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Inferências

Quotidianos – BarreiroUma «Sonatina» do Maestro Ferrer Trindade

É por isso que o passado, já não existindo, está sempre presente quando nele, de facto existe amizade, respeito, amor, partilha de coisas que guardamos dentro dos neurónios e que nada, mesmo nada, apaga…porque se inscreveu nos nervos dos nossos dias!

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Quotidianos – Barreiro Uma «Sonatina» do Maestro Ferrer Trindade

Por Jornal Rostos

Foi no ano de 1992 que recebi uma «prenda» do Maestro Ferrer Trindade, uma «Sonatina» que escreveu para mim. Foi uma agradável surpresa, receber aquela pauta, com a dedicatória e as suas palavras que selavam uma relação de amizade.
Ainda hoje, recordo o dia que ele, no palco da SFAL, a dirigir a Banda da Capricho de Setúbal, no meio do concerto disse: “Agora, a próxima será dedicada ao meu amigo Sousa Pereira”. Pediu-me para subir ao palco e de imediato começaram a soar os sons do Hino dos Jogos de Barcelona. Ele cantou – “Amigos para sempre!”, dando-me um forte abraço, que guardei dentro da minha memória.
São estes momentos, que nós guardamos no coração, que dão energia aos nossos dias e fazem-nos sentir vivos.
O Maestro Ferrer Trindade, natural do Barreiro, autor da conhecida «Canção do Mar», cantada por Amália Rodrigues, Dulce Pontes, uma canção que é um símbolo internacional de Portugal, é um dos nomes que se inscreveu na história do nosso país e faz parte das memórias do Barreiro. Um homem da SDUB «Os Franceses».

Recordo estes momentos porque, de facto, na vida, por vezes, o passado torna-se presente, como se um anjo, voasse pelo tempo para nos recordar situações que gravámos nos neurónios.
Recebi, um telefonema do Maestro Horácio Marques, professor de música da Escola Natércia Couto da SFAL, durante muitos anos e também director do Grupo Coral Cantarsfal.
Telefonou para me comunicar que tinha gravado um CD com a «Sonatina» de Ferrer Trindade. Eu já tinha esquecido.
Como para mim uma pauta de música é chinês, um dia, dei-lhe uma cópia e pedi-lhe que me fizesse o favor de tocar e gravar para mim aquela música, de forma a permitir que eu sentisse os sons de Ferrer Trindade que me eram dedicados.
Fui a casa dele, ali no Bairro Marques da Costa, na Quinta da Lomba, visitá-lo e receber o CD que teve a amabilidade de gravar. Sentei-me na sala dele e escutei. No caminho para casa vim escutando no carro. Uma alegria enorme escutar aqueles sons.
Disse-lhe: “Não sei como pagar”. Ele respondeu: “Já me pagou com a sua amizade na SFAL”.
Escutava aqueles sons, os ritmos sincopados, ao entardecer, neste mês de Julho, que é um mês tão forte para mim, e, pela minha mente, passavam os instantes partilhados com Ferrer Trindade. Escutava o batel. O mar. As gaivotas.

Escrevo estas palavras para agradecer ao Maestro Horácio Marques, por nunca ter esquecido o meu pedido e por agora, passados 22 anos, me ter dado esta alegria de escutar a «Sonatina».
É nestes momentos que sinto, que a vida tem mais sentido, faz mais sentido, quando nós enchemos os dias de coisas simples, aquelas coisas que fazem vibrar o nosso coração.
É por isso que o passado, já não existindo, está sempre presente quando nele, de facto existe amizade, respeito, amor, partilha de coisas que guardamos dentro dos neurónios e que nada, mesmo nada, apaga…porque se inscreveu nos nervos dos nossos dias!
Foi isto que aconteceu, neste Julho de 2014, o passado veio até mim, para que eu nunca esqueça aquela frase que cantei em coro, com Ferrer Trindade, no palco da SFAL –“Amigos para sempre!”.

Obrigado Maestro Ferrer Trindade!
Obrigado Maestro Horácio Marques!

E, de facto, quando há amizade, amor…o silêncio faz das palavras uma melodia humanizada!

António Sousa Pereira

http://youtu.be/BBsXUX3spCk

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