Quotidianos – BarreiroEstágio nos EUA prejudicou Portugal
- afirma o magriço José Augusto
Na sua opinião foram cometidos dois dos erros - o estágio nos EUA e a ida tardia para o Brasil, que podem ser apontados como causa da nossa não passagem aos oitavos de final – “erros de planificação” – referiu.

Por Jornal Rostos
Depois de almoço, como é habitual, vou beber a minha bica, ali, na Esplanada, perto de minha casa. Um momento para carregar baterias. Ler o jornal. E descansar os olhos na distância.
Foi, ali, por acaso, encontrei-me com José Augusto, o magriço do mundial de 66, e, naturalmente, enquanto por ali estivemos, na conversa não podia faltar uma breve troca de opiniões sobre a presença da seleção de Portugal no Brasil.
Lá teci as minhas teorias, sobre a incapacidade de Portugal ter dado a volta à estratégia da Alemanha, que apostou em não nos deixar jogar e explorar o contra-ataque. Enfim, um dos muitos treinadores de bancada.
Mas, o meu amigo José Augusto, que sabe da poda, e pode falar com direito, porque andou no campo e foi técnico nacional, começou por sublinhar que um dos erros da nossa presença no Brasil, começou antes do campeonato do mundo, nomeadamente com a participação num conjunto de jogos nos Estados Unidos, que na sua opinião não se justificavam e em nada contribuíram para a preparação da equipa e dar-lhe entrelaçamento.
O antigo internacional referiu, na nossa conversa, que o estágio nos Estado Unidos apenas teve por objectivos a obtenção de dinheiro para a Federação e isso prejudicou a equipa, que, salientou, devia ter chegado uns dias mais cedo, ao Brasil.
Na sua opinião estes, de facto, foram os dois dos erros cometidos - o estágio nos EUA e a ida tardia para o Brasil, que podem ser apontados como causa da nossa não passagem aos oitavos de final – “erros de planificação” – referiu.
Por outro lado, José Augusto sublinhou que a equipa com o resultado frente à Alemanha, os 4-0, foi incapaz de recuperar da goleada e arrancar para os jogos seguintes com outro ânimo – “isso sentiu-se no encontro com EUA” .
A conversa é como as cerejas, José Augusto falava do Brasil e recordava outros episódios de outros momentos da seleção portuguesa em Europeus ou Mundiais.
O magriço do Barreiro sublinhou que a seleção portuguesa tem uma estratégia de jogo que aposta em Cristiano Ronaldo, mas, neste caso, devia ter sido tomada em atenção o seu estado físico, porque estava em final de época.
Na sua opinião, se, no jogo com o Gana, Ronaldo estivesse a 100% não tinha falhado os golos que não marcou, mas que esteve quase lá, porque, na verdade, Cristiano Ronaldo, já tinha muitos jogos realizados e isso reflecte-se nas suas condições físicas.
Foi uma lição de mestre e uma análise da participação da nossa seleção no Mundial do Brasil, vista por um magriço, numa agradável conversa, ao sabor de uma bica, que aqui partilho.
José Augusto conversava e ao mesmo tempo recordou episódios diversos e alguns divertidos, evocando memórias de idas à Rússia ou à Roménia. Uma memória que dava um livro de «estórias» do futebol.
Foi um encontro agradável e um prazer partilhar uma conversa com um senhor do futebol nacional, magriço 66 e campeão europeu pelo Sport Lisboa e Benfica.
Os nossos encontros são sempre uma «guerrilha» ele sabe que sou do Sporting e temos muitos almoços por realizar, de derrotas e vitórias.
Curiosamente, dias depois o jornal Record editava uma entrevista onde, José Augusto, tecia comentários, muito idênticos à nossa conversa, afinal, tive a oportunidade de os conhecer, em primeira mão, e, por essa razão agora aqui ficam neste meu registo do quotidiano.
António Sousa Pereira













