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Inferências

Quotidianos – BarreiroDo Alentejo ao Barreiro
. Obrigado Feliciano Carvalho

Quando, por vezes, se fala da «Rota do Trabalho e da Indústria» um pensamento que me ocorre é que, de facto, nessa rota está incluído o Alentejo.
E são muitos, os alentejanos, que inscreveram os seus nomes nas memórias e dinâmicas sociais da vida barreirense.

A Junta de freguesia de Vila Nova da Baronia, no concelho de Alvito, inaugurou no dia 25 de Setembro de 2013, um espaço museológico, onde, de forma permanente, vão ficar para memória futura as obras do artesão Feliciano Carvalho, que reside no Barreiro há mais de 40 anos e vive no Lavradio.

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Quotidianos – Barreiro Do Alentejo ao Barreiro . Obrigado Feliciano Carvalho

Por Jornal Rostos

Quando, por vezes, se fala da «Rota do Trabalho e da Indústria» um pensamento que me ocorre é que, de facto, nessa rota está incluído o Alentejo.
E são muitos, os alentejanos, que inscreveram os seus nomes nas memórias e dinâmicas sociais da vida barreirense.
Em tempos idos, no Barreiro, assinalava-se todos os anos a «Semana do Alentejo», recordo um vídeo que foi produzido, no qual eram efectuados diversos registos de memórias de alentejanos-barreirenses, com filmagens feitas no Alentejo e no Barreiro, com muito voluntariado e paixão, e, até com o Grupo Coral Alentejano «Amigos do Barreiro», a descer aquela rua, ao lado da passagem desnivelada, onde, parecia que descia uma rua de uma vila alentejana.

Recordo, igualmente, aqueles dias de contactos, entrevistas e reportagem feitas para um «Caderno Especial» do «Diário do Alentejo», com o Director do jornal João Paulo Velez, fazendo da minha casa, no Lavradio, a sua residência oficial durante alguns dias. Coisas feitas por amor, por prazer.

O Alentejo, sem dúvida, é uma das raízes da «Rota do Trabalho e da Indústria».
No ano 2010, no Espaço «Mercadinho», no Barreiro, o artesão Feliciano Carvalho, expos um conjunto de trabalhos seus, de uma grande riqueza, até, pelo seu valor etnográfico e antropológico.
Voltou de novo a expor no Mercado do Lavradio e na SFAL.

Feliciano Joaquim Carvalho, é natural de Vila Nova da Baronia, concelho de Alvito, completou este ano, em Fevereiro 74 anos, reside no Barreiro há 44 anos, na freguesia do Lavradio.
Feliciano Carvalho, começou a sua vida profissional como Pedreiro, trabalhando com o seu pai, até à idade de ir para a vida militar.
Na vida militar concluiu um Curso de Desenhador.
Após concluir o período de vida militar foi para a Base Aérea de Beja, onde desempenhou funções de Fiscal na Força Aérea Portuguesa.
Em 1968 iniciou a sua actividade como Desenhador em Lisboa, no Estado Maior da Força Aérea, função que exerceu até ao ano de 1994, quando se reformou.
Após a reforma, começou a dedicar os seus dias a criar miniaturas, de grande qualidade artística, através das quais recria as suas memórias de infância.
A sua obra é um legado que nos permite reviver a autenticidade da cultura alentejana.
Em conversas, dizia-me que gostava de ter um espaço onde pudesse de forma permanente expor as suas obras que, diga-se, eram uma delicia para as crianças das escolas sempre que visitavam as suas exposições.

Como isso era impossível de concretizar no Barreiro, ele um dia, numa entrevista ao jornal «Rostos» dizia que gostava de criar – um Museu na sua terra.
“Quero falar com o presidente da Junta e com o presidente da Câmara” – dizia, acrescentando – “Na escola onde eu andei em 1947, hoje, está lá uma Biblioteca. Eu penso que se existir um espaço na Escola da Vila Nova da Baronia, esse era o sítio onde eu gostava que tudo ficasse como um espaço de Museu.”
Esta entrevista do jornal «Rostos» chegou à Câmara de Alvito e à sua freguesia. O convite para criar o espaço museológico nasceu.

O seu sonho concretizou-se e a Junta de freguesia de Vila Nova da Baronia, no concelho de Alvito, inaugurou no dia 25 de Setembro de 2013, um espaço museológico, onde, de forma permanente, vão ficar para memória futura as obras do artesão Feliciano Carvalho.
Nós, aqui no jornal «Rostos» ficamos felizes com a inauguração daquele espaço, pois, sentimos que demos um contributo para que o sonho de Feliciano Carvalho se concretizasse e, de facto, seja uma realidade.
Temos pena que o Barreiro, nessa »Rota do Trabalho e a da Indústria» tenha «perdido» este espólio que, certamente, enriqueceria a memória das vivências dos netos, filhos, pais e avós de muitos barreirenses.

O tempo passou, e, ontem, dia 8 de Março, o artesão Feliciano Carvalho, dirigiu-se a mim, com um saquinho na mão, com a sua humildade e simplicidade, com um grande sorriso nos olhos, e disse- me: “Quero agradecer-lhe. Quero dizer-lhe que não me esqueci de si. Quero oferecer-lhe esta lembrança.”
E, naquela prenda, feita com um grande simbolismo e paixão, lá estavam, duas peças de artesanato, duas miniaturas de safões – um de pele de porco, outro de pele de borrego – peças que constituíam as formas primitivas e arcaicas do traje regional alentejano, que, sublinha Feliciano Carvalho – “com origens no Paleolitico”.
Duas prendas que são, simultaneamente, um convite para visitar o espaço museológico, na sua terra natal – Vila Nova da Baronia – onde estão expostas 180 peças.
Fica a promessa de uma visita tantas vezes adiada, até mesmo o convite para inauguração.
Aqui fica este registo. O meu obrigado ao Feliciano Carvalho. São lindas as duas peças, para mim, são de um valor inestimável, esse valor que se escreve AMIZADE, com origem em palavras que nascem no coração.
OBRIGADO!

António Sousa Pereira

BREVES REGISTOS DA EXPOSIÇÃO NO LAVRADIO



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