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Inferências

Palavras verticaisPor Alvaro Giesta
Barreiro

Parai! - e dizei-me o que há de mais puro
no coração ávido que anseia a água da vida
e o ser,
senão a poesia

2 min de leitura
Palavras verticais Por Alvaro Giesta Barreiro

Por Jornal Rostos

Palavras verticais

Dou-te esta prosa, quase verso
rasgada
nos olhares do sol

Aparto, da gramática, as paredes vazias
que ocultam o germinar de vozes famintas
por rasgar o ventre das pedras
e do seu interior fazer parir o sol
com que desenharei as letras do poema
neste caminho por construir

São as palavras vertidas nos versos
da minha loucura

Ausento-me do cansaço dos gestos
e por vezes caio da descrença das palavras
com que folheio os vagos instantes
dos insensatos dias
que marcaram desejos vãos no calendário do tempo

Caminho na orla do silêncio
e o tempo dos sonhos refugia-se
nos gritos agónicos da ausência
onde se acendem fulgores secretos
porque após a morte e a ausência
também há vida

Tange teu corpo nu colado ao meu
em horizontal planície ondulante e verde
onde espigam os sonhos
respirando a vida em cantos libertos
das algemas

Voam os pássaros livres
levando nos nossos olhares húmidos
réstias de sombra de medo sangrento e mudo,

e o vento sopra sobre o nosso deserto
desflora cabeleiras
estremece árvores de ternura
solta a liberdade dos pulsos,

e o tempo ressuscita o lume e o sol

Parai! - e dizei-me o que há de mais puro
no coração ávido que anseia a água da vida
e o ser,
senão a poesia

Alvaro Giesta, in "um arbusto no olhar" (a publicar)
- Director e Editor da revista literária "a Chama"

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