Palavras verticaisPor Alvaro Giesta
Barreiro
no coração ávido que anseia a água da vida
e o ser,
senão a poesia

Por Jornal Rostos
Palavras verticais
Dou-te esta prosa, quase verso
rasgada
nos olhares do sol
Aparto, da gramática, as paredes vazias
que ocultam o germinar de vozes famintas
por rasgar o ventre das pedras
e do seu interior fazer parir o sol
com que desenharei as letras do poema
neste caminho por construir
São as palavras vertidas nos versos
da minha loucura
Ausento-me do cansaço dos gestos
e por vezes caio da descrença das palavras
com que folheio os vagos instantes
dos insensatos dias
que marcaram desejos vãos no calendário do tempo
Caminho na orla do silêncio
e o tempo dos sonhos refugia-se
nos gritos agónicos da ausência
onde se acendem fulgores secretos
porque após a morte e a ausência
também há vida
Tange teu corpo nu colado ao meu
em horizontal planície ondulante e verde
onde espigam os sonhos
respirando a vida em cantos libertos
das algemas
Voam os pássaros livres
levando nos nossos olhares húmidos
réstias de sombra de medo sangrento e mudo,
e o vento sopra sobre o nosso deserto
desflora cabeleiras
estremece árvores de ternura
solta a liberdade dos pulsos,
e o tempo ressuscita o lume e o sol
Parai! - e dizei-me o que há de mais puro
no coração ávido que anseia a água da vida
e o ser,
senão a poesia
Alvaro Giesta, in "um arbusto no olhar" (a publicar)
- Director e Editor da revista literária "a Chama"













