Quotidianos – BarreiroDescoberta a razão da crise…é a «hormona do stress»!

Por Jornal Rostos
A minha amiga Gisa, um destes dias, num comentário no facebook, a propósito de um texto «Quotidianos», interrogava –«Os ‘pés’ estão de regresso?».
Não sei se os “pés” estão de regresso. Sinto. isso sim, uma necessidade, interior, de retomar a «escrita sobre os dias», a «escrita por dentro dos dias», que, de facto, era uma característica da tal rúbrica «Com pés de Veludo», editada durante anos no «Jornal do Barreiro», desde o início dos anos 90 até aos anos 2000.
Talvez, estes «Quotidianos» sejam um retorno a essa vontade interior, retomando o título de uma rúbrica idêntica que mantive no jornal «O Setubalense», quando nos anos 70 integrei a redacção daquele tri-semanário.
O que me interessa é partilhar os dias. Olhar sobre os dias e neles redescobrir as emoções que fazem este tempo que vivo.
Às vezes, penso que neste tempo que tenho pela frente – agora é só a descontar – tenho que ocupar, cada vez mais, os dias com a ternura que marca o coração. Já estou naquela fase que olho para mim próprio e vejo-me a mim, por dentro dos nervos dos dias, e pouco me importa com as máscaras que colam no corpo.
Houve um tempo que me incomodava. Revoltava-me. Fervia.
Hoje pela manhã, caminhava pela rua e de repente dou comigo a pensar porque ia com os passos tão apressados. Travei o passo. Pensei: “Vai com calma. Olha o céu azul tão lindo. Hoje está um dia de sol primaveril. Vive o dia”.
É cada vez mais este sentimento que marca os passos dos meus dias, neste meu país, que viveu a mais longa ditadura da Europa.
Sento-me a ler o jornal, vou reflectindo sobre as diversas noticias , e, sinto, como todas elas são uma cadeia de factos que dificilmente conseguirei mudar, quanto muito ajudam-me a perceber o tempo que vivo.
Passos Coelho fala de diálogo com António José Seguro. António José Seguro fala de anti-diálogo de Passos Coelho.
No decorrer de uma visita a uma empresa, Passos Coelho, cumprimenta um empresário, que nas suas costas comentou : “O outro que vier a seguir é igual a gente é que se ilude”, divulga uma nota do jornal «Público».
Em Bruxelas, a Ministra das Finanças, refere que “a disciplina orçamental terá que se prolongar por muitos anos”.
Escuto os ecos da entrevista de Vítor Gaspar e do seu livro que fala de um país feito de números, onde as soluções são cortes e mais cortes.
Entretanto, o Ministério Público da Madeira, pede a condenação de deputados por desvio de dinheiro, cerca de 2 milhões de euros. Mas que é isso? Uma gota de água no deficit.
Por outro lado, o IMTT - Instituto dos Transportes, exige 2.8 milhões de euros a cerca de 300 trabalhadores, alguns já estão reformados, que terão que devolver uma parte do salário que receberam, pois, refere-se, terão recebido ilegalmente um «suplemento remuneratório».
Na Europa, discute-se a criminalização de «clientes da prostituição», com o objectivo de “reduzir a procura”, isto, como parte de uma estratégia integrada contra o tráfico de pessoas.
Por fim, é revelado que um estudo sobre a «hormona do stress» conclui que as crises financeiras produzem efeitos fisiológicos de stress que reduzem a apetência dos corretores da bolsa por optarem por «jogadas arriscadas», propiciando o afundamento dos mercados.
Chego mesmo à conclusão que é isso a “hormona do stress” que aprofunda a minha “crise financeira”.
Não são os cortes feitos pelo José Sócrates, pelo Passos Coelho, nem esta politica europeia de austeridade, que tem que continuar por muitos anos, como todos vão dizendo em Itália, na França, na Holanda, na Alemanha…
Não, não é, nada disso. É de facto a «hormona do stress» que me leva a perder a calma, a não sentir o futuro como coisa real.
Por isso, vou começar a controlar a «hormona do stress», andar na rua com muita calma, não discutir de forma acelerada, controlar o meu «mau feitio», e, cá dentro, bem dentro do meu coração, manter uma força de vontade de ferro, repetindo diariamente: “Deprimido, sim. Vencido, não!”.
É, na verdade, assim como manter um “espirito positivo” nesta prisão, acreditando que, o importante é manter viva a criatividade…porque é isso, sim é isso, que nos faz humanos.
António Sousa Pereira
Foto - Mercado Municipal do Lavradio













