Universidade de Coimbra -Saúde Mental dos Jovens AgressoresPrograma pioneiro colmata Lacuna do Sistema de Justiça Juvenil

Por Jornal Rostos
Cofinanciado pela Comissão Europeia, o estudo que visa colmatar uma lacuna dos Sistemas de Justiça Juvenil do mundo ocidental, envolveu a avaliação de 217 menores agressores em regime de Internamento em Centros Educativos e de Acompanhamento Educativo na Comunidade, as duas medidas mais gravosas previstas na Lei Tutelar Educativa: 91,2% receberam pelo menos um diagnóstico psiquiátrico, sendo as perturbações disruptivas do comportamento as mais frequentes (84,7%). Estas perturbações disruptivas traduzem-se em atitudes de desafio e desobediência repetidas, envolvimento em grupos marginais, agressão a pessoas e animais e comportamento agressivo e antissocial, etc.
Face à elevada incidência de perturbações verificada, a equipa científica concebeu um programa pioneiro de intervenção psicoterapêutica individual, apostando nas denominadas psicoterapias de terceira geração. O impacto deste tipo de intervenção está a ser testado num grupo de 18 menores das regiões de Lisboa e Coimbra.
Considerando a extrema complexidade e vulnerabilidade desta população, o programa desenhado, assente em novos modelos de psicoterapia, é «essencial para a construção de estratégias adequadas às necessidades em saúde mental de crianças e jovens delinquentes, suprindo assim uma lacuna nos Sistemas de Justiça Juvenil de toda a Europa. Trata-se de uma resposta única para os vários serviços que lidam com o problema», assevera o investigador Daniel Rijo, do Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo-Comportamental da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação.
A investigação tem colocado em evidência que a estrutura e as dinâmicas familiares destes jovens constituem fatores de risco ou de proteção para o desenvolvimento dos problemas de comportamento delinquente. Em função desta realidade, foi também desenvolvido um ensaio clínico com 16 famílias de jovens institucionalizados com o objetivo de testar um programa de avaliação e intervenção familiar, que reduza o risco criminógeno associado às características familiares destes jovens.
Só este ano, 1401 crianças e jovens delinquentes sofreram as medidas mais graves previstas na Lei Tutelar Educativa - foram cumpridas 386 medidas de Acompanhamento Educativo e 643 estão em execução. Em regime de Internamento, 119 Medidas foram realizadas e 253 estão em curso.
Os primeiros resultados obtidos com os jovens envolvidos neste programa pioneiro, traçado pela equipa de 12 investigadores da UC e por especialistas da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, vão ser apresentados durante o seminário “Justiça Juvenil e Saúde Mental”, a decorrer nos próximos dias 28 e 29 de novembro, no auditório do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa














