Quotidianos – BarreiroUm tempo de desespero!

Por Jornal Rostos
Há coisas que nos chocam, fazem doer e pensar na vida, no tempo que consumimos e perdemos.
Hoje, chegou a noticia da morte do Leonel, um homem com quem partilhei alegrias, dias e luta pela edificação de um projecto cooperativo ao serviço da comunidade.
O Leonel estava sempre na rectaguarda, com muita calma, mais que o protagonismo da fila da frente ele optava por trabalhar, ter opinião e estar sempre disponível para a acção.
Por razões várias há muito que não o via, desde que me afastei das lides cooperativas.
A última vez que nos cumprimentamos foi na tomada de posse da Assembleia Municipal da Moita, quando assumiu as funções de deputado municipal e ouvi os fortes aplausos que se escutaram na sala. Foi nesse dia que soube da sua doença. Demos um abraço. Trocámos breves palavras. Lá estava ele, mesmo em fase de convalescença, ali, a assumir funções de deputado municipal.
Hoje partiu, e aqui quero registar um abraço solidário aos seus familiares e amigos. Até sempre Leonel!
Depois, desta noticia triste, outra marcou este dia 4 de Fevereiro. Luis Nascimento, jornalista da RDP, na sua página de facebook escrevia : : “Já nada me resta. Não tenho trabalho há dois anos. Perdi a minha casa. Perdi tudo. A única coisa que me restava. Perdi. Desculpem.”.
Muitos comentários a expressar solidariedade. Eu próprio escrevi:”eh pá. Nem sei que dizer. Olha, um abraço solidário. Ficamos a pensar quando chegará a nossa vez....”.
É este mundo cão que nós vivemos. Hoje um, amanhã outro, uma desesperança que marca o quotidiano das famílias.
Desemprego. Dividas. Cortes. Pouco interessa que os compromissos assumidos tenham sido numa situação de estabilidade e a contar com aquilo que tínhamos para os assumir.
Cortam. Mais outro corte. Despede-se. O que conta são os números. As pessoas estão em segundo plano.
E a vida vai enegrecendo. Uma catástrofe social, em nome de uma crise e da salvação do país, e de uma Europa que vive a duas velocidades.
Ficamos sem palavras. Num silêncio que gela o coração. E, neste silêncio, pensamos, será que vamos aguentar e sair desta crise, para viver e deixarmos este clima de sobrevivência.
Bom, mas, no meio de tudo isto, resta-nos acreditar, lutar, e, aqui e agora, neste sistema, que nos faz sucumbir, termos a coragem de não baixar os braços e sonhar que a democracia conquistada no dia 25 de Abril, afinal, não foi para isto que se ergueu e que será possível continuar a erguer os cravos como um símbolo de esperança, que muitas vezes sentimos, com lágrimas nos olhos, se esvai perante a realidade real que nos entra a toda a hora pela porta dentro…
Um abraço Luis! Olha, quando dizes – “nada me resta"! Isso não, resta-te a amizade de muitos, e a energia que tens de encontrar dentro de ti para seguir em frente e nunca deixares de sonhar!
Força!
António Sousa Pereira
Foto - Leonel













