Existem, ali, questões de urbanismo, do edificado e de regeneração mas, também, sociais. Um “problema extraordinariamente difícil de resolver”, reconheceu.
Na Sessão de Abertura deste Seminário estiveram, ainda, a Vice-Presidente da CMB, Vereadora responsável pelas Obras Municipais, Águas e Resíduos, e Jardins e Espaços Verdes, Sofia Martins, a Vereadora com a Intervenção Social, Regina Janeiro, o Director da Faculdade de Arquitectura e Artes (FAA) da Universidade Lusíada de Lisboa (ULL), Horário Bonifácio, o Coordenador do Centro de Investigação em Território, Arquitectura e Design (CITAD), Alberto Reaes Pinto, e o Coordenador do Projeto de Investigação "Requalificação Urbana da Quinta da Mina e Cidade Sol como caso de estudo", Rodrigo Ollero.
Projeto com o máximo interesse para todos – Horácio Bonifácio
“Estes projetos, nos dias que correm, têm o máximo interesse para todos”, disse o Director da FAA/ULL. Por um lado, pela “colaboração que se estabeleceu já há algum tempo entre autarquia e universidade” e, por outro, pelo facto do tema estar, “mais do que nunca, na ordem do dia”.
Janela de oportunidade – Alberto Reaes Pinto
“Estamos num período de crise dramático que nos está a travar” mas, com ela, “cria-se, também, uma janela de oportunidades”, referiu o Coordenador do CITAD. “Dá-nos a oportunidade de refletir aquilo que nós queremos”: “Que arquitetura pretendemos?” – perguntou.
Alberto Reaes Pinto salientou a pertinência do tema da revitalização urbana, “sustentável”, perante problemas relacionados com a degradação de património construído.
Que questões importam resolver nas cidades – Sofia Martins
Na moderação do primeiro painel, a Vice-Presidente da CMB desafiou os presentes a pensar “que questões importam resolver nas cidades” de modo a garantir a qualidade de vidas das populações.
Na Cidade Sol, Sofia Martins apontou “problemas sociais acentuados” como “condição mais marcante do bairro”.
Como é que o projeto de regeneração urbana pode colmatar estas questões de integração, pergunta, tendo em conta a diversidade de populações.
Investimento de mais de sete milhões de euros – Mário Nunes
A Candidatura significa um investimento de 7.229.712,00 euros, 6.929.712,00 euros dos quais elegíveis para financiamento, explicou o Chefe da Equipa Multidisciplinar para a Regeneração das Áreas Urbanas da CMB, Mário Nunes, na apresentação dos contornos da candidatura, que tem já em curso a obra do Centro Social de Santo António. A Autarquia irá investir 5.523.050,00 euros.
“Estamos num território que é uma varanda para Lisboa”. Com uma inspiradora imagem aérea de um dos edifícios do território a intervencionar, Mário Nunes terminou a sua apresentação.
Projeto de execução terminado – José Veludo
“O projeto de execução [da Requalificação Urbana e Paisagística no âmbito da Candidatura] está praticamente acabado. Acaba esta semana”, disse José Veludo, da empresa NPK – Arquitectos Paisagistas Associados, à qual foi adjudicada a conceção deste projeto, uma área de cerca de 30 hectares.
O arquiteto paisagista identificou a diferença na qualidade de construção entre Cidade Sol – “bairro feito para o carro, com muito espaço”, com “aspetos muito positivos de vivência do espaço público” e potenciais elementos que contribuem para “um agradável bem-estar” – e os edifícios da Quinta da Mina.
Na zona, onde confluem várias culturas, no entanto, José Veludo identificou a ausência de praças: “As praças são sínteses”. “É preciso tempo”, sublinhou, para criar um sentimento de pertença do espaço onde coabitam várias culturas – entre os residentes de há décadas e os mais recentes – de idades diversas.
A proposta de intervenção, disse, assenta no seu conceito nas diretrizes do programa definidas na Candidatura: Coesão Social e qualificação da população; Qualificação do território e Dinamização Económica.
Perspetivas de integração social – Apolónia Teixeira
Estima-se que na urbanização da Quinta da Mina – composta por treze edifícios, num total de 119 fogos –, habitem cerca de 420 pessoas.
“O Bairro acolheu dois grandes núcleos de barracas” das freguesias do Barreiro e Santo André, agregados familiares registados no âmbito do PER, esclareceu a técnica da Divisão de Intervenção Social da CMB, Célia Gaudêncio.
Da população residente, 39 por cento é de etnia cigana, 31 tendeiros e seis de origem africana.
Após três candidaturas “sem sucesso” com o objetivo de corrigir os edifícios, o Município tem intervindo na reparação de anomalias pontuais, disse a Chefe da Divisão de Intervenção Social, Apolónia Teixeira.
“A influência do espaço público nos comportamentos pode induzir a mais perspetivas de integração social”, defendeu, recordando o desmantelamento, com “sucesso”, do bairro da lata que nasceu com o crescimento da população local. Apolónia Teixeira lembrou episódios de colaboração dos residentes nas operações e os sentimentos das pessoas envolvidas.
A Chefe de Divisão salientou, ainda, a promoção da participação da população no processo, com a sua integração em grupos de trabalho, “cidadãos anónimos para quem o projeto é dotado de sentido”.
Parcerias – Vicente Figueira
Na sessão, esteve, ainda, o Presidente da Junta de Freguesia de Santo António da Charneca, Vicente Figueira, que elogiou a postura da CMB e as candidaturas efetuadas para a zona, sublinhando os progressos alcançados fruto do trabalho conjunto ao nível autárquico.
O «1º Seminário Internacional sobre Regeneração Urbana; Quinta da Mina e Cidade Sol – Cidade Para Todos como caso de estudo», que apresentou um filme com informações recolhidas em múltiplas reuniões com moradores e Concelho Participativo, teve muitos outros participantes, entre os quais, Joana Leitão, Fátima Silva, Marina Antunes, Simone Cunha, Helena Rocha, Paula Ferreira, Fernando Casqueira, Maria João Freitas e José Barros Gomes, terminando com o professor da Universidade de Salford, no Reino Unido, Stephen Curwell.
CMB














