Quotidianos - BarreiroGosto dos Moinhos de Alburrica brancos...
A sua brancura é uma estética da natureza que lhe dá uma dimensão mítica indissociável do seu espaço natural.

Por Jornal Rostos
A pintura enquanto representação constitui um processo de mediações ( uma cadeia de afectos)” – escreve Fernando Guerreiro, na sua obra “O caminho da Montanha”.
Ocorreu-me consultar esta obra, hoje, porque ela levou-me a reflectir sobre o “sublime” da pintura e da “paisagem”.
Uma das coisas que admiro na pintura de Kira, por exemplo, é que ele, na sua imensa criatividade, nunca “destruiu” ou “descaracterizou” os Moinhos de Alburrica, ou as “barracas do Mexilhoeiro”, antes pelo contrário deu-lhes “espiritualidade”, dimensão humana e estética, contribuindo para valorizar a dimensão icónica destas paisagens.
Uma das belezas dos Moinhos de Alburrica reside na sua brancura, na sua naturalidade, para receber e reflectir a luz solar.
A sua brancura é uma estética da natureza que lhe dá uma dimensão mítica indissociável do seu espaço natural.
Nunca imaginei, nem quero imaginar, aqueles moinhos “pincelados” de uma visão “psicadélica”, de um colorido que lhes retire a sua “paisagem romântica” que se mistura na brancura do branco areal.
Já tenho, isso sim, imaginado, à noite, que a sua iluminação fosse estudada, de tal forma, que numa rotatividade de cores, os projectores que os iluminam fossem mudando os seus tons, dando-lhe coloridos diferentes e dando à noite diferenças para olhar e sentir os sinais de uma natureza “culturalizada”, com uma visão estética inventiva e criadora, marca de um tempo que permite dar à paisagem uma dimensão mítica de futuro, projectada na brancura do luar.
É por isso, que eu gosto dos Moinhos de Alburrica brancos, bem brancos, com aquela "energia estética" que não fere o olhar e tem uma dimensão bela e sublime.
António Sousa Pereira













