Saltar para o conteúdo
Inferências

InferênciasA zona ribeirinha, o turismo e a fotografia
- Augusto Cabrita um catalisador

Associar o nome de Augusto Cabrita a uma estratégia de promoção da imagem da cidade, uma cidade que deixou para trás a poluição, e, que, de facto, hoje, emerge verde e voltada para a valorização dos seus rios, é, sem dúvida, um caminho que contribui para atrair visitantes e dar do Barreiro uma nova dimensão no plano da promoção da sua actividade ao nível da restauração e do turismo.

4 min de leitura
Inferências A zona ribeirinha, o turismo e a fotografia - Augusto Cabrita um catalisador

Por Jornal Rostos

No domingo à tarde, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, realizou-se uma sessão evocativa do Mestre Augusto Cabrita, assinalando o seu 91º aniversário.
Na sessão foi apresentada a obra de fotografia digital «Alma do Rio», de João Ramos.
Na apresentação, João Ramos, salientou que a “melhor forma de homenagear Augusto Cabrita é revistar os locais” que ele nos “transmitiu pela sua obra”.
Salientou que na nossa região possuímos “um património ribeirinho incalculável”, uma área “muito pura”, “rejuvenescida” e “adaptada ao meio envolvente”.
Neste contexto, defendeu a importância da fotografia como factor que – “sirva atrair pessoas à região”.

Ao escutar o jovem João Ramos, senti uma grande emoção, pois, de facto, de há muito defendo e afirmo que a fotografia pode ser um elemento de referência da actividade cultural do concelho do Barreiro.
A fotografia tem uma grande tradição no concelho, que não recorda os grandes concursos de dimensão internacional promovidos pelo Grupo Desportivo da CUF.

E, o concelho do Barreiro, tem a honra de contar nos seus cidadãos, uma figura, um ícone de referência nacional, europeia e mundial ao nível da fotografia.
Associar o Mestre à região, divulgar a sua obra fotográfica, criar um espaço permanente de contacto com a sua obra, seria, sem dúvida, um elemento com custos iniciais, mas, certamente com um retorno a curto e médio prazo, atraindo os amantes ao encontro com o Mestre e os locais que ele registou.

O Barreiro conta com a sua zona ribeirinha do Tejo e Coina – da Barra à Barra ao Sapal do Coina -, conta com a Mata da Machada – espaço único na AML, cuja memória remonta aos séculos dos descobrimentos e foi referência de investigação no século XIX.
O Barreiro conta com uma zona industrial e uma zona ferroviária, conta com Bairros Operários, conta com novas zonas urbanas com características muito próprias, caso da Cidade Sol, ou o Parque da Cidade.
São todo um conjunto de locais que condições excelentes para fotografar e fruir da natureza e de vivências sociais.
Uma área que pode estender-se aos concelhos limítrofes.

Associar o nome de Augusto Cabrita a uma estratégia de promoção da imagem da cidade, uma cidade que deixou para trás a poluição, e, que, de facto, hoje, emerge verde e voltada para a valorização dos seus rios, é, sem dúvida, um caminho que contribui para atrair visitantes e dar do Barreiro uma nova dimensão no plano da promoção da sua actividade ao nível da restauração e do turismo.
Promover de forma integrada o Barreiro como uma cidade onde pode «olhar pela objectiva” e depois saborear uma agradável refeição com base nas tradições gastronómicas ribeirinhas, tem que ser um caminho.
É um caminho que demora a construir, que exige perseverança, juntar vontades, envolver agentes económicos e sociais, num “trabalho colaborativo”, cujo objectivo final todos devem sentir, perceber e agir.

A zona ribeirinha é um enorme património.
A Mata da Machada é um enorme património.
Um destes dias, na rede do facebook, alguém, comentando uma fotografia de Kira, de mão dada com a estátua de Alfredo da Silva, interrogava: “Quando te fazem uma estátua”. E depois, os comentários sucediam-se.
Entrei naquela onda para afirmar que o Kira, já tem, hoje, a sua estátua que ficará para sempre na memória dos barreirense e ninguém irá apagar, é uma estátua que se escreve com e na paisagem de ALBURRICA!
Está lá o Kira nas suas margens, nas suas cores, nos seus sons.
Alburrica, esse espaço idílico, que foi comentado por Manuel da Fonseca, ou por Fialho de Almeida.
Alburrica, esse lugar onde Augusto Cabrita fotografou Amália Rodrigues.
Alburrica, que apaixona todos aqueles que gostam de fotografia.
É por tudo isto e muito mais que penso, ser indissociável, quando se pensar uma estratégia para a promoção de uma politica de turismo para o concelho do Barreiro, ser necessário equacionar este binómio – Augusto Cabrita versus fotografia.
O Barreiro ganha e Augusto Cabrita, irá, certamente, no voo de uma gaivota, deixar um sorriso e mergulhar em acrobacias nas águas do Tejo.
Foi isto que me ocorreu ao escutar as palavras do jovem João Ramos, que, na sua homenagem ao Mestre Augusto Cabrita, salientou que homenagear Augusto Cabrita é também homenagear a nossa vertente ribeirinha, por essa razão, “numa vertente pessoal e emocional” procurou transmitir esse seu sentimento – de forma positiva - através do seu projecto «Alma do Rio».
Gostei.

António Sousa Pereira

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção