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BARREIRO - HISTÓRIAS VIVIDAS E CONTADAS DO 25 ABRILJosé Encarnação estimulou a reflexão dos alunos

“As Histórias Vividas e Contadas do 25 de Abril” foram apresentadas por José Encarnação aos alunos do 9º ano, da Escola Básica D. Luís Mendonça Furtado. A iniciativa insere-se no programa comemorativo do 39º aniversário do 25 de Abril promovido pela Câmara Municipal do Barreiro.

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BARREIRO - HISTÓRIAS VIVIDAS E CONTADAS DO 25 ABRIL José Encarnação estimulou a reflexão dos alunos

Por Jornal Rostos

José Encarnação iniciou a “aula” apresentando-se aos alunos.
Encontra-se neste momento desempregado, após 42 anos de trabalho. Tem dois filhos e dois netos.
Tirou o curso de electrotecnia, na Escola Secundária Alfredo da Silva e trabalhou na Companhia União Fabril (CUF).
Antes do 25 de abril, com 18 anos, interessa-se pelo sindicalismo e adere à Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional – CGTP – na qual permanece ao longo de 20 anos.

No sentido de levar os alunos a perceber como era Portugal antes da Revolução do 25 de Abril, apresentou alguns dados estatísticos relativos ao sistema de educação. Comparou os períodos antes e depois do 25 de Abril, e informou que existiam 38.000 alunos a frequentar o ensino secundário, em 1973 e 350.000, em 2011. Em relação ao número de docentes, em 1973, eram 750, já em 2011, lecionavam 18.000 professores.
Realçou que naquele tempo, o ensino não era para todos. “Só os filhos das famílias mais ricas é que estudavam, assim estudar era um privilégio. Eu fui obrigado a interromper os estudos ao completar o 9º ano, pois os meus pais não conseguiam ter dois filhos a estudar”, lamentou.

A falta de liberdade de expressão, a guerra colonial, o acesso limitado à educação e à saúde, foram alguns dos fatores que, segundo José Encarnação, desencadearam a Revolução. “Antes do 25 de Abril não existia liberdade de expressão no regime de Salazar. Existia a Guerra Colonial. Após cinco séculos de colonização, na fase final do regime de Salazar, as colónias sentiram o direito de lutar pela independência. Resolvendo declarar guerra ao Estado Português. Morreram milhares de portugueses na guerra e dezenas de milhares ficaram com sequelas”.

Quando José Encarnação questionou se os alunos “têm liberdade a mais?” Estes não souberam responder porque não têm termo de comparação (sempre a tiveram).

Ao longo da aula foi lançando alguns cenários: “E se o Estado acabar com algumas escolas e com as vagas para os professores e vos juntar em turmas maiores?”. “Manifestamo-nos contra!”, foi a resposta de alguns.

Segundo José Encarnação, um dos maiores perigos é aceitar que os direitos possam acabar. “Existe um limite e não devemos permitir que estes acabem…,por exemplo, o direito à reforma… após tantos anos a descontar…”.

A finalizar, alertou-os para o facto da História ter muitos ciclos e “podemos voltar ao passado…”

Fonte - CMB

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